AGRONEGÓCIO

Fila de 57 navios sustenta embarques, mas preços recuam 8,3%

Publicados

em

O Brasil tinha 2,22 milhões de toneladas de açúcar programadas para embarque na semana encerrada em 9 de setembro. O volume mantém os portos movimentados, mas ficou 10,3% abaixo das 2,48 milhões de toneladas previstas na semana anterior e ocorre em um cenário de queda dos preços recebidos no mercado externo.

A programação, conhecida como line-up, reunia 57 navios entre embarcações atracadas, fundeadas ou com chegada prevista aos terminais brasileiros até 25 de outubro. O levantamento indica a demanda pelos serviços portuários e ajuda a antecipar o fluxo das exportações, embora os volumes possam sofrer alterações de datas e destinos.

O Porto de Santos, em São Paulo, concentrava 1,66 milhão de toneladas, o equivalente a 75% de todo o açúcar programado. O Porto de Paranaguá, no Paraná, aparecia em seguida, com 560,8 mil toneladas. Juntos, os dois terminais respondiam por praticamente toda a carga prevista.

A maior parte dos embarques, 1,92 milhão de toneladas, era de açúcar VHP. Esse produto, de coloração mais escura e menor nível de processamento, é enviado principalmente a refinarias estrangeiras, que concluem a produção do açúcar destinado ao consumidor.

Também estavam programadas 212,1 mil toneladas de açúcar cristal B-150, 78 mil toneladas de VHP acondicionado em sacas e 11 mil toneladas de açúcar refinado A45. A composição confirma o peso do açúcar bruto nas vendas brasileiras ao exterior.

Leia Também:  Ferrogrão deverá baratear custo do frete e agilizar transporte, avalia presidente da Feagro

Apesar do volume programado, os primeiros números de setembro mostram que o setor recebe menos por tonelada embarcada. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, o país exportou 564 mil toneladas de açúcares e melaços, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A média diária chegou a 141 mil toneladas, redução de 4,4% em relação ao mesmo período de setembro de 2025. A receita acumulada foi de aproximadamente R$ 1,06 bilhão, considerada a cotação de R$ 5,13. Na média, as vendas externas renderam cerca de R$ 264 milhões por dia, queda de 12,3% na comparação anual.

O recuo mais acentuado do faturamento foi provocado principalmente pela desvalorização do produto. O preço médio recebido pelo açúcar brasileiro caiu de cerca de R$ 2.042 para R$ 1.873 por tonelada, retração de 8,3% em um ano.

Para as usinas, o cenário combina movimentação elevada com margens mais pressionadas. O grande volume de açúcar previsto nos portos ajuda a manter o fluxo de vendas e a geração de caixa, mas a queda das cotações reduz a receita obtida com a mesma quantidade de produto.

Esse comportamento também interessa ao fornecedor de cana-de-açúcar. Em regiões nas quais a remuneração considera os preços dos produtos fabricados pelas usinas, a desvalorização do açúcar pode limitar o valor pago pela matéria-prima. O efeito dependerá dos contratos, da qualidade da cana e da participação do açúcar e do etanol no resultado de cada unidade industrial.

Leia Também:  Colheita da safrinha avança no Brasil com expectativa de recorde

A redução dos preços internacionais ainda pode influenciar a decisão das usinas sobre o destino da cana. Quando o açúcar perde atratividade em relação ao etanol, as empresas têm espaço para direcionar uma parcela maior da matéria-prima à fabricação do biocombustível. Essa mudança, porém, depende das cotações do etanol, do consumo interno, dos estoques e dos compromissos de exportação já assumidos.

O Porto de Santos continuará sendo o principal ponto de atenção nas próximas semanas. A concentração de três quartos das cargas em um único corredor aumenta a importância das condições operacionais, da disponibilidade de berços e do cumprimento das escalas.

O volume de 2,22 milhões de toneladas programado mostra que o Brasil permanece com presença expressiva no comércio mundial. Para o setor sucroenergético, entretanto, o resultado financeiro dependerá menos da quantidade colocada nos navios e mais da reação dos preços internacionais. Com a tonelada valendo menos, exportar muito já não significa necessariamente faturar mais.

Fonte: Pensar Agro

Propaganda

AGRONEGÓCIO

Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

Publicados

em

Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

Leia Também:  Safra 2022/2023: Rentabilidade da soja, milho e algodão deve recuar em Mato Grosso

A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

Leia Também:  Colheita da safrinha avança no Brasil com expectativa de recorde

Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA