AGRONEGÓCIO
Agronegócio cresce 12,2% no primeiro trimestre e lidera alta do PIB em 2025
O agronegócio brasileiro registrou forte crescimento no primeiro trimestre de 2025 e foi o principal motor da economia do país no período. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (30.05) o setor teve alta de 12,2% em comparação com o quarto trimestre de 2024. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 10,2%.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pela produção agrícola, com destaque para a colheita de soja, que cresceu 13,3% em relação a 2024. A produção de milho subiu 11,8%, arroz teve aumento de 12,2% e o fumo registrou alta de 25,2%, conforme os números do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), também do IBGE.
Segundo o IBGE, aproximadamente 25% do crescimento da economia brasileira no trimestre teve origem na agropecuária. A participação do setor, que representa cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), foi considerada determinante para o resultado geral do país nos três primeiros meses do ano.
O avanço de 12,2% foi o melhor resultado da agropecuária desde o crescimento de 13,8% registrado no primeiro trimestre de 2023. As condições climáticas favoráveis e a expectativa de safra recorde, especialmente da soja, contribuíram para o bom desempenho do setor no início de 2025.
O PIB totalizou R$ 3,0 trilhões no primeiro trimestre de 2025, sendo R$ 2,6 trilhões de Valor Adicionado a preços básicos e R$ 431,1 bilhões em Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. A taxa de investimento subiu para 17,8% do PIB, acima dos 16,7% registrados no mesmo período do ano anterior. Já a taxa de poupança ficou em 16,3%, também superior aos 15,5% de 2024.
No acumulado dos quatro trimestres encerrados em março, o PIB cresceu 3,5%, puxado por avanços de 3,2% no Valor Adicionado e de 5,2% nos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. Por setores, a agropecuária subiu 1,8%, a indústria 3,1% e os serviços 3,3%.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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