AGRONEGÓCIO

Governo cria força tarefa para tentar evitar prejuízo de R$ 32 bilhões

O governo federal montou uma força-tarefa envolvendo os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e das Relações Exteriores para definir medidas capazes de minimizar os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos agrícolas brasileiros. A decisão norte-americana, que entra em vigor em primeiro de agosto, ameaça exportações estratégicas e pode gerar um prejuízo bilionário estimado em R$ 32,4 bilhões para o Brasil, com reflexos diretos no agronegócio.

As equipes técnicas dos três ministérios já desenharam as linhas gerais de um plano de contingência, que agora passa por ajustes finais e será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. A proposta também precisa ser validada pela Casa Civil antes de ser anunciada oficialmente. Entre as medidas em estudo estão linhas de crédito emergencial, incentivos à diversificação de mercados e estímulos à exportação por novas rotas.

A preocupação do governo é proteger cadeias produtivas especialmente vulneráveis, como a de carne bovina e suína, milho, soja e suco de laranja. Segundo o ministro Fernando Haddad (Fazenda), o Brasil tem buscado diálogo com técnicos do Tesouro norte-americano, mas há dificuldades impostas pela própria Casa Branca, que tem evitado tratar diretamente do assunto em nível político. “Temos razão para querer negociar, mas o tema está centralizado na cúpula da presidência dos EUA, o que dificulta entender os próximos passos”, afirmou.

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Diante do impasse com os norte-americanos, o governo brasileiro também aposta na ampliação de acordos com países da Ásia e América Latina. Recentemente, houve avanços em negociações com Vietnã, Japão, Indonésia e Filipinas. Para o agronegócio brasileiro, responsável por mais de 25% do PIB nacional, o momento exige resposta rápida e firme para garantir previsibilidade, confiança e competitividade no comércio exterior.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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