TECNOLOGIA
Brasil e África do Sul reforçam cooperação em ciência, tecnologia e inovação
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, recebeu nesta terça-feira (10), em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação da África do Sul, Blade Nzimande, para uma reunião de fortalecimento da cooperação entre os dois países. O encontro ocorreu no contexto da visita do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ao Brasil e reuniu representantes das duas delegações para discutir a ampliação da agenda comum em ciência, tecnologia e inovação.
Na abertura da reunião, Luciana Santos ressaltou a afinidade entre os dois países e o interesse do Brasil em aprofundar a parceria bilateral. “É fácil constatar que nossos países têm grande similaridade e complementaridade nos temas de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou. Segundo a ministra, o MCTI tem “grande interesse em aprofundar ações de cooperação” com o ministério sul-africano.
Os ministros destacaram a convergência e similaridades entre Brasil e África do Sul em temas como bioeconomia, economia circular, oceano, ambientes inovadores e biodiversidade. Além disso, destacaram o interesse comum em aprofundar ações conjuntas nestes temas estratégicos.
A ministra ressaltou ainda a importância da atuação conjunta do Brasil e da África do Sul em iniciativas internacionais de pesquisa e inovação. Ao tratar da agenda de pesquisa no Atlântico Sul, Luciana afirmou que “as ações bilaterais são fundamentais para aumentar o conhecimento no Atlântico Sul, em complementação às pesquisas feitas pelo Norte Global”.
Na área espacial, as autoridades falaram do potencial de cooperação entre instituições dos dois países, incluindo possibilidades de articulação entre a Agência Espacial Brasileira (AEB), a Agência Nacional do Espaço da África do Sul e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI. Entre os temas de interesse estão o monitoramento de biomas por satélites e outras frentes de pesquisa aplicada.
Do lado sul-africano, Blade Nzimande afirmou que a reunião foi uma oportunidade para “discutir formas de expandir e fortalecer a nossa parceria entre ambos os países”. O ministro destacou o caráter histórico da relação bilateral e afirmou que Brasil e África do Sul “continuam a ter e a aproveitar relações fraternais”, além de compartilharem valores ligados à cooperação, à paz e à justiça.
As oportunidades de intercâmbio em empreendedorismo inovador e em políticas públicas voltadas ao fortalecimento de ecossistemas de inovação também fizeram parte da pauta. A aproximação entre Brasil e África do Sul nessa área pode contribuir para ampliar trocas de experiências em incubação, desenvolvimento de ambientes inovadores e apoio a iniciativas de base tecnológica.
Histórico de cooperação
Nzimande resgatou o histórico da cooperação em ciência, tecnologia e inovação entre os dois países e lembrou que essa agenda foi formalizada em 2003. Segundo ele, a parceria já produziu resultados em diferentes frentes ao longo dos últimos anos, incluindo encontros de altos funcionários, seminários sobre inovação, intercâmbio entre startups e iniciativas conjuntas em áreas como espaço e oceanos. “Estamos muito felizes com o progresso e os resultados que nosso acordo de ciência, tecnologia e inovação tem atingido”, afirmou.
A ministra brasileira também ressaltou a convergência entre os dois países em temas ligados à sustentabilidade e à transição energética. “Precisamos unir esforços para aumentar nossas capacidades energéticas sem aumentar a pegada de carbono”, disse. Segundo ela, o Brasil pode compartilhar experiências e desenvolver soluções conjuntas voltadas não apenas aos dois países, mas também a outras nações do Sul Global.
Ao longo da reunião, os dois lados reiteraram a disposição de manter o diálogo entre as equipes técnicas e avançar na construção de novas frentes de cooperação. A expectativa é que os entendimentos entre os ministérios contribuam para consolidar uma agenda bilateral alinhada aos desafios contemporâneos da ciência, da tecnologia e da inovação.
TECNOLOGIA
Cemaden lidera relatório da ONU que mostra América Latina mais quente, com secas, enchentes e perda acelerada de geleiras
A América Latina e o Caribe estão enfrentando um cenário de extremos climáticos cada vez mais intensos, com registros de ondas de calor recordes, enchentes, secas prolongadas e perda acelerada de geleiras andinas. O alerta está no relatório Estado do Clima na América Latina e Caribe 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O documento foi apresentado em Brasília (DF), pelo coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e climatologista, José Marengo.
Pela primeira vez, o lançamento regional do documento ocorreu no Brasil, em evento no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esta é a sexta edição do relatório, coordenada por Marengo em parceria com serviços meteorológicos de países latino-americanos e caribenhos.
Segundo o documento, 2025 ficou entre os anos mais quentes já registrados na região, com temperaturas até 3°C acima da média histórica em diversas áreas da América Latina e do Caribe. O relatório também aponta que o ritmo de aquecimento registrado de 1991 a 2025 é o mais intenso desde o início das medições, em 1900.
“Esses dados não são projeções distantes. Eles mostram uma realidade climática que já afeta diretamente a economia, os ecossistemas e a vida das pessoas”, afirmou Marengo durante a apresentação.
O relatório reúne uma sequência de eventos extremos registrados ao longo do último ano. No México, junho de 2025 foi o mês mais chuvoso da história do país, enquanto a seca chegou a atingir até 85% do território simultaneamente. Enchentes no Peru e no Equador afetaram mais de 110 mil pessoas.
O documento alerta que o derretimento acelerado das geleiras andinas ameaça o abastecimento de água de cerca de 90 milhões de pessoas, além da geração de energia e da agricultura em períodos secos.
O oceano também está mudando rapidamente. Segundo a OMM, o nível do mar sobe mais rápido que a média global em partes do Caribe e da costa norte da América do Sul, aumentando riscos para cidades costeiras, infraestrutura e turismo.
Entre os eventos extremos destacados no relatório está o furacão Melissa, primeiro na Categoria 5 a atingir a Jamaica desde o início dos registros históricos. O fenômeno provocou 45 mortes e prejuízos estimados em US$ 8,8 bilhões — valor equivalente a mais de 40% do PIB jamaicano.
Ciência brasileira no monitoramento climático
O relatório da OMM também destaca o papel do Cemaden como referência regional em monitoramento de desastres e secas. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o centro opera 24 horas por dia e mantém uma rede com mais de 3 mil equipamentos de monitoramento de chuvas, além de acompanhar os impactos das secas nos 5.571 municípios brasileiros.
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, afirmou que os dados produzidos pelo centro ajudam governos locais e federal a antecipar riscos e planejar ações de prevenção. “As informações geradas pelo Cemaden subsidiam ações concretas de preparação e redução de riscos de desastres”, afirmou.
Além das chuvas e secas, o centro monitora incêndios florestais, impactos sobre a agricultura e vulnerabilidades sociais em áreas de risco.
Agricultura e adaptação climática
Durante o evento, o ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, destacou a importância do monitoramento climático para o planejamento agrícola e lembrou que o Brasil mantém políticas voltadas à agricultura de baixa emissão de carbono desde 2010, com o Plano ABC.
“O Cemaden faz monitoramento e emite alertas de forma ininterrupta, mas esse trabalho de produzir conhecimento e dados é também extremamente importante”, disse. Segundo ele, a meta do ciclo 2021–2030 é incorporar mais 50 milhões de hectares em sistemas produtivos sustentáveis e mitigar 1,1 gigatonelada de CO₂ equivalente.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia Sena, reforçou que relatórios científicos são fundamentais para orientar políticas públicas e ampliar a percepção sobre os impactos das mudanças climáticas. “O governo quer que esse documento, feito pelo meio científico, sirva para que cada vez mais pessoas reconheçam e acreditem no alerta de que as mudanças climáticas vão causar muitos desastres”, afirmou.
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