MATO GROSSO
Expedição rota do café leva ciência e inovação diretamente ao produtor de pequena escala
Mato Grosso, tradicionalmente conhecido por suas grandes lavouras, vem conquistando espaço em um segmento pouco explorado: a produção de café. Para fortalecer a cafeicultura familiar, aumentar a produtividade e elevar a qualidade do grão nas pequenas propriedades, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), promove a Expedição Rota do Café – MT: “Pelos Caminhos do Café Mato-grossense”, um circuito itinerante de encontros técnicos que leva aos produtores os mais recentes resultados de pesquisas voltadas à cafeicultura familiar.
A iniciativa percorrerá seis municípios das regiões Norte e Noroeste: começando por Colniza, e na sequência indo até Aripuanã, Cotriguaçu, Juína, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, municípios considerados referências na produção de café robusta no Estado.
De acordo com os pesquisadores da Empaer, hoje Mato Grosso já figura entre os estados com maior potencial para produção de cafés robustas, com cerca de 270 mil sacas por ano distribuídas em mais de 30 municípios, crescimento impulsionado principalmente pela agricultura familiar e pela assistência técnica rural.
Ciência mais perto do produtor
Na reunião realizada nesta terça-feira (24/2), a equipe de pesquisadores da Empaer apresentou o roteiro da expedição à secretária da Seaf, Andreia Fujioka, e ao presidente da Empaer, Suelme Fernandes. Durante a expedição, técnicos e pesquisadores conduzirão encontros para compartilhar os resultados de pesquisas sobre a validação de clones de café robusta mais adaptados a Mato Grosso.
Segundo a pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, engenheira agrônoma e doutora em Agricultura Tropical, Danielle Müller, o objetivo da expedição é aproximar ainda mais o produtor da ciência e da tecnologia. “A proposta é levar mais conhecimento ao produtor. O projeto busca estimular a adoção de tecnologias, melhorar a produtividade e garantir qualidade ao café produzido nas pequenas áreas rurais”, destaca.
O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, reforça: “Nosso compromisso é transformar a pesquisa em ações práticas que beneficiem diretamente o agricultor familiar. Essa expedição é uma oportunidade única de unir conhecimento científico e experiência no campo. Cada etapa da programação foi pensada para transformar conhecimento em ação. Queremos inspirar o produtor a ver o potencial do nosso café”.
Integração entre instituições
A Rota do Café também reúne um conjunto de parceiros institucionais que dão suporte técnico, científico e logístico às atividades. Além da Empaer e da Seaf, participam da iniciativa a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), as prefeituras municipais, sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa.
“Entre os resultados esperados estão a integração entre pesquisa, extensão rural e produtores, a ampliação das oportunidades de comercialização e a valorização da identidade do café mato-grossense”, afirma a doutora em fitotecnia, engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Dalilhia Nazaré dos Santos.
A secretária da Seaf, Andreia Fujioka, ressaltou a integração entre Seaf e Empaer nas atividades e políticas públicas. “Acreditamos que o fortalecimento da agricultura familiar passa pela união entre instituições e produtores. Projetos como este reforçam o compromisso do Estado em gerar conhecimento, qualidade e renda para quem vive do que produz”.
Qualidade, renda e permanência no campo
Para a agricultura familiar, o impacto vai além da produtividade. A expectativa é consolidar a marca “Café de Mato Grosso” como produto de origem, qualidade e valor social, gerando renda e incentivando a permanência das famílias no campo.
“Com assistência técnica, acesso à inovação e orientação adequada de manejo, pequenos produtores têm a oportunidade de produzir mais e melhor. Antes visto como cultura secundária em algumas regiões, o café ganha protagonismo na economia rural do estado”, pontuou o engenheiro agrônomo, doutor em Agricultura Tropical e pesquisador em Solos da Empaer, Wininton Mendes.
A inscrição para o evento é gratuita e está disponível no link da Empaer: https://forms.gle/GXBT2Ro8WGZfmn3N9
Confira a programação completa
Colniza: 11/3 (qua) – Câmara Municipal, 7h às 11h45;
Aripuanã: 12/3 (qui) – Balneário Oasis, 7h às 11h45;
Cotriguaçu: 25/3 (qua) – Centro de Eventos, 7h às 11h45;
Juína: 26/3 (qui) – Barracão da Feira Municipal, 7h às 11h45;
Nova Bandeirantes: 08/4 (qua) – local a definir, 7h às 11h45;
Nova Monte Verde: 09/4 (qui) – Estância Villa Bella, 7h às 11h45.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Gisela aposta na força regional e leva recado de Pivetta a Moacir em Barra do Garças
A candidatura de Moacir Couto à Assembleia Legislativa ganhou nesta sexta-feira (21), um componente político que extrapola o lançamento de mais um nome na disputa proporcional. Em Barra do Garças, onde mais de 300 pessoas participaram do ato, a presença da candidata a vice-governadora Gisela Simona levou ao palco uma discussão que há anos atravessa o Araguaia: a necessidade de transformar o peso econômico e social da região em maior capacidade de representação política e de interlocução com o Governo do Estado.
Empresários, produtores rurais, lideranças políticas, moradores de Barra do Garças e apoiadores de municípios vizinhos acompanharam o lançamento da candidatura de Moacir, que pretende ocupar um espaço que considera estratégico para o desenvolvimento regional, especialmente nas áreas de saúde, infraestrutura e investimentos públicos. A agenda também expôs uma característica cada vez mais presente na campanha de Gisela: a circulação pelos municípios e a tentativa de compreender a política a partir das demandas concretas que chegam das comunidades.
Ao declarar apoio ao empresário barra-garcense, Gisela levou uma mensagem do governador Otaviano Pivetta, de quem é candidata a vice na disputa pelo Palácio Paiaguás. Segundo ela, Pivetta havia encontrado Moacir em Várzea Grande e pediu que sua vice levasse pessoalmente seu abraço ao amigo. “Ele disse: estive com Moacir em Várzea Grande. Agora, na Barra do Garças, minha vice vai pessoalmente entregar meu carinho a você, que não é um irmão de sangue, mas é de alma”, relatou.
Mais do que uma manifestação de amizade, a fala evidencia uma característica da atual composição política que tenta se consolidar em torno de Pivetta: a construção de uma rede que procura combinar a força administrativa do governo com lideranças regionais capazes de traduzir demandas locais para dentro da estrutura estadual.
Gisela também associou a candidatura de Moacir ao debate sobre a continuidade administrativa de Mato Grosso. Ao defender a chapa liderada por Pivetta, destacou a experiência do governador e sua capacidade de interlocução com os municípios.
“Ele é um administrador nato, com experiência comprovada em criar qualidade de vida. E todos sabem que é confiável. O projeto de transformar para melhor a vida da população de Mato Grosso precisa ter prosseguimento”, afirmou.
A declaração ganha dimensão política maior diante do movimento recente de prefeitos em torno da candidatura de Pivetta. Na última terça-feira, 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso, o equivalente a 93,7% dos municípios, formalizaram apoio à sua reeleição. O dado evidencia a capilaridade municipal da candidatura, embora, naturalmente, apoio de prefeito não se confunda automaticamente com transferência de votos.
Para Gisela, entretanto, a adesão dos prefeitos traduz sobretudo uma experiência administrativa vivenciada nos próprios municípios. A candidata a vice tem defendido que gestores municipais reconhecem os efeitos dos investimentos estaduais em infraestrutura, saúde e serviços e, por isso, não desejariam retroceder. A leitura coloca o municipalismo no centro da estratégia eleitoral de Pivetta e aproxima a campanha do cotidiano de quem administra as cidades.
Em Barra do Garças, essa discussão ganhou um rosto concreto. Durante o evento, Dona Célia relatou a dificuldade enfrentada pela família para conseguir atendimento especializado para a neta Melissa, de seis anos, diagnosticada com autismo e que precisava passar por uma cirurgia de hérnia umbilical. Segundo seu relato, depois de procurar atendimento em Barra do Garças e em Cuiabá, tomou conhecimento da atuação de Moacir em defesa da estrutura hospitalar da região.
“Mesmo sem me conhecer, ele olhou para a nossa situação e segurou a nossa mão”, afirmou.
O depoimento é significativo porque recoloca a saúde no centro de uma disputa eleitoral que, frequentemente, é narrada apenas pelos números do crescimento econômico. Barra do Garças funciona como polo de atendimento para diversos municípios do Araguaia e enfrenta há anos o desafio de ampliar sua capacidade de atendimento especializado. Em maio, o Governo do Estado anunciou justamente a elevação do repasse para a saúde do município de R$ 800 mil para R$ 2 milhões, reconhecendo a pressão exercida sobre a rede local pelo atendimento de pacientes de toda a região.
Há, portanto, uma equação política interessante em construção: o Estado afirma ter capacidade de investimento; os municípios reivindicam infraestrutura e serviços; e lideranças regionais buscam transformar essas demandas em representação política permanente.
É nesse ponto que Moacir pretende construir sua candidatura. “Não é apenas uma campanha política. É um movimento histórico de uma cidade e de uma região que precisa deixar de ser órfã e ter um representante que conheça sua realidade, que tenha portas abertas e possa ajudar a alavancar Barra do Garças e toda a região do Araguaia”, afirmou.
A expressão “deixar de ser órfã” talvez seja a síntese política mais importante do encontro. Não se trata apenas de eleger um deputado, mas de disputar a capacidade de uma região de participar das decisões sobre recursos, obras e políticas públicas que afetam diretamente sua população.
E é justamente aí que a presença de Gisela ganha significado próprio. Depois de quase três anos na Câmara dos Deputados, onde construiu sua atuação a partir de pautas nacionais como a defesa do consumidor, combate à violência contra as mulheres, proteção contra fraudes financeiras e enfrentamento de novas formas de vulnerabilidade social, a candidata a vice-governadora passa a ocupar outro lugar na engrenagem política: o de alguém que pretende levar para a chapa majoritária a experiência de quem aprendeu, no Procon e depois no Congresso, que grandes decisões públicas só fazem sentido quando chegam à vida cotidiana.
Em Barra do Garças, essa experiência encontrou uma agenda regional muito concreta: saúde, representação e capacidade de fazer a ponte entre o município e o Estado.
E talvez seja justamente essa ponte que a campanha de Pivetta e Gisela esteja tentando construir nos municípios: uma candidatura majoritária que não se apresente apenas como continuidade de um governo, mas como continuidade de uma relação política com as cidades. Relação que agora será testada diretamente nas ruas e nas urnas.
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