AGRONEGÓCIO

Líder da pecuária nacional registra o melhor preço da carne bovina exportada desde 2022

Líder absoluto na produção de carne bovina no Brasil, Mato Grosso (que tem o maior rebanho do país, com aproximadamente 34,5 milhões de cabeças – 14% do rebanho nacional) bateu mais um recorde em maio:  a carne bovina produzida no Estado alcançou o maior preço de exportação desde outubro de 2022, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O preço médio ultrapassou pela primeira vez, nesse período, a marca de R$ 22.577,00 por tonelada, reflexo direto da forte demanda internacional, principalmente da China, que segue como o principal destino da carne produzida no estado. Só em maio, os embarques somaram 65,8 mil toneladas em equivalente carcaça, o segundo maior volume registrado em 2024.

A China manteve a liderança nas compras, com 54,8% da carne embarcada, além de ser o país que pagou o maior valor por tonelada, também acima dos R$ 22,5 mil. A valorização é puxada pela estabilidade da demanda asiática, pela qualidade reconhecida da carne mato-grossense e pela confiança no status sanitário do Brasil.

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Além da forte presença da China, a abertura de novos mercados vem impulsionando ainda mais as exportações. Em maio, o Brasil obteve autorização para exportar carne bovina para as Bahamas, depois da aprovação do certificado sanitário bilateral. Esse avanço se soma aos embarques consolidados para outros destinos relevantes, como Estados Unidos, Emirados Árabes, Egito e Chile.

A pecuária mato-grossense se fortalece ainda mais com o reconhecimento oficial, entregue na semana passada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), de que o Brasil é livre de febre aftosa sem vacinação. Essa conquista histórica abre caminho para acessar mercados de alto valor agregado, que até então impunham restrições sanitárias mais rigorosas.

Com um rebanho robusto e sistemas produtivos avançados, Mato Grosso mantém sua liderança graças à integração eficiente entre as fases de cria, recria e engorda, além dos investimentos constantes em genética, nutrição e manejo sustentável.

A pecuária do estado também se destaca pelo uso de tecnologias que aumentam a produtividade sem ampliar a área de pastagem, aliando sustentabilidade à eficiência econômica. Esse modelo garante que a produção mato-grossense siga atendendo tanto o mercado interno quanto o externo com carne de alta qualidade, segurança e rastreabilidade.

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O mercado segue com perspectivas favoráveis para os próximos meses, com expectativa de manutenção da demanda aquecida, especialmente da China, além do fortalecimento das exportações para novos mercados.

A combinação de preços em alta, abertura de novos destinos, crescimento no volume embarcado e reconhecimento sanitário internacional consolida Mato Grosso como um dos maiores fornecedores de proteína bovina do mundo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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