ESPELHO
CPI da saúde aponta pagamento de R$ 1,1 bilhão sem contrato na Saúde de MT
Comissão investiga uso recorrente de pagamentos indenizatórios pela SES entre 2020 e 2026; prática já havia sido alvo de TAC com o Ministério Público
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso investiga supostas irregularidades envolvendo pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) sem contrato formal ou processo licitatório. Conforme dados apresentados pela comissão, cerca de R$ 1,1 bilhão teriam sido quitados por meio de indenizações entre os anos de 2020 e maio de 2026.
Segundo a investigação, o mecanismo conhecido como “pagamento indenizatório”, que deveria ser utilizado apenas em situações excepcionais, teria se tornado prática recorrente dentro da pasta. A denúncia foi destacada pelo presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSD), que afirmou que a situação representa descumprimento reiterado das obrigações assumidas pela Secretaria.
De acordo com o parlamentar, a prática já havia sido alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ainda em 2019. O acordo previa justamente a regularização administrativa e o fim dos pagamentos por indenização.
“Há recomendações expressas do Tribunal de Contas do Estado e órgãos de controle proibindo esse tipo de procedimento. Mesmo assim, os pagamentos continuaram sendo realizados e ampliados”, afirmou Wilson Santos durante os trabalhos da comissão.
A CPI busca agora identificar responsabilidades administrativas e possíveis irregularidades na execução das despesas da Saúde estadual, além de avaliar se houve violação da legislação de licitações e contratos públicos.
Os parlamentares também devem convocar gestores e ex-integrantes da Secretaria de Estado de Saúde para prestar esclarecimentos sobre os pagamentos investigados.
POLÍTICA MT
TJMT concede mais 60 dias para Emanuel Pinheiro negociar acordo em ação da Operação Déjà Vu
Desembargador Rui Ramos Ribeiro autorizou prorrogação do prazo para conclusão de Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público Estadual
O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), autorizou a prorrogação por mais 60 dias do prazo para que o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), e outros investigados concluam as negociações de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) no âmbito da Operação Déjà Vu.
O pedido foi apresentado pelo Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), sob a justificativa de que as tratativas para o encerramento da ação penal ainda seguem em andamento.
A investigação é resultado da Operação Déjà Vu, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em 2018. O inquérito apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) entre os anos de 2012 e 2015.
Segundo as investigações do Ministério Público, parlamentares utilizavam notas fiscais consideradas “frias”, emitidas por empresas de fachada, para justificar o recebimento irregular de verbas indenizatórias.
No caso de Emanuel Pinheiro, o MPE aponta a existência de 13 notas fiscais que somariam aproximadamente R$ 91,7 mil em despesas supostamente fictícias.
As investigações também envolveram outros nomes conhecidos da política mato-grossense, como os ex-deputados estaduais José Riva e Zeca Viana, além de empresários e servidores suspeitos de participação no esquema.
Ao aceitar a dilação do prazo, o magistrado considerou existir possibilidade concreta de formalização do acordo com os investigados remanescentes. O entendimento pode evitar o prosseguimento da ação penal, desde que sejam cumpridas condições estabelecidas pelo Ministério Público, como eventual ressarcimento de danos e confissão dos fatos investigados.
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