SAÚDE

De voltar a enxergar à prevenção contínua contra o câncer: ações do Agora Tem Especialistas aumentam a qualidade de vida para mulheres que usam o SUS

Em toda sua vida, quem procurava Dona Alderina Parente nos momentos de folga a encontrava entre novelos de lã de diversas cores, barbantes, fios de malha, máquina de costura e agulhas de crochê de diversos tamanhos. Dali da sala da paraense de 75 anos saíam diversos itens pessoais com o seu gosto: bolsas, blusas, mantas. Quando se aposentou, Aldenira achou que ia se dedicar mais ao seu amor pela costura, mas teve que se afastar do hobby quando começou a sentir a visão turva, embaçada, e até dificuldade de ver os detalhes das linhas. Os problemas na visão afetaram também os relacionamentos, os momentos de lazer e a sua autonomia.

Depois de um tempo, descobriu que era catarata. O diagnóstico, porém, não garantiu um pronto tratamento: a cirurgia. “Todo esse problema me impedia de fazer o que amo. Eu percebi que o problema era sério quando uma amiga viu uma bolsa de crochê que eu fiz e pediu uma igual. Passou agosto, setembro e só em outubro daquele ano eu terminei a bolsa. Isso porque toda vez que eu fazia um pouquinho de crochê, a cabeça doía, a vista embaçava, eu não conseguia”, lembra a paraense.

Foram dois anos de espera quando tudo mudou em um domingo, 1º de fevereiro. Uma equipe de médicos especialistas em oftalmologia, contratados pelo programa Agora Tem Especialistas, do Governo do Brasil, chegou à cidade de Alderina, Santarém (PA), levando a ela a possibilidade de voltar a enxergar. Os profissionais começaram a atuar no local em um mutirão da iniciativa que utiliza alas de hospitais públicos não utilizadas por falta de equipe médica. “Eu dou graças a Deus por esse trabalho de vocês, do governo federal. Eu esperei dois anos, aí esse mutirão chegou, fiz a triagem no domingo, segunda a cirurgia e terça já estava enxergando, sem nenhuma dor, pronta para voltar a fazer o que mais gosto”, celebra Dona Aldenira, que pode voltar a enxergar o mundo dela do jeito que sempre quis: cheio de cores, linhas e arte.

Dona Aldenira após a cirurgia de catarata feita por meio do Agora Tem Especialistas
Dona Aldenira após a cirurgia de catarata feita por meio do Agora Tem Especialistas se prepara para voltar ao seu hobby. Foto: Laís Azevedo

Além da Dona Alderina, mais 1,5 mil santarenos voltaram a enxergar por meio das cirurgias realizadas no mutirão promovido pelo Governo do Brasil em fevereiro deste ano. Essa é apenas uma das ações do Agora Tem Especialistas, lançado em maio de 2025 e que tem a saúde da mulher como uma das áreas prioritárias.

Consulta, diagnóstico e retorno com especialista no mesmo dia: carretas auxiliam no combate ao câncer e outras doenças

Esperar mais de um ano por uma consulta com especialista era a realidade da comerciante Kássia Lemos da Silva, de 43 anos. Paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), a moradora de Goiânia (GO), que retirou o útero há cinco anos por ter muita hemorragia e fortes cólicas, procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município novamente em 2024 após começar a sentir ondas de calor, sensação de perda de memória eventualmente e desânimo. Ela chegou a fazer exames ginecológicos, mas, até então, não havia sido chamada para uma consulta com um ginecologista, que fecharia o diagnóstico e indicaria um tratamento. “Não tinha a mesma disposição de antes”, desabafa Kássia.

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Pouco mais de um ano depois, a consulta finalmente aconteceu, quando a carreta de saúde da mulher do programa Agora Tem Especialistas chegou a Goiânia, em outubro de 2025. Na unidade móvel, Kássia realizou novos exames de ultrassonografia e mamografia e passou pela consulta com a ginecologista, tudo no mesmo dia.

“Eu achei que iria apenas passar pela consulta e receber encaminhamento para fazer os exames depois. Foi maravilhoso fazer tudo aqui”, conta a comerciante. Depois do atendimento na carreta, ela foi direcionada a uma UBS, para seguir com o acompanhamento de um ginecologista. Atualmente, está sendo avaliada se seguirá com a terapia hormonal ou adotarão outro método alternativo para aliviar os sintomas.

Histórias como a de Kássia têm se repetido em diferentes cidades brasileiras com a chegada das unidades móveis do programa. Das 51 carretas em operação, 34 são de saúde da mulher, ofertando consultas, exames e procedimentos voltados principalmente à prevenção e ao diagnóstico precoce de câncer de mama e de colo do útero.

As outras carretas ofertam exames de imagem, como tomografias, e de oftalmologia, consultas e cirurgias de catarata. Em pouco mais de quatro meses de funcionamento, as carretas do programa Agora Tem Especialistas já levaram atendimento especializado a mais de 100 regiões de saúde de todos os estados do país, ampliando o acesso da população a exames e consultas no SUS.

Também na carreta de Goiânia a dona de casa Almira Silva de Oliveira, de 65 anos, pode respirar aliviada após conseguir fazer a mamografia de rastreio solicitada pela UBS de Trindade (GO), onde ela mora. Ela reconhece a importância do exame, principalmente por ter histórico de câncer de mama na família, a irmã. Após esperar quatro meses, foi direcionada para a carreta para fazer o exame.

Almira conseguiu fazer a mamografia de rastreio, importante para quem, como ela, tem histórico de câncer de mama na família. Foto: Carla Guimarães/MS
Almira conseguiu fazer a mamografia de rastreio, importante para quem, como ela, tem histórico de câncer de mama na família. Foto: Carla Guimarães/MS

“Eu achei que estava demorando muito e até pensei que não iria sair mais, mas eu cheguei aqui e já sai com tudo feito e o melhor: sem apontar nada no exame. Agora é continuar o acompanhamento contínuo”, comemora.

Mais atendimento para garantir mais autonomia para mulheres

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A mineira de Belo Horizonte Sônia Maria Beloni tem a determinação como sobrenome. Matriarca de uma família com quatro filhos e onze netos, a secretária aposentada diz

que “não gosta de ocupar ninguém” enquanto conta com orgulho que continua a cuidar da casa, das compras e das consultas sozinha. A autonomia que tanto valoriza, porém, se tornou mais difícil quando passou a ter dores constantes após uma queda que resultou no rompimento dos ligamentos do joelho esquerdo, em 2007.

De lá para cá, Sônia convive com dores que se espalharam para os tornozelos e coluna. Subir escadas dói; caminhar longos trechos cansa; usar o transporte público é um desafio; e viajar, um desejo adiado por décadas, tornou-se algo praticamente impossível. “Agora que eu poderia passear, já não tenho mais pernas”, lamenta. Ela buscou tratamento, mas não conseguiu um atendimento adequado. A espera só chegou ao fim em janeiro deste ano, quando a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte aderiu às Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs), incentivo do programa Agora Tem Especialistas para remunerar hospitais públicos e privados que garantirem da consulta ao diagnóstico e tratamento para pacientes em até 60 dias.

Para dona Sônia, isso significou receber, em janeiro deste ano, o atendimento de um ortopedista na Unidade de Referência Secundária (URS) Campos Sales, na capital mineira. No horário marcado, o médico solicitou raio-X, ressonância magnética e outros exames complementares. Em menos de duas semanas, tudo estava pronto para o retorno.

Foto: Ronny Rodrigues/MS
Meu plano de saúde é o SUS, celebra Dona Sonia, atendida pelo Agora Tem Especialistas. Foto: Ronny Rodrigues/MS

A aposentada lembra que encontrou uma equipe de profissionais atenciosos, ambiente estruturado, comunicação via WhatsApp para confirmar e ajustar datas de acordo com a necessidade. Tudo conforme previsto pelas OCIs.

Embora seu problema seja crônico e sem cura, o acompanhamento especializado permitiu organizar um plano de cuidado, com fisioterapia, pilates e controle de dores, além de indicações médicas para acompanhar a evolução do caso. A aposentada conta que foi sugerido o implante de uma prótese no joelho esquerdo, possibilidade que, por enquanto, ela descarta.

A demanda de dona Sônia é semelhante à de tantas outras brasileiras que esperam por diagnósticos, consultas e tratamentos no tempo adequado, e enxergam em ações como o Agora Tem Especialistas um passo rumo a esse direito.

“Quando algum amigo me pergunta qual é o meu plano de saúde, eu respondo que é o SUS, o melhor do planeta! Tenho uma filha que mora em Portugal e ela sempre fala que nem lá, nem nos Estados Unidos, existe um plano igual ao SUS”, comemora a aposentada.

Carla Guimarães
Laís Azevedo
Ronny Rodrigue
Nicole Angel
Talita de Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Ministério da Saúde lança guia para ampliar acesso de startups ao Sistema Único de Saúde

Startups, pesquisadores e empresas de tecnologia em saúde passam a contar com um novo instrumento de orientação para levar soluções inovadoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). Criado pelo Ministério da Saúde, o guia Acesso e Inovação de Dispositivos Médicos ao SUS reúne informações sobre regulação, incorporação tecnológica, financiamento e desenvolvimento de dispositivos médicos voltados à rede pública de saúde.

A publicação foi lançada durante a Feira Hospitalar 2026, um dos maiores eventos de saúde da América Latina, que reúne anualmente novidades, tendências e soluções inovadoras do setor. Durante o evento, o Ministério da Saúde participou de debates sobre a importância da produção nacional e da integração entre governo, indústria, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica.

O diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do ministério, Igor Bueno, destacou que o guia foi elaborado para reduzir as barreiras enfrentadas por startups e pequenas empresas no acesso ao mercado público de saúde.

“Essas empresas desempenham papel estratégico no ecossistema de inovação em saúde, ao impulsionarem o desenvolvimento de soluções tecnológicas, ampliarem a competitividade nacional e contribuírem para a sustentabilidade do SUS. A publicação inédita consolida, em um único documento, uma visão integrada de todas as etapas do processo, do fomento à pesquisa, do desenvolvimento até a incorporação no SUS”, explicou o diretor.

Dispositivos médicos

Os dispositivos médicos fazem parte da rotina dos serviços de saúde e incluem desde produtos simples, como curativos e ataduras, até tecnologias de alta complexidade, como marca-passos, próteses ortopédicas, cirurgias robóticas e equipamentos com inteligência artificial.

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Segundo dados citados no guia, existem atualmente mais de 2 milhões de tipos diferentes desses dispositivos no mundo, utilizados para prevenção, diagnóstico, tratamento e monitoramento de doenças.

O avanço tecnológico tem ampliado as possibilidades de atendimento e contribuído para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além dos equipamentos utilizados em hospitais, o setor também cresce no desenvolvimento de dispositivos voltados para uso doméstico e pessoal (home care).

De acordo com a publicação, o mercado brasileiro de dispositivos médicos cresce acima da média mundial. Apesar disso, o Brasil ainda depende da importação de equipamentos e insumos de alta complexidade. Hoje, grande parte da produção nacional está concentrada em produtos de média e baixa complexidade tecnológica.

Entre os principais desafios do setor estão os custos para inovação, a dependência tecnológica externa e a necessidade de maior integração entre pesquisa científica, política industrial e demanda do sistema público de saúde.

Dados apresentados no X Fórum da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde apontam que o mercado global de dispositivos médicos movimenta mais de US$ 540 bilhões e segue em expansão. No Brasil, o setor também tem impacto econômico relevante. Os segmentos que lideram o mercado são os dispositivos terapêuticos (25,8%), seguidos pelos implantáveis (24,3%) e pelo diagnóstico in vitro (15,9%).

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Os números citados no guia demonstram que, em 2024, a indústria de dispositivos médicos criou quase 6 mil novos empregos diretos, alcançando mais de 85 mil postos de trabalho no país. O desempenho representa um crescimento de aproximadamente 7% em relação ao ano anterior, evidenciando a relevância econômica e a expansão do complexo industrial da saúde.

Tecnologias na rede pública

O Ministério da Saúde tem atuado no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) que reúne setores produtivos, tecnológicos e de serviços. A iniciativa busca estimular o mercado nacional, reduzir a dependência de produtos importados, ampliar o acesso a tecnologias seguras e tornar mais eficiente o uso dos recursos públicos.

O lançamento do guia ocorre nesse cenário de expansão das iniciativas de saúde digital, fortalecimento da cadeia produtiva nacional e incentivo à inovação tecnológica no SUS. Assim, além de orientar startups e empresas, o material destaca a importância estratégica dos dispositivos médicos para melhorar o atendimento à população e explica, de forma acessível, como funcionam os processos e etapas para incorporação dessas tecnologias ao sistema público.

O documento também reforça que, para que a tecnologia seja financiada e utilizada em larga escala pelo SUS, é necessário cumprir critérios técnicos, científicos, regulatórios e econômicos.

 Confira o guia Acesso e Inovação de Dispositivos Médicos ao SUS

Janine Russczyk
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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