AGRONEGÓCIO

Ministro Carlos Fávaro destaca força da parceria Brasil-Portugal na FNA 2025

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que está em missão oficial em Portugal, participou neste domingo (8) da abertura do pavilhão brasileiro na Feira Nacional de Agricultura (FNA 2025), em Santarém. Esta é a primeira vez que o Brasil participa do evento com pavilhão próprio organizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Durante a visita, o ministro Fávaro destacou a importância do fortalecimento da relação bilateral com Portugal. “É uma determinação do presidente Lula que restabeleçamos as boas relações de amizade, mas, principalmente, as boas relações comerciais. Nada mais fundamental que o Brasil estar presente numa feira tão importante como essa”, afirmou.

Fávaro também destacou as ações recentes do Brasil para promover a abertura comercial, como a redução de tarifas de importação para azeite de oliva, sardinha e biscoitos. “Estamos mostrando que o multilateralismo é o melhor caminho, num momento em que o protecionismo só gera pobreza, desemprego e atraso”, disse o ministro.

O Brasil é o segundo maior importador mundial de azeite de oliva, com média anual de 100 milhões de litros. Desse total, cerca de 60% têm origem portuguesa.

Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Hugo Caruso, essa relação é um exemplo de parceria estratégica baseada em confiança mútua e qualidade. “Queremos garantir segurança alimentar e combater a concorrência desleal, que ainda impacta o mercado com produtos de baixa qualidade. A relação com o setor português é essencial não só para proteger o consumidor, mas também para realizarmos um intercâmbio técnico para o desenvolvimento da olivicultura no Brasil”, disse Caruso.

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O ministro da Agricultura de Portugal, José Manuel Fernandes, reforçou a importância da cooperação entre os países. “Temos uma relação especial com o Brasil. Precisamos de estabilidade e previsibilidade para que nossos povos tenham acesso a alimentos de qualidade, a preços acessíveis, e que possamos enfrentar juntos os desafios globais com solidariedade e ganhos concretos para todos”, declarou.

Acordo Mercosul-União Europeia

O ministro Carlos Fávaro defendeu o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade estratégica para os dois blocos. Ele destacou que Portugal pode estar entre os países europeus mais beneficiados com o avanço do tratado. “Precisamos do apoio de Portugal para que o acordo seja aprovado e implementado. Ele representa oportunidades concretas para nossos produtores e consumidores, promovendo competitividade, estabilidade e desenvolvimento”, afirmou.

Relações comerciais

Apesar da afinidade histórica, o comércio agroalimentar entre Brasil e Portugal ainda está aquém do potencial. Atualmente, o fluxo bilateral gira em torno de US$ 1,1 bilhão e é concentrado em poucos produtos.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, defendeu a diversificação da pauta e ressaltou o potencial da parceria. “Portugal é um parceiro estratégico para o Brasil e nossa presença na FNA com produtores e produtos brasileiros é um passo importante para fortalecer esse relacionamento”, disse Rua.

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Além do comércio, a cooperação técnico-científica entre os dois países também tem avançado em áreas como a criação do cavalo lusitano e o intercâmbio em bioinsumos. Além disso, estão em andamento iniciativas como a certificação eletrônica para produtos agropecuários e a discussão de temas sanitários como a regionalização de enfermidades e a pré-listagem de estabelecimentos exportadores.

FNA 2025

A FNA 2025 tem como tema central as “biosoluções”, destacando as tecnologias sustentáveis voltadas para o aumento da produtividade agrícola com menor impacto ambiental.

O Brasil vem se consolidando como referência global no uso de bioinsumos, promovendo uma agricultura mais eficiente e sustentável. A participação brasileira na FNA 2025 reafirma o compromisso do país com uma agricultura moderna, sustentável e conectada aos mercados globais.

A Feira segue até o dia 15 de junho e reúne produtores, empresários e especialistas, promovendo inovação, troca de experiências e oportunidades de negócios.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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