AGRONEGÓCIO
Queijos e ovos de Araçatuba já podem ser vendidos para o Brasil inteiro
Agroindústrias de Araçatuba, no interior de São Paulo, comemoram a possibilidade de expandir mercados após a integração do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A portaria foi publicada na segunda-feira (2).
O superintendente do Mapa em São Paulo, Estanislau Steck, tem estimulado representantes de prefeituras a estruturar seus serviços de inspeção e buscar a integração ao Sisbi-POA, sempre destacando a vantagem de ampliação de mercado, crescimento das agroindústrias com geração de emprego e renda, além do aumento da arrecadação municipal.
A servidora Amélia Cristina Cruz da Silva Teixeira, auditora fiscal do Mapa que acompanha os processos em São Paulo, orientou as equipes envolvidas nesta integração. O SIM de Araçatuba tem hoje 13 empresas registradas, das quais duas conseguiram a autorização para comercializar seus produtos fora de Araçatuba.
Rafael Silva Cipriano, um dos veterinários do SIM da cidade, disse que a mobilização e alterações na legislação municipal começaram em 2016. Pouco antes da pandemia, a prefeitura soube da possibilidade de integração ao Sisbi, mas as restrições daquele período acabaram adiando os planos.
Em 2023, o processo foi retomado e foi publicada a lei de criação do SIM com as exigências do Sisbi. Representantes do Sisbi estiveram em São José do Rio Preto, município já integrado, para conhecer melhor o sistema. Todas as adaptações foram realizadas, de forma simultânea à preparação dos dois estabelecimentos contemplados.
Um deles é um laticínio que produz diversos tipos de queijos. A empresa é familiar, segundo Bruno Gon, um dos proprietários. Ele contou que as instalações passaram por todos os ajustes necessários, incluindo a instalação de mais câmeras frias. O fluxo de produção também foi melhor organizado, seguindo as recomendações.
Hoje o laticínio envolve o trabalho de 13 pessoas, contando os familiares e empregados da produção de leite e de queijo, além da venda e entrega. A intenção é expandir as vendas, no início, para cidades da região. A empresa foi criada há 11 anos.
Aline Carvalho, responsável técnica da granja de ovos contemplada, disse que a intenção também é expandir o mercado, embora no momento haja dificuldade pela falta de matrizes. São cinco funcionários que produzem os ovos hoje vendidos em loja própria na cidade. Os produtos também são entregues em mercados, padarias e restaurantes locais. A granja existe desde a década de 1950 e foi criada por imigrantes japoneses.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes
O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.
O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.
O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.
A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.
O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.
Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.
Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.
A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.
Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.
Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.
Fonte: Pensar Agro
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