AGRONEGÓCIO

Mapa apresenta estratégias de produtividade sustentável na Conferência Internacional de Agricultura Tropical

Os desafios e as oportunidades para promover uma agricultura mais produtiva e resiliente nos trópicos foram o tema central da Conferência Internacional de Agricultura Tropical, realizada de 29 a 31 de julho, na Costa Rica. Na ocasião, o representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, Pedro Neto, destacou o protagonismo do Brasil na promoção de uma agricultura tropical sustentável, baseada em ciência, tecnologia e inovação.

O evento, organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pelo Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE), reuniu representantes de governos, centros de pesquisa, universidades e do setor privado de diversos países, reforçando a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável da agricultura tropical.

Em sua participação, Neto ressaltou os avanços obtidos com o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas (ABC+), que já viabilizou a adoção de tecnologias sustentáveis em mais de 54 milhões de hectares.  “Na fase atual, o ABC+ amplia a ambição brasileira com práticas voltadas à retenção de carbono, tratamento de resíduos, recuperação de áreas degradadas e abordagem integrada da paisagem rural, com impacto estimado de redução de 1 gigatonelada de CO₂ equivalente”, completou.

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O Secretário também mencionou o trabalho do Mapa dedicado à inovação na agricultura, com foco em bioeconomia, agricultura de precisão e boas práticas para a recuperação ambiental. Segundo ele, “o futuro da agricultura está na capacidade de adoção tecnológica, aliada a políticas públicas eficazes e integradas”.

Por meio de palestras e painéis, a programação buscou debater a importância da ciência e da tecnologia como ferramentas de promoção do aumento da produtividade, bem como da segurança alimentar, nutricional e ambiental nos sistemas tropicais.

Durante o evento, foi lançada a Plataforma de Agricultura Tropical, uma iniciativa conjunta do IICA, CATIE, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola do Caribe, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Alliance Bioversity-CIAT. A ferramenta tem como objetivo promover a articulação regional e a inovação científica em prol da sustentabilidade e da resiliência dos sistemas produtivos tropicais.

Estiveram presentes ao evento o diretor geral do IICA, Manuel Otero, o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado, a adida Agrícola na Costa Rica, Priscila Moser, e a conselheira da Embaixada do Brasil, Maria Aparecida Weiss.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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