POLICIAL
Polícia Civil prende integrante de quadrilha envolvida em furtos de canetas emagrecedoras em Várzea Grande
Um homem suspeito de integrar um grupo criminoso envolvido em furtos de canetas emagrecedoras em farmácias da região metropolitana foi preso em flagrante pela Polícia Civil, na noite de quinta-feira (26.2), durante investigações conduzidas pelos policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf-VG).
O suspeito, de 39 anos, atuava no suporte logístico ao grupo criminoso, sendo o responsável por conduzir o veículo utilizado no crime, dar cobertura aos comparsas avisando sobre o melhor momento de agir ou possível presença de policiais na região.
Os policiais da Derf de Várzea Grande já estavam em investigações de furtos de medicamentos, tipo canetas emagrecedores, em estabelecimentos da cidade, quando receberam informações sobre o furto mediante arrombamento, ocorrido durante a madrugada, em uma farmácia no bairro Jardim Glória I.
Os criminosos entraram rastejando, danificaram o sistema de alarme e em seguida subtraíram grande quantidade de medicamentos de alto custo, voltados para emagrecimento, avaliados em aproximadamente R$ 70 mil. Além da subtração das canetas emagrecedoras, os suspeitos deixaram a geladeira aberta, ocasionando a perda de outros medicamentos que precisavam de refrigeração adequada.
Assim que tomou conhecimento dos fatos, os policiais da Derf-VG iniciaram as diligências, conseguindo constatar, por meio da análise de câmeras de segurança, que o crime contou com participação de, pelo menos, quatro criminosos. Pelas imagens, um deles aparentava estar armado, demonstrando que a situação poderia evoluir para um roubo, caso fosse necessário.
Em continuidade às diligências, os investigadores receberam informações sobre um veículo VW Gol, visto nas imediações do estabelecimento, durante o horário em que o furto foi praticado. Após a identificação do veículo, foi realizada uma análise qualificada por meio câmeras de segurança do Sistema Vigia Mais, sendo possível identificar o passo a passo dos criminosos.
O avanço da investigação levou a identificação do condutor do veículo, responsável não só por levar os três comparsas até o local do crime e auxiliar na fuga, mas também dar cobertura à ação, avisando casos viaturas policiais se aproximassem do local. As investigações apontam ainda que o suspeito R$$ 10 mil pela atuação no apoio logístico.
Após a prática do crime, o suspeito estacionou o veículo em frente à própria residência e se afastou do endereço na tentativa de dificultar a ação das equipes policiais.
Em diligências ininterruptas, os investigadores da Derf-VG conseguiram encontrá-lo no bairro Jardim Leblon, em Cuiabá, onde foi efetuada a prisão em flagrante.
Ele foi conduzido à delegacia, onde após ser interrogado pela delegada Elaine Fernandes, foi autuado em flagrante pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa, sendo posteriormente encaminhado para audiência de custódia, ficando à disposição da Justiça.
“Conseguimos prender um dos integrantes do grupo criminoso, mas investigações seguem em andamento para identificar e prender outros integrantes do grupo criminoso, assim como para recuperar o material subtraído”, disse a delegada.
Fonte: Policia Civil MT – MT
POLICIAL
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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