AGRONEGÓCIO

CNA discute autorregularização das declarações do ITR 2021


Brasília (24/02/2022) – O Grupo de Trabalho (GT) Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu na quinta (24) para debater a autorregularização das declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) 2021, entre outros assuntos.

O gerente jurídico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Francisco Simões, fez uma apresentação sobre a proposta de autorregularização do ITR encaminhada pela entidade à superintendência da Receita Federal do Brasil (RFB), em Uberaba (MG). Ele abordou pontos como autuações por Valor da Terra Nua (VTN) e por áreas ambientais, proposições e impasses.

A RFB iniciaria nas próximas semanas o processo de notificação para 50 mil contribuintes (produtores rurais). Agora, os contribuintes com indícios de erros não serão mais notificados e, sim, comunicados que sua declaração possui erros e, com isso, poderão fazer a retificação da declaração antes do processo de fiscalização, evitando a aplicação de multas sobre o tributo devido. Segundo Simões é uma oportunidade para os produtores rurais evitarem maiores custos e processos administrativos.

“Trata-se de um tema bastante caro para o setor agropecuário. Precisamos massificar as informações para evitar os problemas que vemos recorrentemente em todo o Brasil. Essa possibilidade e as tratativas da Faemg junto à Receita Federal são muito importantes para todas as Federações, precisamos informar os produtores de todo o Brasil que, ao receber a comunicação, avaliem junto ao responsável pelo preenchimento da declaração possíveis erros e a necessidade de fazer uma retificação da declaração”, afirmou o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.

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Durante a reunião também foram discutidas a nova delimitação do semiárido e os impactos sobre os municípios excluídos e o decreto de regulamentação da Lei nº 14.166/2021, que trata da renegociação das dívidas com os Fundos Constitucionais. Ambos foram analisados pela assessora do Núcleo Econômico, Isabel Faria, que destacou a atuação e os encaminhamentos realizados pela Confederação.

“No caso da exclusão dos municípios do semiárido, é muito importante que as Federações Estaduais impactadas apresentem defesa para manutenção dos municípios na região, quando constatada essa necessidade”, disse ela.

A assessora técnica da CNA, Mariza de Almeida, falou sobre o 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), que será realizado de 8 a 11 de agosto, em Natal (RN), e terá como tema “Agricultura Familiar, Sistemas Agroalimentares e Mudanças Climáticas: Desafios rumo aos ODS”. 

O evento vai analisar os melhores artigos sobre o assunto e o prazo para submissões dos trabalhos é até o dia 4 de abril. Mariza convidou os integrantes do GT Econômico a elaborarem artigos técnicos e apresentarem os trabalhos no Congresso como forma de apresentar o setor agropecuário à academia brasileira.

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O encontro foi finalizado com uma apresentação da assessora de Relações Institucionais da CNA, Zoraide Reis, que falou sobre a pauta do agro no Congresso Nacional em 2022, especialmente dos projetos relacionados ao Núcleo Econômico. Ela também explicou o funcionamento do “Termômetro”, uma ferramenta utilizada pela RI/CNA para o monitoramento de projetos de lei relacionados ao setor.

O evento contou com a participação do vice-presidente da CNA, Júlio Rocha, e do presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), Rodolfo Tavares, além de representantes das Federações Estaduais de Agricultura e Pecuária.

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Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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