AGRONEGÓCIO

Caravana do Agro percorre o país conectando produtores a oportunidades internacionais

Na última semana, quatro edições da Caravana do Agro Exportador movimentaram diferentes regiões do país. Coordenada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a ação tem aproximado produtores, agricultores e empresários em torno de um objetivo comum: ampliar o acesso dos produtos agropecuários brasileiros ao mercado internacional.

Em Belo Horizonte (MG), a caravana integrou a programação da feira Megaleite, com foco no setor de leite e genética bovina. O diretor da Girolando, Celso Menezes, apresentou dados sobre a raça Girolando e destacou o avanço nas exportações de animais vivos para reprodução. A diretora de Promoção Comercial da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Angela Peres, detalhou iniciativas como o Passaporte Agro e a plataforma Agroinsight. Os adidos agrícolas do Brasil, Bruno Breitenbach (Indonésia) e Clóvis Serafini (Colômbia), reforçaram o potencial desses mercados para a genética leiteira brasileira.

Já no estado da Bahia, três edições distintas. A primeira, liderada pelo chefe de Serviço da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Péricles Mendes, ocorreu em Salvador, com foco no setor de cacau e chocolate. Realizada em parceria com a AIEX e a Unifacs, a caravana reuniu produtores, estudantes de pós-graduação e empresas exportadoras para debater estratégias de inserção internacional. O adido agrícola do Brasil na Turquia, Diego Rodrigues, destacou a demanda crescente do mercado turco por chocolates e derivados de cacau brasileiros. A programação contou ainda com uma palestra online de Gabriela Rocha, analista da empresa finlandesa AURIEX, sobre questões tributárias no comércio exterior.

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A segunda parada no estado foi em Remanso, durante o Seminário de Caprinos e Ovinos. Com cerca de 250 participantes, o evento reuniu representantes do Sebrae, Banco do Nordeste, Consórcio Nordeste, Conab e da certificadora halal Fambras. O coordenador de investimentos da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Thiago Arcebispo, conduziu a conversa com os adidos agrícolas Adriano Perrelli (Arábia Saudita), Rafael Mohana (Egito) e Vanessa Medeiros (Emirados Árabes Unidos), que discutiram caminhos para ampliar a presença da carne de caprinos e ovinos brasileiros no mundo muçulmano.

Já em Luís Eduardo Magalhães (BA), a caravana integrou a programação da Bahia Farm Show, segunda maior feira agrícola do país. Com a presença dos adidos agrícolas Angelo Queiroz (Índia) e Juliano Vieira (Vietnã), o evento abordou oportunidades comerciais para grãos, frutas e outras cadeias produtivas relevantes ao agronegócio nacional.

Entre os dias 26 e 29 de junho, a Caravana do Agro Exportador estará em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. Já no dia 8 de julho, Montes Claros, no interior de Minas Gerais, recebe a iniciativa itinerante que promove a escuta ativa e a aproximação entre o campo e o mercado global.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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