AGRONEGÓCIO
Inteligência para o agronegócio
A agricultura é uma atividade exposta a muitos fatores incontroláveis e imprevisíveis: clima, mercado, câmbio, políticas públicas, crédito, emergências sanitárias etc. É uma empresa sem telhado. Nas últimas décadas, o crescente emprego de tecnologia garantiu sucessivos aumentos da produção e da produtividade e, assim, reduziu o nível de incerteza nesse aspecto.
Contudo, como resultado conjugado de todas as variáveis imprevisíveis, os agentes do mercado – produtores rurais, agroindústrias, consumidores etc. – enfrentam, alternadamente, períodos de escassez sucedidos de períodos de excesso de demanda, ora castigando quem consume, ora quem produz.
Exemplos marcantes – e dolorosos – são as crises de abastecimento de matéria-prima (milho e farelo de soja) para as indústrias de processamento de carne, que se repetem periodicamente. A queda na produção torna o grão escasso de um lado; de outro, a alta cotação do dólar e a crescente demanda da China tornaram a exportação irresistível para os produtores. Assim, as vendas ao exterior deixam o mercado interno desabastecido. A menor disponibilidade do grão no mercado interno eleva os preços, aumenta os custos de produção e leva criadores e agroindústrias ao colapso, além de encarecer os alimentos para a população.
Esse é um dos fenômenos mercadológicos que podem ser adredemente estudados com modelos de previsão e prevenção de crise. Essa atividade de inteligência e planejamento agrícola será atribuída, em breve, à Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, de acordo com anúncio que a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez recentemente em Chapecó. Países desenvolvidos já contam com esse serviço, incrustado em estrutura estatal ou exercido por meio de agências independentes, mantidas pelo setor privado.
É lúcida e acertada a intenção da ministra. A Conab foi criada, em abril de 1990, como empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, visando assegurar o atendimento das necessidades básicas da sociedade, preservando e estimulando os mecanismos de mercado. Entretanto, em razão da dinâmica do mercado, que encontrou caminhos próprios, perdeu musculatura na execução das políticas de formação, armazenagem, remoção e escoamento dos estoques reguladores e estratégicos de produtos agropecuários, bem como no abastecimento e na regulação da oferta de produtos agropecuários no mercado interno.
Por isso, é previsível que a nova fase da Conab será extramente positiva para o agronegócio brasileiro. Poderá evitar, por exemplo, a repetição da crise do superencarecimento dos grãos (milho e soja) que assolou em 2012 (e repetiu-se em 2021) violentamente as maiores cadeias produtivas do Brasil e causa pesados prejuízos à avicultura e à suinocultura. O elevadíssimo custo do milho inviabilizou dezenas de pequenas e médias indústrias frigoríficas e tornou insolvente milhares de criadores.
As avaliações e previsões da agência de inteligência agrícola serão essenciais para balizar o mercado, orientar a planificação das grandes cadeias produtivas, o desenvolvimento das lavoura, a pecuária e o extrativismo, prevenindo escassez acentuada ou oferta excessiva. Esse esforço de inteligência também auxiliará para que as exportações – necessárias e essenciais para a economia brasileira – ganhem cada vez mais competitividade e não provoquem desabastecimento interno. Hoje, as exportações para a China continuam elevadas e estão segurando os preços no mercado internacional. O surgimento de novos focos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia e na Europa indica que a demanda internacional pelo produto brasileiro continuará elevada – mas, e amanhã?
AGRONEGÓCIO
Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
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