AGRONEGÓCIO

Estudo amplia peso de pastagens no carbono e reforça papel do agro na agenda ambiental

Uma revisão científica internacional publicada na revista Nature Ecology & Evolution recalculou a dimensão das áreas de vegetação baixa no planeta — como pastagens naturais e regiões de Cerrado — e concluiu que esses ambientes ocupam uma extensão maior do que se estimava. Com isso, também aumentou a participação dessas áreas no armazenamento de carbono, com reflexos diretos sobre o papel do agronegócio no debate climático.

O estudo, conduzido por uma rede de 157 pesquisadores de diferentes países, com participação da bióloga Lucíola Santos Lannes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aponta que esses ecossistemas — que incluem o Cerrado e os campos do Pampa — cobrem cerca de 22,8% da superfície terrestre. Mais relevante, respondem por quase 30% do carbono armazenado no planeta, acima das estimativas anteriores da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que giravam em torno de 20%.

A principal mudança de interpretação está no reconhecimento de que o armazenamento de carbono não se restringe às florestas. Nos sistemas de vegetação aberta, grande parte desse estoque está concentrada no solo e nas raízes, o que coloca as áreas de pastagem e de produção agrícola no centro da discussão ambiental.

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Na prática, o resultado reforça a importância do manejo adotado dentro da propriedade. Áreas de pastagens degradadas tendem a perder carbono ao longo do tempo, enquanto sistemas bem conduzidos — com recuperação de solo, rotação de culturas e integração lavoura-pecuária — contribuem para manter ou ampliar esse estoque. O tema ganha relevância em um contexto de maior exigência por critérios ambientais no acesso a crédito e mercados.

A revisão também corrige distorções nos modelos utilizados até agora. Segundo os pesquisadores, análises baseadas exclusivamente em imagens de satélite frequentemente classificavam de forma equivocada áreas de vegetação baixa, confundindo savanas com florestas ou subestimando a extensão dos campos naturais. A validação em campo permitiu ajustar esses dados e oferecer uma base mais precisa para o cálculo global.

No caso brasileiro, a atualização reforça o peso de biomas como o Cerrado e o Pampa, que concentram parcela relevante da produção agropecuária e, ao mesmo tempo, apresentam menor cobertura por unidades de conservação. A nova leitura tende a ampliar a atenção sobre essas regiões, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.

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Ao redefinir o papel dessas áreas no ciclo do carbono, o estudo reposiciona o agro na agenda climática. Mais do que emissor, o setor passa a ser visto também como parte da solução, com o manejo do solo e das pastagens ganhando protagonismo nas estratégias de produção e sustentabilidade.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agro atingem R$ 29,6 bilhões o primeiro quadrimestre

As exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançaram R$ 29,6 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, consolidando o estado como o terceiro maior exportador do setor no País, com uma fatia de 10,6% de toda a receita cambial da agropecuária nacional.

Entre janeiro e abril, as fazendas e agroindústrias mineiras embarcaram 4,8 milhões de toneladas de produtos. De acordo com o balanço oficial da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o resultado reafirma a robustez do campo mineiro e a ampla inserção global do estado, que conseguiu acessar mais de 160 países com uma cesta diversificada de 500 produtos diferentes.

O grande destaque positivo do período ficou com o segmento de carnes, que despontou como o principal vetor de crescimento ao faturar R$ 2,94 bilhões com o envio de 160 mil toneladas ao exterior. O avanço de 8,2% na receita das proteínas foi impulsionado pela valorização da carne bovina no mercado internacional. A expansão das carnes e o desempenho favorável de setores como sementes, algodão, papel, frutas e bebidas comprovam que o estado avança na diversificação de sua pauta, criando defesas contra as oscilações de preços das commodities tradicionais.

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A escala exportadora confere ao estado a liderança isolada em mercados de nicho e produtos de alto valor agregado. O agronegócio mineiro responde atualmente por 71% de todas as exportações brasileiras de café, além de deter 30,5% das vendas externas de produtos apícolas, 20,4% de lácteos, 12,8% de rações para animais e 11,9% de produtos hortícolas, leguminosas e tubérculos. Essa capilaridade garante receita estável ao produtor e mantém o interior do estado dinâmico economicamente.

No mapeamento dos destinos internacionais, a União Europeia manteve a posição de principal parceiro comercial das frentes agrícolas mineiras, absorvendo R$ 8,67 bilhões, o equivalente a 29,6% da pauta total do quadrimestre. Embora o café represente a quase totalidade das compras do bloco, os produtos florestais registraram um salto de 42,8% e os embarques de carnes mais do que dobraram para o mercado europeu.

Já os países do Mercosul movimentaram R$ 418,2 milhões, registrando uma expansão de 10,1% no volume físico importado. A Argentina liderou as compras intrabloco com 63,2% de participação, absorvendo uma cesta diversificada de produtos de consumo como chocolates, lácteos e alimentos processados.

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O balanço do quadrimestre absorveu as acomodações de preços e volumes nas cadeias de maior peso, que registraram faturamentos expressivos apesar das bases comparativas elevadas do ano anterior. O café gerou uma receita de R$ 16,32 bilhões com o embarque de 7,4 milhões de sacas, enquanto o complexo soja garantiu a vice-liderança da pauta com R$ 5,81 bilhões injetados na economia mineira a partir do comércio de 2,71 milhões de toneladas. O complexo sucroalcooleiro complementou a receita externa do estado com R$ 1,37 bilhão faturados no período, consolidando o agronegócio como o principal motor produtivo do estado no comércio global.

Fonte: Pensar Agro

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