AGRONEGÓCIO

CNA participa de congresso sobre mercado global de carbono

Muni Lourenço, Rodrigo Justus e Nelson Ananias com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite (segundo da esq. para direita)

Brasília (18/05/2022) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, de hoje (18) a sexta (20), do Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes, que acontece no Rio de Janeiro.

O evento, promovido pelo Banco do Brasil e pela Petrobras, conta com o apoio institucional do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Banco Central do Brasil. O objetivo é debater o mercado de crédito de carbono e apresentar estratégias corporativas e projetos para impulsionar negócios verdes, com foco em inovação e sustentabilidade.

O encontro também pretende conectar lideranças de diferentes segmentos e públicos brasileiros em torno do tema “mercado de crédito de carbono brasileiro e global”, de acordo com os resultados apresentados na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26).

Ao todo, serão realizados 24 painéis nos três dias de evento, com mais de 100 palestrantes. Entre os assuntos estão agroindústria e meio ambiente, agricultura e serviços ambientais, fertilizantes e agenda verde, a importância das cooperativas para o agro sustentável, perspectivas para a bioenergia no Brasil, crédito de carbono de floresta nativa e crédito de metano no Brasil.

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Segundo o vice-presidente da CNA e presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da entidade, Muni Lourenço, a Confederação – como representante dos produtores rurais brasileiros – vem participando ativamente dos principais fóruns nacionais e internacionais que debatem a questão ambiental.

“Consideramos fundamental, no pós-COP-26, a presença da CNA neste congresso, principalmente porque aqui estão sendo discutidas estratégias para concretização dos créditos de carbono em nosso País. Esperamos que isso possa ser um instrumento de monetização da preservação ambiental realizada pelo produtor rural”, afirmou Lourenço.

Também representam a entidade no evento o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias, e o consultor jurídico e ambiental da CNA, Rodrigo Justus.

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Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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