AGRONEGÓCIO
Cana-de-açúcar: previsão de aumento na safra 2022/2023
Os dados do 1° Levantamento da Safra de cana-de-açúcar 2022/2023 da CONAB foram divulgados no dia 4/5, trazendo as condições da produção e de oferta do açúcar e etanol. Os números apresentados indicam que o Brasil deve produzir 596,1 milhões de toneladas, um aumento de 1,9% em relação à safra anterior, apesar da redução na área colhida de 1,3%, devido à forte concorrência com outras culturas. A área chega a 8,2 milhões de hectares, que acabou se equilibrando com a expectativa de recuperação da produtividade em 3,2%, resultado de um clima mais favorável que o ocorrido no último ciclo.
Com muitos contratos a serem cumpridos, boas margens de lucro e melhor qualidade da matéria-prima, o Brasil deverá produzir 40,2 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, incremento de 14,9% em comparação com o ciclo anterior. Dada maior produção de açúcar, contribui para a perspectiva de crescimento das exportações do produto nesta temporada.
Já a produção total de etanol, proveniente da cana-de-açúcar e do milho, é de 28,66 bilhões de litros, com redução de 5,3% em relação à safra passada. No etanol da cana, a redução afetou tanto o anidro, com queda de 11,1%, quanto o hidratado, com decréscimo de 4,9% em comparação à safra 2021/22. O cenário de maior controle da pandemia de COVID-19 favorece o aquecimento da demanda interna, fator que pode limitar as exportações e direcionar para ampliar a oferta do biocombustível.
A safra que se iniciou neste mês de abril só será encerrada em março de 2023, por isso o levantamento aponta para uma estimativa de produção de açúcar, mas, vale destacar que o mercado é dinâmico e pode mudar ao longo da safra.
MINAS GERAIS
Na temporada 2021/22, as lavouras de cana-de-açúcar sofreram com um clima mais seco e geada, o que culminou em redução da produtividade das lavouras, e consequentemente da produção, que fechou o ciclo com 63,9 milhões de toneladas processadas.
Já para o ciclo iniciado este mês, 2022/23, o clima se apresentou bem mais favorável ao desenvolvimento das lavouras, até o momento. Assim, mesmo com uma estimativa inicial de leve redução na área em produção (-0,4%), a perspectiva é que a safra registre aumento no rendimento médio da cultura, na ordem de 5,2%, com produtividade de 79,5 mil kg/ha e na produção total em comparação ao exercício anterior, podendo chegar a 67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar colhidas (crescimento de 4,8% em comparação ao resultado de 2021/22).
Deste total, a estimativa é de uma safra mais açucareira, com volume de 5,5 milhões de toneladas do adoçante, aumento de 31,9% em relação a 21/22. Já a produção de etanol é esperada em menor volume, chegando a 2,4 bilhões de litros, menor em 17,3% que o ciclo anterior, sendo que a produção de etanol anidro é estimada em 987,9 milhões de litros (-18,8%) e hidratado 1,4 bilhões de litros (-16,2%).
“Entende-se que o direcionamento da cana-de-açúcar para o mercado açucareiro tenha peso em relação ao preço e a demanda mundial pelo produto, o que permitiu muitas usinas travarem a venda futura aproveitando tais condições. Além disso, fatores de isolamento e restrição social impostas pela pandemia reduziram a demanda pelos combustíveis.”
Ana Carolina Alves Gomes, Analista de Agronegócios do Sistema FAEMG
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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