'DECLARAÇÃO INFELIZ'

Viúvo de Amália Barros considera ‘infeliz’ fala de dirigente do PL e defende retratação pública

A repercussão da declaração do presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, durante a convenção estadual do partido, continua produzindo desdobramentos. Em entrevista ao portal O Bom da Notícia, o empresário Thiago Boava, viúvo da ex-deputada federal Amália Barros e pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal, classificou como “infeliz” a fala do dirigente ao associar a morte da parlamentar à disputa eleitoral e afirmou que uma retratação pública seria o gesto mais adequado diante do episódio.

Na quarta-feira, durante entrevista coletiva concedida após a convenção da legenda, Ananias declarou que “Deus deu uma mão e levou uns lá para cima” ao comentar o espaço político aberto após a morte de Amália Barros, falecida em maio de 2024, aos 39 anos. A vaga na Câmara Federal passou a ser ocupada pelo primeiro suplente da legenda, Nelson Barbudo.

Embora procure interpretar a declaração como fruto de uma escolha inadequada de palavras, Boava admite que o resultado foi profundamente negativo. “Prefiro acreditar que faltou domínio das palavras, e não sensibilidade. Mas a repercussão mostra que a frase foi muito infeliz”.

O empresário afirmou ainda concordar com a reflexão apresentada no artigo “Quando uma palavra pública fere muito além da política”, publicado pela jornalista Marisa Batalha, segundo o qual determinadas declarações extrapolam a disputa eleitoral porque atingem valores humanos e simbólicos muito mais amplos.

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Boava entende que as desculpas não precisam ser feitas à ele, ainda que admita seu desconforto. Porém, em uma eventual retratação deveria reconhecer o significado da trajetória construída por Amália e o esforço de tantas mulheres que enfrentam barreiras históricas para ocupar espaços de representação política.

“Não sinto necessidade de um pedido de desculpas para mim, nem acredito que seja isso que minha sogra espere. Mas penso que uma retratação seria importante pela memória da Amália e por todas as mulheres que travam diariamente essa batalha”.

Ele acrescentou que a rápida ascensão política da ex-deputada simbolizou uma conquista rara dentro de um ambiente ainda marcado por desigualdades. “A trajetória da Amália foi belíssima. Em tão pouco tempo ela conquistou um espaço que poucas lideranças conseguem construir ao longo de uma vida pública”.

Ao comentar os efeitos políticos da declaração, Boava também observou que um gesto de reconhecimento do erro contribuiria para a própria imagem do dirigente partidário. “Seria importante para ele também. As pessoas estão formando uma impressão sobre esse episódio, e reconhecer um equívoco demonstra grandeza.”

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A declaração de Ananias repercutiu entre lideranças políticas, jornalistas e movimentos ligados à participação feminina na política. Alguns veículos de comunicação noticiaram o constrangimento provocado pela fala e destacaram o entendimento de Boava de que uma retratação pública seria o caminho mais adequado para encerrar o episódio.

Ao associar uma morte precoce à dinâmica eleitoral e à vontade divina, a declaração abriu um debate que ultrapassou os limites partidários e reacendeu discussões sobre responsabilidade institucional, cuidado com a linguagem e respeito à memória de mulheres que conseguiram romper barreiras históricas na política brasileira.

Amália Barros morreu em maio de 2024, aos 39 anos, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde permaneceu internada em estado grave após complicações decorrentes de uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pâncreas.

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POLÍTICA MT

Perfil resgata imagem histórica de Dante de Oliveira ao lado de Carlos Avalone um ano antes da morte do ex-governador

Registro feito durante a 11ª Feijoada de Inverno, em 2005, volta a circular nas redes sociais e relembra um dos principais líderes políticos da história de Mato Grosso.

Uma publicação do perfil Noite Cuiabana, conhecido por preservar registros da vida social e política de Cuiabá nos anos 2000, voltou a despertar a nostalgia dos mato-grossenses nas redes sociais. Desta vez, o destaque foi para uma fotografia registrada durante a 11ª Feijoada de Inverno, realizada em julho de 2005, que mostra o então governador Dante de Oliveira ao lado de Carlos Avalone, atual deputado estadual pelo PSDB.

A imagem ganhou repercussão por ter sido feita exatamente um ano antes da morte de Dante de Oliveira, ocorrida em julho de 2006. O ex-governador faleceu em decorrência de complicações causadas por sepse, associada à pneumonia e diabetes mellitus, encerrando a trajetória de um dos principais nomes da política de Mato Grosso e protagonista da campanha nacional pelas Diretas Já.

Na época do registro, Carlos Avalone integrava o grupo político de confiança de Dante. Antes de chegar ao Palácio Paiaguás, Avalone havia comandado a Secretaria Municipal de Turismo de Cuiabá durante a gestão de Dante na Prefeitura da Capital. Posteriormente, assumiu a Secretaria de Estado de Indústria e Comércio quando o líder tucano foi eleito governador.

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Mais do que um simples resgate fotográfico, a publicação reforça a importância da preservação da memória política e social de Mato Grosso. Ao revisitar imagens de eventos que marcaram uma época, o perfil Noite Cuiabana contribui para manter viva a história de personagens que tiveram papel relevante na construção do Estado.

O registro também evidencia a proximidade entre Dante de Oliveira e Carlos Avalone naquele período, lembrando uma fase marcante da política mato-grossense e permitindo que novas gerações conheçam momentos que ajudaram a moldar a história recente de Mato Grosso.

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