AGRONEGÓCIO

Degradação de terras agrícolas equivale a área de Brasil e Argentina juntos

O mundo tem hoje cerca de 20% das áreas agrícolas com algum nível de degradação, o equivalente a aproximadamente 500 milhões de hectares, ou a um Brasil e uma Argentina juntos. Essa perda de produtividade do solo pode representar um prejuízo global estimado em cerca de R$ 125 trilhões, segundo especialistas em produção sustentável. A boa notícia, no entanto, é que o custo para recuperar essas terras e torná-las novamente produtivas é muito menor do que o de conviver com seus efeitos econômicos e ambientais.

O Brasil, que figura entre os maiores produtores de alimentos do mundo, também enfrenta esse desafio. Estimativas apontam que mais da metade das pastagens brasileiras apresenta algum grau de degradação, reflexo de décadas de uso contínuo, baixa reposição de nutrientes e manejo inadequado.

Essas áreas, segundo levantamento da Embrapa somam 109,7 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação (aproximadamente 60% das pastagens plantadas). Deste total, aproximadamente 28 milhões de hectares estão em condição intermediária ou severa de degradação e com alto potencial de conversão para agricultura, mas poderiam voltar a produzir com alto rendimento se fossem recuperadas com tecnologias de manejo e recomposição do solo. O problema, além de afetar a rentabilidade das propriedades, eleva custos de produção, reduz o sequestro de carbono e pressiona por novas aberturas de áreas, alimentando o ciclo de desmatamento.

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Para reverter esse quadro, o governo brasileiro estabeleceu a meta de recuperar e converter 40 milhões de hectares de terras degradadas nos próximos dez anos. A iniciativa faz parte do novo programa Raiz (Resilient Agriculture Investment for Net Zero Land Degradation), que será apresentado oficialmente durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém. O projeto tem quatro eixos principais: mapear as áreas degradadas em escala global, criar mecanismos de investimento e crédito específicos para sua recuperação, fomentar o compartilhamento de tecnologias entre países e ampliar o envolvimento do setor privado.

A proposta parte de um princípio simples e econômico: é mais barato restaurar o que já foi aberto do que abrir novas fronteiras agrícolas. A recuperação de solos degradados pode envolver desde práticas básicas, como o plantio direto e a correção de acidez, até sistemas integrados de produção, como lavoura-pecuária-floresta. Além de devolver fertilidade e produtividade, essas técnicas reduzem emissões de gases de efeito estufa e aumentam a resiliência das propriedades frente às variações climáticas.

Segundo especialistas, o Brasil tem condições de liderar uma nova economia baseada na restauração produtiva. Ao combinar tecnologia, crédito e políticas de incentivo, o país pode transformar áreas hoje improdutivas em ativos ambientais e produtivos, atraindo investimentos e consolidando sua imagem de potência agroambiental. Em um momento em que mercados internacionais passam a exigir comprovação de origem e práticas sustentáveis, o uso racional do solo pode se tornar o principal diferencial competitivo do agronegócio brasileiro.

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Apesar do otimismo, os desafios permanecem. O custo médio para reabilitar um hectare de pastagem degradada varia de R$ 4 mil a R$ 8 mil, dependendo da região e do nível de deterioração. Isso significa que recuperar toda a área prevista pelo governo demandará centenas de bilhões de reais e forte articulação entre produtores, bancos e órgãos públicos. Mesmo assim, o retorno tende a ser rápido: solos recuperados produzem mais, demandam menos insumos e ampliam o valor da terra.

O consenso entre técnicos e produtores é que a recuperação de áreas degradadas não é apenas uma agenda ambiental, mas uma oportunidade econômica e estratégica. Restaurar o solo é restaurar o capital produtivo do país — e o Brasil, com sua base tecnológica, extensão territorial e capacidade de inovação no campo, tem tudo para mostrar ao mundo que é possível crescer, produzir e preservar ao mesmo tempo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Rural Show projeta novo salto em negócios e reforça avanço do agro

A cidade de  Ji-Paraná (373 km da capital, Porto Velho), se prepara para a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, que será realizada entre 25 e 30 de maio. A expectativa é de ampliar novamente o volume de negócios e consolidar a feira como uma das principais vitrines do agronegócio na região Norte. Na edição de 2025, o evento movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões em negócios, com mais de 270 mil visitantes e cerca de 650 expositores, segundo o governo estadual. Para 2026, a projeção do setor é de crescimento, puxado pela maior demanda por tecnologia, crédito e soluções produtivas no campo.

Realizada em um momento de expansão da fronteira agrícola no Norte, a feira tem ganhado peso não apenas regional, mas também nacional, ao reunir produtores, empresas, instituições financeiras e centros de pesquisa em um ambiente voltado à geração de negócios. A expectativa é de que a edição deste ano mantenha o ritmo de crescimento, impulsionada principalmente por investimentos em mecanização, irrigação e genética animal.

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O avanço da Rondônia Rural Show acompanha a própria evolução do agronegócio no Estado. Rondônia vem ampliando sua participação na produção nacional, com destaque para a pecuária de corte e leite, além do crescimento da soja e do milho. Esse movimento tem elevado a demanda por tecnologia e assistência técnica, abrindo espaço para eventos que conectam oferta e demanda dentro do setor.

A feira também se consolida como plataforma de acesso a crédito. Instituições financeiras costumam concentrar no evento o lançamento de linhas de financiamento e condições especiais para aquisição de máquinas, equipamentos e insumos. Em um cenário de maior seletividade no crédito rural, esse tipo de ambiente ganha relevância para o produtor que busca viabilizar investimentos.

Outro eixo do evento é a difusão tecnológica. Empresas e instituições apresentam soluções voltadas ao aumento de produtividade e à redução de custos, com foco em sistemas mais eficientes e adaptados às condições da região Norte. A presença de startups e empresas de inovação tem crescido, refletindo a digitalização do campo.

Além da agricultura e da pecuária, a feira abre espaço para cadeias emergentes e produtos de valor agregado, ampliando as oportunidades para pequenos e médios produtores. A diversidade de expositores e a programação técnica reforçam o caráter de capacitação e atualização profissional do evento.

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Serviço
Evento: 13ª Rondônia Rural Show Internacional
Data: 25 a 30 de maio de 2026
Local: Rodovia BR-364, km 333 (11 km de Ji-Paraná, sentido Presidente Médici)
Cidade: Ji-Paraná (RO)

Fonte: Pensar Agro

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