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Biodiversidade passa de tema ambiental a risco e oportunidade para o agro

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A biodiversidade começa a sair das páginas dos acordos internacionais para entrar, de forma concreta, na rotina e na planilha de custos do produtor rural. Cada vez mais, o futuro da agricultura passa pela capacidade de conservar e manejar melhor os recursos naturais dos quais depende: solos vivos, água disponível, polinizadores, inimigos naturais de pragas e áreas de vegetação que ajudam a regular o clima local.​

Nos últimos anos, estudos da Food and Agriculture Organization (FAO) – em português Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – e da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade (IPBES) reforçaram um diagnóstico incômodo para o campo: a agricultura e a pecuária estão entre os principais vetores de perda de biodiversidade no planeta, por causa da expansão de lavouras e pastagens sobre áreas naturais, do uso intensivo de água e da poluição associada a fertilizantes e pesticidas.

Essa pressão permitiu grandes ganhos de produção, mas também começou a comprometer serviços ecossistêmicos fundamentais, elevando o risco de quebra de safra, aumento de custos com insumos e instabilidade produtiva.​

O Marco Global da Biodiversidade de Kunming‑Montreal, aprovado em 2022, consolidou essa discussão ao estabelecer 23 metas até 2030, entre elas conservar 30% das áreas terrestres e marinhas, recuperar parte dos ecossistemas degradados e reduzir subsídios considerados prejudiciais à natureza.

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Várias dessas metas miram diretamente a atividade agropecuária, ao exigir que áreas de produção sejam manejadas de forma sustentável, com menor impacto sobre solos, água e fauna. A tendência é que políticas públicas, financiadores e grandes compradores incorporem essas referências em critérios de crédito, seguro e compra de produtos agrícolas.​

Esse movimento cria um quadro de risco e oportunidade para o agronegócio. De um lado, a perda de biodiversidade reduz a resiliência das lavouras — menos polinizadores, mais pragas, solos empobrecidos — e aumenta a vulnerabilidade em um cenário de mudanças climáticas.

De outro, produtores e empresas que consigam comprovar boas práticas ambientais tendem a ganhar acesso facilitado a mercados, prêmios em contratos, linhas de financiamento verde e programas de pagamento por serviços ambientais.​

É nesse contexto que começam a surgir instrumentos como os créditos de biodiversidade e esquemas mais robustos de pagamentos por serviços ecossistêmicos. A lógica é remunerar quem mantém ou recupera áreas com relevância ecológica, gerando ganhos comprovados para a natureza: aumento de cobertura nativa, proteção de nascentes, corredores de fauna, maior diversidade de espécies. Empresas interessadas em reduzir sua exposição a riscos ambientais ou fortalecer sua imagem perante investidores e consumidores passam a olhar esses ativos como forma de compensar impactos ou de ir além da neutralização de carbono.​

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Para o produtor, a mensagem é clara: biodiversidade deixou de ser um tema restrito à agenda ambientalista e passou a fazer parte da equação de negócios. Lavouras e rebanhos mais adaptados ao clima, com menor dependência de insumos e maior estabilidade, tendem a estar em áreas onde solos, água e paisagens são manejados com mais cuidado. Ao mesmo tempo, quem se organiza para medir e comprovar esses resultados abre espaço para, no médio prazo, ser remunerado também pela conservação, e não apenas pela produção física de grãos, fibras e proteínas.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fertilizantes estão entre prioridades de R$ 18,3 bilhões em incentivos

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A produção de fertilizantes está entre as atividades que terão prioridade na disputa por R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais destinados ao desenvolvimento do hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil. A medida pode estimular investimentos na fabricação nacional de amônia e nitrogenados, mas os primeiros incentivos do programa estão previstos apenas para 2030.

As regras constam do Decreto nº 13.096/2026, que regulamentou a Política Nacional do Hidrogênio, o sistema de certificação da produção, o Regime Especial de Incentivos para a Produção de Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Rehidro) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC).

Para o agronegócio, o principal efeito esperado está na cadeia de fertilizantes nitrogenados. O hidrogênio é matéria-prima para a produção de amônia, utilizada na fabricação de ureia e de outros insumos agrícolas. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome e, no caso dos nitrogenados, a dependência externa está próxima de 93%.

Ao colocar os fertilizantes entre os setores prioritários, o governo pretende atrair projetos capazes de substituir parte dessas importações e reduzir a exposição do produtor rural às oscilações do mercado internacional, aos custos logísticos e às crises geopolíticas. O resultado, porém, dependerá da competitividade das novas fábricas e da capacidade de transformar os incentivos em produção em escala comercial.

Os créditos do PHBC serão distribuídos entre 2030 e 2034. O limite previsto é de R$ 1,7 bilhão no primeiro ano, R$ 2,9 bilhões em 2031, R$ 4,2 bilhões em 2032, R$ 4,5 bilhões em 2033 e R$ 5 bilhões em 2034.

A seleção será feita por procedimento concorrencial conduzido direta ou indiretamente pelo Ministério da Fazenda. O critério mínimo será o menor valor de crédito fiscal solicitado por unidade de produto. Isso significa que os projetos terão de competir pelo incentivo e demonstrar quanto apoio público será necessário para tornar o hidrogênio produzido ou consumido economicamente viável.

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Além dos fertilizantes, terão prioridade empreendimentos ligados à siderurgia, ao cimento, às indústrias química e petroquímica e ao transporte pesado. A preferência será dada aos projetos que utilizarem o hidrogênio no próprio processo industrial, uma tentativa de garantir que o benefício resulte em consumo efetivo e não apenas na instalação de capacidade produtiva.

O crédito só será reconhecido sobre o hidrogênio efetivamente produzido ou consumido no Brasil e devidamente certificado. Os vencedores também terão de apresentar garantias equivalentes a até 10% do incentivo concedido. Projetos que não entrarem em operação no prazo ou descumprirem as regras poderão receber multa de até 20% do crédito previsto.

Pelo marco legal, será considerado de baixa emissão o hidrogênio com intensidade de até sete quilos de dióxido de carbono equivalente para cada quilo produzido. O cálculo será feito por análise do ciclo de vida, incluindo as emissões desde a obtenção das matérias-primas até a entrega do produto.

A certificação ficará dentro do Sistema Brasileiro de Certificação do Hidrogênio. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) será a autoridade reguladora, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) credenciará as certificadoras e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) administrará o registro dos certificados.

Para ingressar no Rehidro, os projetos terão de cumprir índices mínimos de conteúdo nacional. O percentual será de 15% para sistemas de produção por eletrólise e seus eletrolisadores, de 40% para outras rotas de produção e de 60% para materiais, equipamentos de distribuição e transporte e determinados serviços.

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As empresas também deverão aplicar pelo menos 1% do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação e mais 1% em projetos de desenvolvimento sustentável relacionados à transição energética. Entre as iniciativas admitidas estão recuperação de áreas degradadas, segurança hídrica, acesso à energia e descarbonização industrial.

O Rehidro suspende a cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre máquinas, materiais, locações e serviços destinados aos empreendimentos habilitados. A suspensão, entretanto, só se transforma em alíquota zero depois que a empresa comprovar o uso dos bens no projeto, o cumprimento das contrapartidas e a certificação do hidrogênio produzido.

Há ainda uma limitação importante: pela regra atual, a suspensão tributária alcança contratos firmados somente até 31 de dezembro de 2026. O Ministério da Fazenda sustenta que o prazo acompanha a transição da reforma tributária e que a continuidade do regime será adaptada aos novos tributos. Para o setor, porém, a curta janela e a necessidade de normas complementares ainda deixam incertezas para empreendimentos de longa maturação.

A regulamentação representa um passo para criar uma indústria nacional de hidrogênio de baixa emissão, mas não garante redução imediata no preço dos fertilizantes. Antes que os efeitos cheguem ao produtor rural, será necessário concluir as normas da ANP, do Ministério de Minas e Energia e da Receita Federal, realizar a disputa pelos créditos, construir as unidades industriais e colocar os projetos em operação.

Fonte: Pensar Agro

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