AGRONEGÓCIO

Na Índia, governo reúne empresários brasileiros para dialogar sobre oportunidades no país

Nesta quinta-feira (16), a missão oficial brasileira na Índia, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, deu sequência à série de compromissos em Nova Délhi. As atividades têm como foco ampliar o fluxo bilateral de comércio e investimentos, gerando novas oportunidades para ambos os países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi representado pelo secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira, e pelo adido agrícola em Nova Délhi, Ângelo de Queiroz Maurício.

Durante a agenda, Alckmin reuniu empresários brasileiros para dialogar sobre oportunidades de expansão da presença de produtos nacionais no mercado indiano. No contexto do agronegócio, participaram representantes dos setores de carne de frango, suco de laranja e couro, além de de startups de inovação do agro, que buscam ampliar sua atuação na região.

“Estamos trabalhando para ampliar o mercado com a Índia. Nosso comércio está crescendo. Este ano deve chegar a 15 bilhões de dólares e queremos chegar a 20 bilhões o mais rápido possível. A presença dos setores privados brasileiro e indiano é central para isso”, destacou o vice-presidente Alckmin.

O secretário-adjunto da SCRI, Marcel, destacou a importância do encontro. “Há um enorme potencial a ser explorado nas relações do agro brasileiro com a Índia, mas ele exige um trabalho constante de persistência e presença. Além disso, essa escuta ativa dos interesses setoriais é essencial para que possamos identificar e buscar oportunidades que estejam alinhadas com as prioridades e demandas do setor privado”, disse.

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A reunião foi coordenada pelo Itamaraty, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Cerca de 20 empresas participaram do encontro, representando segmentos como alimentos, bebidas, agronegócio, construção, tecnologia, química e saúde, máquinas e equipamentos, energia e moda, com presença direta no mercado indiano ou operações relevantes de exportação.

Também houve reunião com o ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Piyush Goyal, para tratar de novas oportunidades e fortalecimentos das relações bilaterais.

Alckmin destacou ainda a promulgação, nesta semana, de acordos bilaterais voltados à facilitação de investimentos e à prevenção da dupla tributação, além das negociações para ampliar o Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul–Índia. “Esse acordo contempla 450 linhas tarifárias, enquanto nós temos 9 mil. Ou seja, ainda não cobre nem 5% do potencial que podemos alcançar”, ressaltou.

O vice-presidente também anunciou que o Brasil passará a emitir visto eletrônico de negócios para a Índia. “Quero trazer uma boa notícia que é o visto eletrônico. Toda a área de negócios, consultoria terá visto eletrônico aqui na embaixada em Nova Delhi e no consulado em Mumbai”, anunciou Alckmin.

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No período da tarde, foi realizado o Diálogo Empresarial Brasil–Índia, promovido pela ApexBrasil, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os setores produtivos dos dois países. Na ocasião, foi assinado o Termo de Referência do Fórum Empresarial de Líderes Brasil–Índia, que irá estruturar novas ações de aproximação entre empresas brasileiras e indianas.

Já o adido Ângelo, explicou a importância da missão. “A reunião do VPR em Nova Délhi com os empresários brasileiros com atuação ou interesse no mercado indiano, especialmente nos segmentos de proteína animal, feijões, suco de laranja e demais produtos do agronegócio, representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a presença do Brasil na Índia. O Mapa e a Adidância Agrícola tem atuado para facilitar o diálogo direto entre o setor privado brasileiro e empresas indianas, promovendo uma compreensão mais profunda do ecossistema local e de suas oportunidades, desafios e particularidades, essencial para decisões de investimento e expansão comercial bem-sucedidas”, disse.

NA AGENDA

Na sexta-feira (17), o Mapa participa de reuniões com o Secretário de Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores e com o Secretário de Pecuária e Lácteos da Índia, dando continuidade à missão oficial.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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