AGRONEGÓCIO

HF BRASIL/CEPEA: Hábitos de consumo adquiridos durante a pandemia devem ser permanentes nos próximos anos


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Cepea, 08/03/2022 – Ainda em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pode declarar o fim da pandemia de covid-19, alterando o status da situação da doença para endemia. E, mesmo que a crise sanitária definitivamente se encerre, importantes consultorias globais já indicam que muitos comportamentos adquiridos por consumidores nos últimos dois anos devem persistir no pós-pandemia. Na edição de março da Hortifruti Brasil, a Equipe de HF traz quais são estes comportamentos de consumidores e esmiúça seus reflexos sobre o setor nacional de frutas e hortaliças.

De acordo com grandes consultorias globais, o comércio on-line de alimentos, o consumo de alimentos frescos com apelo saudável, a segurança do alimento, o mercado local e compra direta do produtor e os apelos ambiental e sustentável são hábitos adquiridos (ou reforçados) durante o período pandêmico e que devem persistir nos próximos anos.

Essas tendências, embora modificadas, têm bastante relação com o cenário já observado nos últimos cinco anos – e apresentado em edições anteriores da revista Hortifruti Brasil. Conforme mencionado no relatório “A Fresh Start?”, da Fruit Logistica, a pandemia intensificou demandas dos consumidores, que, na verdade, já estavam em jogo nos últimos tempos.

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Primeiro, o grande desafio do setor de HF após a chegada da pandemia foi o de repensar a experiência do cliente em diferentes canais de compra (sejam físicos ou virtuais), atrelando as demandas deste consumidor, cada vez mais informado e conectado, a um mercado bastante exigente em termos de sustentabilidade, sem que os maiores custos limitassem a demanda final, fragilizada pela crise provocada pela covid-19.

Atualmente, passados os períodos mais críticos da pandemia, as pessoas querem e estão saindo mais de casa. Um estudo da consultoria Kantar mostra que o consumo fora do lar está em recuperação, e o canal e-commerce passa por uma desaceleração na maioria dos países. Cabe, agora, ao setor de HF estar preparado para atender a estas diferentes necessidades, pensando em seu público de forma cada vez mais personalizada.

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ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado de hortifrúti aqui e por meio da Comunicação do Cepea, com a pesquisadora Margarete Boteon: [email protected].

Fonte: CEPEA

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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