AGRONEGÓCIO

Safra 2022/2023: Rentabilidade da soja, milho e algodão deve recuar em Mato Grosso

Segundo a análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a rentabilidade da soja, do milho e do algodão para a temporada 2022/2023 em Mato Grosso deve cair. Apesar dos preços elevados , a expectativa é de que os custos de produção sejam os maiores já estimados pelo Imea. 

Para a soja, segundo o instituto, para a safra 2022/2023, enquanto as vendas de sementes e defensivos estão adiantadas, o total de adubo adquirido para a oleaginosa é de 92% ante 97% no ano passado. Com alta de 51% nos custos de produção, na estimativa para safra 2022/2023, o produtor precisa vender a soja a R$ 111 por saca para cobrir o Custo Operacional Total (COT). Na safra 2021/22, o produtor precisava vender soja a R$ 73 por saca. A lajida da cultura deve recuar em 39%.

Semelhante a soja, para o milho a compra de sementes e de defensivos também se encontram adiantadas, enquanto apenas 61% dos adubos necessários para o plantio foram adquiridos frente aos 70% no mesmo período do ano passado. Para a relação de troca, se na safra passada o produtor precisava pagar R$ 35 por saca para pagar COT, atualmente, ele precisa vender a R$ 46 por saca.

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Além disso, com o aumento do custo de produção de 31%, o Lajida do milho deve recuar em 17% em 2022/2023. 

Quanto ao algodão, assim como nas outras culturas, houve piora na relação de troca para o produtor. Se na safra 2021/2022, para cobrir o COT, o produtor precisava  vender pluma a R$ 133 na safra 2022/23 precisa vender a R$ 160. Por causa do custo de produção estando 27% mais elevado, a estimativa de queda no Lajida para o algodão é de 31%. 

Fonte: AgroPlus

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AGRONEGÓCIO

Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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