AGRONEGÓCIO

Da Terra à Mesa: MDA vai injetar R$ 100 milhões na agricultura familiar

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) anunciou um reforço de peso para os trabalhadores do campo: um novo edital do programa Da Terra à Mesa Brasil, que vai injetar R$ 100 milhões na  agricultura familiar. O dinheiro será usado para projetos de transição agroecológica, estruturação produtiva e capacitação — tudo com foco em quem cultiva sem agrotóxico e longe dos grandes bancos.

A proposta é alcançar pelo menos 10 mil agricultores familiares em todo o país. “Esse programa é para o agricultor que não tem perfil de banco. É para quem fica de fora do crédito tradicional”, afirmou o ministro Paulo Teixeira.

As organizações da sociedade civil poderão apresentar propostas que se enquadrem em três eixos:

  1. Estruturação produtiva — investimento em sementes crioulas, bioinsumos, agrofloresta, criação de animais, máquinas e manejo sustentável de solo e água.

  2. Assessoria técnica — acompanhamento especializado para a transição agroecológica sair do papel e pegar no tranco.

  3. Formação e capacitação — cursos e trocas de experiências entre agricultores e técnicos, porque conhecimento também brota da terra.

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Os critérios do edital incluem um olhar atento para quem mais precisa. Propostas que envolvam pelo menos 50% de mulheres e 20% de jovens do campo terão prioridade. Afinal, sem a força delas e o fôlego deles, não há roça que prospere.

Cada estado poderá acessar até R$ 2 milhões, com exceção da Região Norte, que terá direito a até R$ 3 milhões. Já os projetos individuais podem receber até R$ 8 milhões.

Com esse recurso, o governo espera ajudar pequenos agricultores a saírem da dependência de agrotóxicos e insumos caros, e fortalecer uma produção que respeita a natureza e põe comida de verdade na mesa dos brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Confronto armado e feridos em colheita judicial reforçam urgência por segurança jurídica

O cumprimento de uma ordem judicial para a colheita de safra em uma propriedade rural de Feliz Natal (cerca de 510 km da capital, Cuiabá) em Mato Grosso, na última sexta-feira (26.06), terminou em um confronto armado que deixou feridos e expôs a fragilidade dos protocolos atuais para a execução de mandados no meio rural.

O produtor rural Maikel Alan Tespesel, que estava acompanhado pela esposa e pelos dois filhos menores no momento da ocorrência, foi atingido por disparos de arma de fogo. O prestador de serviços contratado pela empresa credora também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete do produtor. Ambos estão internados num hospital de Sorriso e passam bem.

O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, coloca em debate o modelo adotado para o cumprimento de decisões judiciais que envolvem ativos agrícolas. A presença de empresas de segurança privada em diligências de alto risco, em vez de um aparato ostensivo das forças de segurança do Estado, é apontada por especialistas como um dos fatores que transformaram uma ação de natureza cível em um episódio de violência física.

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A empresa credora da produção, contratou serviços de terceiros para realizar a colheita autorizada pela Justiça. Segundo informações da Polícia Militar, o conflito teve início quando houve uma tentativa de bloqueio do veículo do produtor. Os homens contratados pela empresa teriam efetuado disparos contra a caminhonete do produtor rural.

O episódio repercutiu negativamente no setor. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou nota oficial repudiando a violência e defendendo uma investigação rigorosa. Para a entidade, disputas comerciais e execuções de ordens judiciais precisam observar protocolos estritos de legalidade, sendo inaceitável que o ambiente de produção se torne palco de confrontos que coloquem em risco a vida de produtores e suas famílias.

O incidente em Mato Grosso reforça um pleito antigo do setor agropecuário: a necessidade de garantir que decisões judiciais sejam executadas de forma técnica e segura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende sistematicamente que o cumprimento de mandados judiciais em áreas rurais ocorra com apoio das forças de segurança pública, evitando que produtores e credores sejam submetidos a situações de risco iminente.

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O episódio reflete um cenário de crescente tensão na zona rural brasileira. Dados do relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam a ocorrência de 1.408 episódios de conflito no último ano, atingindo mais de 715 mil pessoas.

Estados como Mato Grosso, Pará e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram as áreas de maior atrito, onde a expansão da fronteira agrícola e a complexidade na regularização de terras têm transformado disputas comerciais e possessórias em confrontos diretos.

Para a bancada do agronegócio, esses números evidenciam um vácuo de autoridade que exige solução urgente. A FPA sustenta que a insegurança jurídica e a falta de protocolos estaduais eficientes para o cumprimento de mandados judiciais impedem a pacificação no campo, transformando a resolução de litígios — que deveriam ser estritamente técnicos — em cenários de risco iminente para produtores, trabalhadores e seus familiares.

Fonte: Pensar Agro

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