MATO GROSSO

“Investir em infraestrutura de escolas é o básico e o dever da educação pública”, afirma secretária

A educação pública envolve mais do que apresentar números. É preciso acompanhar de perto temas como alfabetização, recuperação da aprendizagem, expansão da Educação Profissional e Tecnológica, infraestrutura, permanência dos alunos, gestão, segurança nas escolas e equidade para diferentes realidades.

Nesta entrevista, a secretária de Estado de Educação, Flávia Soares, fala sobre os principais desafios da educação pública em Mato Grosso. Ela defende que os resultados devem aparecer no dia a dia das escolas e lembra que nenhuma política educacional se mantém apenas com dinheiro, sem gestão, acompanhamento e participação da comunidade.

Como a Seduc define as prioridades para a construção, reforma ou ampliação de escolas na rede estadual?

A infraestrutura escolar não é decidida sob pressão nem por motivos políticos. Ela atende a uma necessidade real da rede. Ao decidir construir, reformar ou ampliar, avaliamos a demanda por vagas, as condições do prédio, o crescimento da população, a localização, o transporte escolar, a oferta de vagas em tempo integral e a capacidade de atendimento da escola. Mas o prédio, por si só, não resolve a questão da educação. No caso da nossa rede, ele vem acompanhado de gestão, professores capacitados, equipe técnica treinada, alimentação de qualidade, tecnologia, mobiliário adequado e de uma rotina pedagógica. Nosso objetivo é continuar investindo em um ambiente seguro, limpo, organizado e propício ao aprendizado. Isso não é luxo, é o básico e o dever da educação pública.

Mato Grosso avançou na alfabetização e tem reforçado a recomposição da aprendizagem. Qual foi o principal desafio para reduzir as defasagens, especialmente nos anos finais?

Avançamos na alfabetização, mas isso não significa que o trabalho acabou. Pelo contrário, aumentou a nossa responsabilidade. Quando uma criança aprende a ler e escrever na idade certa, abrimos uma porta. O principal desafio foi manter essa porta aberta nos anos seguintes, com muita leitura, escrita e reforço em matemática.

O desafio atual é evitar que as defasagens se acumulem sem serem percebidas. Nossas escolas estão preparadas para perceber quem está aprendendo, quem está ficando para trás e onde cada estudante precisa de apoio. Em Mato Grosso, a recuperação da aprendizagem deixou de ser uma ação isolada. Ela faz parte da rotina pedagógica e é um dos focos do Regime de Colaboração.

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O Acompanhamento Personalizado da Aprendizagem, que a Seduc implantou tanto na rede estadual quanto nas redes municipais, serve justamente para olhar cada estudante com mais atenção. O indicador passou a ser uma ferramenta de gestão, não um troféu. Ele mostra onde avançamos e, principalmente, onde ainda precisamos melhorar.

Com a ampliação da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), como garantir a qualidade da oferta e a conexão com o futuro dos estudantes?

A educação profissional faz sentido porque, na nossa rede, ela está ligada à vida real. A oferta de mais de 40 cursos considera o projeto de vida do estudante, as vocações econômicas das regiões e as oportunidades já existentes ou a serem criadas.

Mato Grosso é um estado diverso. As necessidades de um município com agronegócio forte diferem das de regiões voltadas para serviços, indústria, tecnologia, turismo ou meio ambiente. A Seduc entendeu essas diferenças para que a formação técnica se tornasse uma ponte para o futuro, e não apenas mais uma disciplina. Muitas vezes, a EPT é o primeiro passo para o jovem conquistar autonomia, renda e participar do desenvolvimento do município onde vive.

De que forma a alimentação escolar, os uniformes, os materiais e os repasses às escolas contribuem para a aprendizagem?

Um estudante com fome, sem material, sem transporte ou sem acolhimento tem mais dificuldade para aprender. Nossa política pedagógica considera as condições reais em que vivem nossos 323 mil alunos. Os kits de materiais, uniformes, Chromebooks e recursos enviados às escolas têm um papel direto na redução das desigualdades. Criam condições para que o trabalho pedagógico ocorra com maior regularidade.

Também cuidamos do bem-estar. Temos 631 escolas estaduais que recebem estudantes com histórias muito diferentes. Alguns enfrentam vulnerabilidade social, conflitos familiares, ansiedade, violência no bairro ou precisam trabalhar cedo. O papel da escola é perceber esses sinais e agir antes que o estudante abandone a sala de aula. Nesse ponto, a equipe psicossocial tem sido fundamental. Manter o aluno na escola, aprendendo e convivendo em um ambiente organizado não é assistência separada da educação. É educação completa.

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Como a Seduc concilia segurança, disciplina, convivência, acolhimento e o modelo cívico-militar nas escolas?

Segurança escolar não se resume ao controle de entrada e saída, embora isso também seja importante. Segurança envolve rotina, convivência, prevenção à violência, escuta, mediação de conflitos e presença da família. Uma escola segura é aquela em que o estudante conhece as regras e sabe a quem pedir ajuda quando precisa.

Temos 263 escolas cívico-militares que fazem parte de uma política que organiza a rotina escolar em unidades nas quais a comunidade aprova esse modelo. Mas é importante lembrar que o trabalho pedagógico é dos professores e da equipe educacional. O objetivo é criar um ambiente mais organizado para que o ensino ocorra.

Ao mesmo tempo, a Seduc mantém ações de mediação escolar e promove a cultura de paz. Isso é essencial. Existem conflitos que não se resolvem só com regras. Por exemplo, bullying, violência de qualquer natureza, trabalho infantil, evasão escolar e vulnerabilidades exigem diálogo, acompanhamento e articulação com outras políticas públicas.

Como garantir equidade entre escolas urbanas, rurais, indígenas e quilombolas e entre unidades que atendem estudantes da Educação Especial?

Equidade não é tratar todos do mesmo jeito. É reconhecer que os estudantes vivem realidades distintas e que a política pública precisa responder a essas diferenças com responsabilidade. A escola do campo não pode ser igual à urbana. A educação quilombola precisa dialogar com a memória, o território, a identidade e os saberes da comunidade. A Educação Especial exige acessibilidade, atendimento adequado, formação e acompanhamento. Projetos em escolas do campo e em unidades quilombolas não se tratam apenas de financiar atividades pontuais. O que a Seduc faz é fortalecer currículos, recompor aprendizagens e valorizar conhecimentos que fazem parte da vida desses estudantes. Isso também é aprendizagem. Aqui na Seduc, inclusão deixou de ser só discurso. Ela está presente no orçamento, na formação, na infraestrutura e na gestão. Se um estudante precisa de apoio específico para aprender, esse apoio não é um favor, é um direito. E o Estado tem a obrigação de garantir que esse direito chegue à escola.

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Tempo de espera por cirurgias cai 41% com o programa Fila Zero

O programa Fila Zero na Cirurgia, do Governo de Mato Grosso, reduziu em 41% o tempo de espera por cirurgias eletivas no Estado desde sua implantação, em abril de 2023. A média, que era de 77 dias antes da iniciativa, caiu para 45 dias em 15 de junho, conforme levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), reflexo da ampliação da oferta de procedimentos e da reorganização dos fluxos assistenciais na rede pública.

A segunda etapa do programa do Governo de MT prevê investimento de R$ 400 milhões para a realização de 588 mil procedimentos eletivos em 2026.

“Já ampliamos a estrutura da saúde em Mato Grosso, com hospitais regionais e unidades de alta complexidade. Agora é hora de dar resposta para as pessoas. O Fila Zero na Cirurgia 3.0 está dando mais celeridade aos procedimentos e reduzindo o tempo de espera, porque as pessoas não podem sofrer esperando atendimento”, destacou o governador Otaviano Pivetta.

Para o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo, o compromisso da gestão é em dar cada vez mais celeridade às cirurgias eletivas.

“O programa Fila Zero na Cirurgia vai ganhar ainda mais força nesta etapa, com a criação da nova Tabela SUS Mato Grosso, que entrou em vigência em maio e é muito mais atrativa do que a nacional”, explicou.

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Segundo o superintendente de Programação Controle e Avaliação, Jessé Mamede Untar, programa já promoveu 718.025 procedimentos, sendo 661.331 ambulatoriais e 56.694 hospitalares. Foram feitos, ao todo, 383.324 exames, 225.881 consultas e 105.923 cirurgias no período.

“A redução no tempo de espera para a realização de procedimentos eletivos reflete maior eficiência e resolutividade no atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde em Mato Grosso”, avaliou o superintendente.

Com a nova Tabela SUS, o Fila Zero já recebeu 25 novas propostas municipais e seis de consórcios intermunicipais de saúde, além de ter chegado a 90 prestadores hospitalares. O total de procedimentos contemplados aumentou de 466 para 556.

Cuiabá passa a ofertar cirurgia bariátrica por meio do Fila Zero

A Prefeitura de Cuiabá realizou, em em junho, no dia 19, as duas primeiras cirurgias bariátricas reguladas pela Central de Regulação Municipal de Cuiabá, por meio do programa Fila Zero. Os procedimentos foram feitos no Hospital e Maternidade Santa Helena pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Moradora do bairro Altos da Serra I, a auxiliar de serviços gerais em Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Norma Sueli Rodrigues Viana, 49 anos, passou pelo procedimento por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva feita por meio de pequenas incisões e com uso de câmera de alta definição, já teve alta e se recupera em casa.

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Ela pesava 116 quilos antes da cirurgia e espera ficar com 65 quilos, o que vai melhorar a sua saúde e trazer muitos benefícios e qualidade de vida.

“Quando fui no Santa Helena já levei todos os exames prontos. Faltou só o venoso. Fiz quarta-feira e operei na sexta-feira. Foi muito bem graças a Deus. Está indo tudo tranquilo. O peso vai debilitando a gente aos poucos. Estou com esperança de ter uma saúde melhor, com menos dores”, afirmou.


Crédito: Arquivo pessoal

Saiba mais sobre o programa

O Fila Zero na Cirurgia busca reduzir a espera por procedimentos eletivos em Mato Grosso por meio de parcerias com municípios, consórcios intermunicipais de saúde e instituições.

O Estado repassa os recursos previstos para os procedimentos contemplados pelo programa e, desta forma, os entes parceiros se beneficiam do incentivo para aprimorar outros serviços prestados à população.

Ao todo, 88 municípios já aderiram ao programa, que inclui unidades públicas de saúde, unidades privadas e filantrópicas e associações que participam através de consórcios.

O programa Fila Zero na Cirurgia contempla 556 procedimentos, considerando a média e alta complexidade eletiva. Até o momento, mais de R$ 343 milhões já foram repassados aos parceiros.

Fonte: Governo MT – MT

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