AGRONEGÓCIO
Ministro Fávaro assina memorando com Países Baixos para promover sistemas alimentares sustentáveis
Nesta quinta-feira (24), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu o embaixador do Reino dos Países Baixos, André Driessen, para a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pesca, Segurança Alimentar e Natureza do Reino dos Países Baixos. O documento prevê a criação de um grupo de trabalho de alto nível voltado à promoção de sistemas alimentares sustentáveis no Brasil, nos Países Baixos e em nível global.
Durante o encontro, o ministro Fávaro destacou a relevância do memorando como mais um passo no fortalecimento das relações entre os dois países. “Essa é uma oportunidade de demonstrar a força das boas relações diplomáticas, da amizade, do respeito e da soberania. São passos dentro da diplomacia que culminam neste importante momento de formalização”, afirmou.
Segundo o embaixador André Driessen, a parceria reforça a confiança mútua e é especialmente estratégica na área agrícola. “Tenho como lema que o Brasil é um parceiro fundamental para enfrentar diversos desafios globais – entre eles, a alimentação e a segurança alimentar”, declarou. Ele mencionou ainda a participação ativa de empresários holandeses em missões comerciais e feiras no Brasil nos últimos anos, e avaliou que o memorando consolida uma parceria estruturada. “Cada país tem suas especialidades, mas juntos, por meio de um diálogo estruturado, estamos consolidando essa cooperação. A Holanda pode contribuir com inovações que ajudem a agricultura brasileira a reduzir o uso de químicos e pesticidas, avançando rumo a uma produção mais sustentável e duradoura”, completou.
Com a formalização do memorando, Brasil e Países Baixos avançam no fortalecimento de uma agenda comum voltada à inovação no campo e à produção sustentável de alimentos. A expectativa é que o grupo de trabalho estabelecido pelo acordo contribua para o desenvolvimento de soluções práticas que beneficiem produtores, consumidores e o meio ambiente.
Fávaro também citou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA), em novembro de 2025, como uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo que é possível conciliar produção e preservação ambiental. “Gosto de dizer que, entre todos os ativos importantes para a produção de alimentos, como vocação, máquinas e terras férteis, nenhum é mais essencial do que o clima. Temos, nesta COP, a chance de demonstrar que estamos preocupados e comprometidos com a produção sustentável. Isso é muito importante,” enfatizou.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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