AGRONEGÓCIO
Caixa Econômica atende CNA e amplia prazo de financiamento para aquicultores
Brasília (31/03/2022) – A Caixa Econômica Federal atendeu ao pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ampliou os prazos de financiamento para a cadeia produtiva da aquicultura.
A CNA pediu à Caixa a readequação dos prazos de financiamento, especialmente para peixes nativos e a reiteração de não exigência de Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para os aquicultores, conforme o Manual de Crédito Rural.
Agora os prazos passam a ser de até 24 meses de contratação, dependendo do sistema produtivo e espécie cultivada.
“A demanda chegou à CNA por meio de produtores que estavam tentando captar esse crédito na região Norte do Brasil, mas estavam com dificuldades. Os produtores Comentaram que algumas agências exigiram a RGP e os prazos não condiziam com o ciclo produtivo de peixes nativos”, explicou a assessora técnica da CNA, Elena Castellani.
A CNA enviou ofício técnico à Caixa explicando a necessidade de ampliação dos prazos de contratação das linhas de crédito conforme a espécie produzida e reforçou que a exigência de RGP para a aquicultura foi retirada do Manual de Crédito Rural em 2019.
“Essa exigência também não constava na cartilha elaborada pela própria Caixa, assim, era importante reforçar nas agências que existem diferenças de documentação para aquicultura e pesca, uma vez que nem todos os funcionários tem conhecimento aprofundado do setor agropecuário”, ressaltou Elena.
Em resposta, a Caixa aceitou as reinvindicações da CNA e reforçou o compromisso da instituição financeira em fomentar as cadeias produtivas da aquicultura e a parceria com a CNA.
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AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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