AGRONEGÓCIO
O futuro é biológico
Legislação goiana sobre bioinsumos é pioneira no Brasil e serve de modelo para outros Estados. De olho nas vantagens ambientais e econômicas para o campo, Senar Goiás investe na criação de curso específico sobre a utilização destes produtos no campo.
O produtor rural Paulo Roberto Buffon começou a testar bioinsumos em 2005. Após plantios sucessivos de soja e milho, a crescente presença de dois fungos de solo (Rhizoctonia e Fusarium) se transformou em uma dor de cabeça constante para o empreendedor. Tratamentos químicos já não surtiam efeito e ele precisou buscar alternativas. Com o apoio do pesquisador Murillo Lobo, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Arroz e Feijão), Buffon experimentou utilizar um terceiro fungo (Trichoderma) para impedir o avanço do Rhizoctonia e do Fusarium. “Os resultados foram impressionantes. Nos anos seguintes ampliamos a utilização para o controle do mofo branco da soja (Sclerotinia), com excelentes respostas”, conta, entusiasmado.
Em 2013, Buffon inaugurou uma fábrica de bioinsumos em sua propriedade no município de Rio Verde. O espaço foi equipado com dois conjuntos de tanques, cada um com três reservatórios. Num dos conjuntos, o de fermentadores, passou a produzir dois tipos de bactérias isoladas: Bacillus subtilis (para controle de fitonematoides e fungos patogênicos) e Azospirillum (para fixação de nitrogênio, promoção de crescimento do milho e coinoculação da soja). O outro ficou dedicado à extração do composto chamado de Soil Food Web, um “chá” de fungos, bactérias, protozoários e nematoides (utilizado para revitalizar a cadeia de microorganismos do solo).
“Aqui na fazenda, esta é a primeira safra em que estamos trabalhando com 100% de produto biológico no sulco. Já suprimimos o uso de fungicidas no tratamento de sementes da soja. No milho faremos este mesmo processo. Estamos trabalhando com aplicação em cobertura nestas áreas, e temos uma área de teste de 80 hectares, onde queremos chegar a 100% de uso de produtos biológicos”, detalha. “Lógico que, se tivermos alguma frustração climática, ou algum problema mais agudo na lavoura, vamos lançar mão do produto químico. Vamos aprendendo até chegar o momento em que vamos usar 100% de produtos biológicos no cultivo”, argumenta.
A história de Paulo Roberto Buffon representa um movimento em curso no agronegócio brasileiro: a expansão do uso de insumos biológicos, que gradativamente começam a substituir os insumos químicos, muitos deles importados “a peso de dólar”.
Pesquisa recente divulgada pela Spark Inteligência Estratégica aponta que o mercado de bioinsumos registrou R$ 1,7 bilhão em negócios na safra 2020/2021 — alta de 37% em relação ao volume comercializado no ciclo anterior. “O mercado de soluções biológicas cresceu 40% ao ano entre as safras 2018/2019 e 2020/2021. Este dado respalda a consolidação dos produtos enquanto importantes ferramentas de manejo nas principais culturas agrícolas”, avalia o coordenador de projetos da Spark, Lucas Alves. Para ele, o levantamento Business Inteligence Panel (BIP) permite antever enorme potencial de crescimento destas tecnologias.
A Spark filtrou dados para Goiás e Distrito Federal e entregou números relativos à utilização de “biodefensivos” nas culturas de soja, milho safrinha, milho verão, feijão e algodão. Na região GO/DF, 16% da área cultivada de soja recebeu algum tipo de biodefensivo na safra 2020/2021; apenas o milho verão registrou percentual menor (8%); milho safrinha (22%), feijão (42%) e algodão (96%) tiveram resultados expressivos. Em nível nacional, o percentual de áreas que receberam algum biodefensivo (em relação à área total cultivada) ficou da seguinte forma: soja (21%), milho safrinha (13%), milho verão (4%), feijão (19%) e algodão (67%).
“Notamos uma oferta crescente de tecnologias safra após safra. A necessidade de o produtor utilizar defensivos agrícolas com diferentes modos de ação, químicos e biológicos, para conter a resistência de fungos e pragas a determinados ativos, favorece igualmente o aumento da participação dos bioinsumos”, analisa o sócio-diretor da Spark, André Dias.
Lógica diferente
O produtor Paulo Roberto Buffon acredita que tentar substituir completamente o controle químico pelo biológico pode acabar em frustração e estigmatizar as tecnologias de bioinsumos. Em vez disso, destaca ele, é melhor pensar numa lógica de manejo diferente e integrada. “A agricultura convencional trouxe desenvolvimento a todas as regiões e manteve o Brasil em posição de destaque como fornecedor mundial de alimentos. Esse modelo adota atributos de produção em massa e desconsidera por completo o contexto local, as circunstâncias da lavoura e a integração da paisagem. O cultivo se torna mais fácil, pois existe um protocolo de aplicações químicas pronto antes mesmo do início da cultura. Mas a ineficiência do sistema pode ser muito elevada e diminuir a rentabilidade do produtor. A lavoura é um sistema vivo, e deve ser tratada em suas especificidades”, argumenta.
De acordo com ele, a utilização frequente de insumos biológicos propicia maior equilíbrio entre os microorganismos presentes no sistema. “Como benefícios para o sistema produtivo, temos a redução do uso de defensivos químicos, presença mais frequente de inimigos naturais, maior proteção do meio ambiente, menor risco aos colaboradores no manuseio dos produtos e a produção de alimentos mais saudáveis”, cita ele. Além de empresário rural, Buffon, que é engenheiro agrônomo por formação, ocupa o cargo de diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), entidade que compartilha conhecimento e experiência com outros produtores, instituições e governos.
Saiba o que são bioinsumos
Bioinsumos ou insumos biológicos são produtos de base biológica, desenvolvidos a partir de microorganismos, materiais vegetais, orgânicos ou naturais. Podem ser utilizados para combater pragas e doenças, melhorar a fertilidade do solo e incentivar o crescimento de plantas e animais. Têm baixa toxicidade e são biodegradáveis, por isso são considerados amigáveis ao meio ambiente.
Outros benefícios proporcionados pelos bioinsumos:
• Diminuição de custos com uso de fertilizantes e defensivos químicos, muitos deles importados e com preços atrelados ao dólar;
• Redução do risco de contaminação do meio ambiente e de pessoas que manuseiam os produtos, evitando problemas de saúde;
• Produção de alimentos mais saudáveis;
• Promoção do equilíbrio ambiental, com nutrição do solo e presença de inimigos naturais.
Alguns tipos de bioinsumos:
• Agentes de controle: insetos, bactérias, vírus e outros organismos vivos que combatem pragas de maneira natural na função de predadores e inimigos naturais;
• Bioestimulantes: produtos naturais que podem ser aplicados em sementes, solos ou plantas para incrementar desempenho, germinação, desenvolvimento de raízes e outros processos fisiológicos;
• Biofertilizantes: produtos formados por ativos ou substâncias orgânicas animais, vegetais ou microbióticas que aumentam produtividade e qualidade das plantas;
• Condicionadores biológicos: produtos que melhoram a atividade microbiológica dos ambientes;
• Inoculantes: microrganismos que intensificam a fixação biológica de nitrogênio e proporcionam outros benefícios no processo de desenvolvimento das plantas.
Políticas públicas
O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), elaborou o primeiro Programa Estadual de Bioinsumos do Brasil. Ele foi instituído em maio de 2021 (Lei Estadual nº 21.005/2021), menos de um ano após o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos (Lei Federal nº 10.375/2020), e atuará em quatro diretrizes: pesquisa, processos e tecnologias; comunicação e cultura; desenvolvimento das cadeias produtivas; e inteligência e sustentabilidade. “Nossa legislação favorece uma produção de baixo impacto ambiental. Com a diminuição do uso de químicos, temos alimentos de melhor qualidade para fornecer não só aos brasileiros, mas ao mundo. Esta é uma preocupação forte do governador Ronaldo Caiado”, explica o secretário Tiago Freitas de Mendonça, titular da Seapa.
Segundo o presidente do Sistema Faeg Senar e Ifag, deputado federal Zé Mário Schreiner, o crescimento na utilização de bioinsumos é uma realidade no campo e tem se tornado política pública. “Ao contrário do que algumas pessoas pensam, nós buscamos a sustentabilidade, seja ambiental ou na área de insumos modernos e que possam trazer resultados. Os produtos que hoje existem vêm ao encontro do que a gente deseja, que são agricultura e pecuária totalmente sustentáveis. Nesse aspecto, o Brasil tem dados passos largos”, explica.
O presidente do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Rogério Vian, defende que os bioinsumos são tecnologias acessíveis para produtores de todos os portes, do pequeno ao grande. Ele elogia o Programa Estadual de Bioinsumos do Governo de Goiás: “É um trabalho muito bem feito. Não é um programa de Estado, é um programa de País”. Vian, que é produtor de soja e utiliza bioinsumos em sua propriedade em Mineiros, no Sudoeste do Estado, garante que os benefícios proporcionados pelos bioinsumos são fatos. “Eles já estão revolucionando a agricultura”, declarou.
O coordenador-geral do Programa Nacional de Bioinsumos, Alessandro Cruvinel Fidelis, também elogia a iniciativa e o pioneirismo de Goiás ao estabelecer um programa de incentivo do uso de bioinsumos. “O Estado tem uma visão moderna e inovadora, e é um exemplo que dou em todas as apresentações e provocações que faço em outros locais. Minas Gerais está praticamente copiando [o modelo] de Goiás, o Distrito Federal também, e outros Estados estão seguindo o exemplo”, reforça. Segundo o gestor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), desenvolver os programas estaduais é uma das prioridades do Governo Federal. “As coisas acontecem nos Estados e municípios, e as especificidades regionais são muito importantes para políticas públicas assertivas”, afirma.
Fidelis elenca três principais desafios à expansão do uso de bioinsumos no Brasil: avançar nas questões regulatórias de processos e produtos (“para dar mais segurança jurídica aos produtores e às indústrias”), desenvolver modelos para agricultores familiares e pequenos empreendedores rurais (“os modelos existentes são para médios e grandes produtores, sobretudo no caso de produção própria de bioinsumos”) e comunicar os benefícios (“há tecnologias mais baratas que as utilizadas pelos produtores hoje, mas eles não têm essa informação”). “A gente sabe que essa chave vai virar, mas a velocidade com que isso vai acontecer depende da nossa capacidade de ajudar a catalisar o processo”, resume o coordenador-geral do Programa Nacional de Bioinsumos.
Para chegar lá, segundo ele, o Mapa trabalha em algumas frentes: “Vamos continuar incentivando os outros Estados a instituir programas de bioinsumos; investir na rede de “BioFabLabs”, como a da Embrapa Arroz e Feijão, em Goiás; promover mais cursos de capacitação em bioinsumos (a meta é atingir 50 mil alunos capacitados em curto espaço de tempo); buscar recursos internacionais em fundos como o Global Green Fund, de descarbonizantes; e continuar apoiando o desenvolvimento de um marco regulatório bem estruturado, que dê segurança jurídica para os nossos produtores rurais, com qualidade e segurança pros produtos, redução de custo de produção, produtividade alta, dentro de uma agricultura regenerativa, de base biológica e resiliente”.
Multiplicar conhecimento no campo
Levar mais informações e promover capacitação são desafios para estimular o uso de bioinsumos. O presidente do Sistema Faeg Senar e Ifag, Zé Mário Schreiner, enfatiza que o Senar Goiás reconhece a importância disso e, por ser uma importante instituição de fomento à qualificação profissional, criou um curso específico sobre bioinsumos. “Queremos estar de braços dados, ajudando a multiplicar essa iniciativa em Goiás. Vamos ser multiplicadores de conhecimento para serem aplicados no campo”, ressalta.
O curso será ofertado para todas as pessoas, acima de 18 anos, que estejam vinculadas com a produção agropecuária. Serão 16 horas e 16 vagas por curso presencial. O conteúdo programático é composto por aspectos gerais dos microrganismos; microrganismos com potencial de uso agronômico; a fixação biológica de nitrogênio; a solubilização de fósforo; os fungos micorrízicos; a promoção do crescimento vegetal por bactérias; uso de organismos na biorremediação de áreas contaminadas; e proteção de plantas a partir da ação de microrganismos.
O gerente de Formação Profissional Rural (FPR) do Senar Goiás, Leonnardo Furquim, também reforça a importância da criação da capacitação, porque, segundo ele, o produtor já está atento que precisa diversificar suas técnicas de produção e deposita confiança nos bioinsumos como estratégia. “O uso de bactérias fixadoras de nitrogênio já é responsável hoje pela economia de bilhões de dólares todos os anos. Praticamente toda a soja brasileira é produzida com o uso dessa tecnologia, que possibilita ao produtor conduzir sua lavoura sem nenhuma aplicação de adubos nitrogenados”, diz.
O gerente de FPR do Senar Goiás acrescenta que o uso de bioinsumos é um caminho sem volta na agricultura. “Não é só na promoção da sanidade vegetal que os bioinsumos podem ser utilizados. Cada vez mais o controle biológico de pragas e doenças tem ganhado espaço na produção de alimentos. O uso de organismos que causem danos nas pragas e doenças das lavouras são uma ferramenta útil, barata e bem-sucedida do manejo integrado de pragas e doenças. Organismos já estabelecidos como o trichoderma possuem a capacidade de colonizar e predar, fungos e insetos que estejam causando danos à lavoura”, informa.
Ele destaca que, além dos benefícios ambientais, o uso de bioinsumos traz retorno financeiro. “O primeiro deles é a redução de custos, pois estes insumos são mais baratos que os insumos tradicionais. E aliado à redução de custos, estes organismos podem incrementar a produção em níveis maiores do que quando comparados a produção com a utilização de insumos convencionais. Isso se dá pelo fato de que os fungos e bactérias benéficas atuam no vegetal no momento de sua demanda, não submetendo a planta a períodos de escassez de nutrientes.
Proposta regulamenta produção e comércio de bioinsumos
No dia 11 de janeiro deste ano, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou a proposta que regulamenta a produção, a comercialização e o uso de bioinsumos agrícolas no Brasil. De acordo com o texto, será exigido, no Mapa, o registro de estabelecimentos que produzem ou importam bioinsumos com fins comerciais. O registro do produto só vai ser obrigatório se também tiver finalidade comercial, sendo dispensado quando for destinado, exclusivamente, ao uso próprio ou envolver insetos e ácaros autorizados pelo Ministério para uso no controle biológico. O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Goiás deve abrigar o maior ecossistema de inovação em bioinsumos do Brasil
Com investimentos previstos de R$ 8 milhões, a pesquisa de insumos biológicos em Goiás ganhará o reforço de 13 biofábricas a partir de 2022. O anúncio foi feito, em dezembro do último ano, durante reunião realizada na sede da Secretaria de Agricultura de Goiás, que teve a participação de representantes de produtores rurais, órgãos estaduais e federais e instituições de ensino, pesquisa e assistência técnica. O grupo definiu 27 objetivos estratégicos para os próximos meses, sendo um deles o de abrigar, em Goiás, o maior ecossistema de inovação em bioinsumos do Brasil.
Os equipamentos para as biofábricas começarão a ser adquiridos no início deste ano, com recursos do Tesouro Estadual. Nove biofábricas serão instaladas em unidades do IF Goiano, no interior do Estado; duas na Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis; e mais duas na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. A UEG prevê ainda o aporte de recursos em uma linha de pesquisa específica sobre bioinsumos.
Uma das principais parceiras da iniciativa é a Embrapa Arroz e Feijão. O chefe-geral da instituição, Elcio Guimarães, enfatiza o papel de liderança de Goiás no tema dos bioinsumos. “Devemos não apenas falar de bioinsumos, mas fazer. O líder é seguido pelo que ele faz. Goiás está demonstrando isso. A equipe da Embrapa é fantástica em termos de pesquisa, mas ela não trabalha sozinha. E todos são os parceiros de que precisamos para fazer com que os resultados impactem quem precisa”, informa.
Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás, Robson Vieira explica que parte das estruturas adquiridas para as biofábricas serão destinadas para pesquisa e inovação, outra parte para avaliação de qualidade do produto e transferência de conhecimento ao produtor. “É necessária a pesquisa e também a transferência de conhecimento de forma cuidadosa, com qualidade, criando metodologia, de forma a propiciar redução de custo e aumento da produção lá na ponta”, argumenta. “Este é um trabalho que vai começar em 2022 e que vai se desenvolver pelos próximos 10 ou 11 anos”, acrescenta.
Comunicação Sistema Faeg/Senar
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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