AGRONEGÓCIO

Funcafé tem orçamento de R$ 6 bilhões aprovado pelo CDPC


Brasília (31/03/2022) O Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC) aprovou, em reunião na quarta (30), o montante de R$ 6,05 bilhões e a distribuição dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para a safra 2022/2023. A decisão ainda precisa ser votada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Na abertura da reunião, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, agradeceu os membros do Conselho pela parceria e trabalhos realizados em prol da cafeicultura brasileira. A ministra deixará o cargo nesta quinta (31), que será assumido por Marcos Montes, atual secretário-executivo da pasta.

Com relação à distribuição dos recursos para a safra 2022/2023, foram aprovados os valores de R$ 2,17 bilhão para financiamentos de comercialização e R$ 1,57 bilhão para custeio. Estão previstos ainda a destinação de R$ 1,38 bilhões para a linha de financiamento Aquisição de Café (FAC), R$775 milhões para capital de giro e R$ 160 milhões para recuperação de cafezais danificados.

Além da aprovação dos recursos para o Funcafé, o CDPC discutiu a proposta de alteração do limite de crédito de custeio para as cooperativas de produção. Atualmente o limite para essa linha, definido no Manual de Crédito Rural, é de R$ 30 milhões por cooperativa de produção e R$ 3 milhões por cafeicultor. O Conselho votou pela alteração do limite, elevando de R$ 30 milhões para R$ 50 milhões.

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), integrante do Comitê Técnico do CDPC, foi a única entidade a defender a manutenção dos limites, destacando que os principais beneficiários do financiamento de custeio são cafeicultores que contratam esses recursos diretamente com os bancos e cooperativas de crédito.

No exercício financeiro de 2021/2022, essas instituições movimentaram R$ 804 milhões, o que corresponde a 84% dos valores contratados pelos beneficiários finais.

Durante o encontro, a CNA acrescentou que a capitação média por cooperativa de produção foi de apenas R$ 8,6 milhões, sendo que apenas duas cooperativas contrataram o limite de R$ 30 milhões.

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Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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