AGRONEGÓCIO

Mapa apresenta Plano ABC+ e Caminho Verde Brasil em painel sobre agricultura e clima na Blue Zone da COP30

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi destaque no painel “Respondendo às Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar: Perspectivas de Política, Indústria e Finanças”, realizado nesta sexta-feira (14), na Blue Zone da COP 30, em Belém (PA), com participação especial no Pavilhão da China. Representado por Bruno Brasil, diretor do Departamento de Produção Sustentável, o Mapa apresentou os principais programas que integram produção, clima e segurança alimentar, como o Plano ABC+ e o Caminho Verde Brasil, reforçando o papel do Brasil como referência internacional em agricultura alinhada ao clima.

Durante sua intervenção, Bruno Brasil destacou a solidez das políticas públicas conduzidas pelo Mapa e enfatizou a meta do Caminho Verde Brasil de recuperar até 40 milhões de hectares em dez anos, estratégia central para ampliar práticas de baixa emissão no campo. “Mostramos como o Brasil tem políticas sólidas de incentivo à agropecuária sustentável. O Caminho Verde Brasil consolida uma meta ousada, que dialoga diretamente com o produtor rural e com a demanda crescente por desmatamento zero na propriedade, mediante incentivo econômico”, afirmou.

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O painel no Pavilhão da China também contou com a participação, por vídeo, do assessor do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Augustin, que destacou a relevância da parceria Brasil–China, especialmente no avanço das aberturas de mercado e do volume de exportações brasileiras ao país asiático. Em sua fala, ressaltou os principais produtos que sustentam essa relação (soja, milho, carnes, açúcar e café) e apontou as oportunidades de ampliar investimentos bilaterais, fortalecendo cadeias produtivas e expandindo o intercâmbio técnico e comercial entre os dois países.

O representante do Mapa reforçou ainda que a expansão das iniciativas brasileiras depende da combinação entre tecnologia, qualificação produtiva e geração de renda no campo. Segundo ele, a cooperação com instituições chinesas e investimentos bilaterais será decisiva para aumentar a escala das ações e acelerar resultados, fortalecendo sistemas produtivos resilientes e garantindo competitividade ao produtor rural.

Moderado por FANG Li, diretor do World Resources Institute China (WRI China), o painel reuniu especialistas de instituições internacionais, entre eles Fan Shenggen (Universidade de Agricultura da China), Li Yu’e (Academia Chinesa de Ciências Agrícolas) e Roberta Carnevalli (Embrapa Soja). As discussões destacaram que políticas públicas, inovação tecnológica e financiamento climático precisam avançar de forma integrada para enfrentar os desafios da segurança alimentar em um cenário de mudanças climáticas crescentes.

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As contribuições do Mapa reiteram, diante da Conferência do Clima, o compromisso brasileiro com sistemas produtivos que conciliam eficiência, conservação ambiental e geração de renda, além de evidenciar o valor da colaboração internacional para ampliar o impacto das ações previstas pelo Plano ABC+ e pelo Caminho Verde Brasil, dentro e fora do país.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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