TECNOLOGIA
MCTI fortalece governança de dados e retoma indicadores estratégicos de ciência e tecnologia
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem avançado na reestruturação de sua política de dados e indicadores, com foco em fortalecer a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e ampliar a capacidade de análise do ecossistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. À frente da Diretoria de Governança e Indicadores, Verena Hitner destaca que uma das prioridades da atual gestão foi recuperar a produção de dados estratégicos, interrompida em governos anteriores.
Entre as principais entregas está a reconstrução da série histórica de investimentos públicos em ciência e tecnologia, que não era atualizada desde 2018. Outro marco importante é a retomada da Pesquisa de Inovação (Pintec), fundamental para compreender a dinâmica da inovação no País. O levantamento passa por um processo de reformulação metodológica e ampliará seu escopo, incluindo não apenas a inovação de produtos, mas também de processos. Além de ampliar o escopo da pesquisa, a retomada da Pintec reforça o papel estratégico dos dados na formulação, no monitoramento e na avaliação de políticas públicas.
Ao produzir informações qualificadas sobre o comportamento inovador das empresas, o levantamento permite identificar padrões, lacunas e oportunidades em diferentes setores da economia, oferecendo subsídios concretos para a definição de prioridades e para o direcionamento de investimentos.
A agenda de indicadores também foi fortalecida com a recriação do Comitê Permanente de Indicadores, que reúne representantes da academia, do governo e de diferentes setores para qualificar as decisões metodológicas. A secretária explica que, como parte de um conceito estruturante, o MCTI também iniciou a implementação de um programa para alocar cientistas de dados em todos os estados brasileiros. “A iniciativa tem como objetivo aprimorar a produção, o tratamento e o uso de dados, promovendo uma transição para um modelo de ciência orientada por dados”, comentou.
Estruturação interna
No âmbito interno, o ministério avançou na criação de uma nova arquitetura de dados, com a instalação de um escritório responsável pela organização, limpeza e integração das bases de informação. A iniciativa inclui a elaboração de um inventário de dados e a definição de critérios de classificação, diferenciando informações sobre ciência daquelas geradas pela própria atividade científica, como as sobre biodiversidade.
A nova abordagem também incorpora o debate sobre soberania de dados, ampliando o olhar para além da proteção individual e considerando o valor estratégico das informações produzidas no País. Nesse contexto, foram instituídas funções como as de executivo e curador de dados, para aprimorar a governança e garantir maior qualidade e interoperabilidade das informações.
Segundo a diretora, o uso qualificado dos dados já impacta o processo de formulação de políticas públicas, permitindo maior precisão na alocação de recursos e na avaliação de resultados. “A combinação entre dados administrativos e pesquisas de campo, como a Pintec, é considerada essencial para compreender tanto a estrutura quanto os impactos das políticas implementadas”, analisa.
Mesmo de saída do cargo de diretora de Governança e Indicadores, Verena projeta os próximos passos do MCTI. Ela conta que o ministério ainda prepara o lançamento de um novo programa, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), voltado à integração e à interoperabilidade das bases de dados do Governo do Brasil na área de ciência e tecnologia. A iniciativa, de acordo com ela, busca consolidar uma infraestrutura nacional de dados capaz de sustentar políticas públicas mais eficazes e alinhadas às demandas da sociedade brasileira.
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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