SAÚDE
SESAI comemora 15 anos com audiência na Câmara e reforça avanços na saúde indígena
Nesta terça-feira (21), a Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública em celebração aos 15 anos da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), comemorados no último domingo (19). O ritual sagrado indígena abriu o encontro e acolheu indígenas, lideranças, autoridades e colaboradores que lotaram o plenário da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais.
Durante a sessão solene, os participantes relembraram a história de luta pela criação da pasta e reafirmaram sua importância para os povos originários brasileiros. O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, destacou que o maior patrimônio da Saúde Indígena não está apenas na infraestrutura, mas nas pessoas que constroem o cuidado diariamente nos territórios. Para ele, os profissionais que atuam nas comunidades mais remotas do país desempenham uma missão abençoada e representam o principal ativo do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).
“Nesta celebração dos 15 anos, prestamos homenagem e reconhecimento a cada trabalhador e trabalhadora que construiu essa história com empenho e dedicação. Relembramos também que essa é uma conquista dos povos indígenas e o controle social e a participação das lideranças são parte viva e permanente desta política”, pontuou.
Weibe Tapeba ressaltou ainda os avanços da política indigenista e o esforço contínuo para atualizar a PNASPI, adaptando-a às necessidades atuais com respeito à interculturalidade dos povos. “Estamos vivendo um novo momento na relação dos povos com o governo federal e com o Estado brasileiro. Estamos fortalecendo a nossa política indigenista e um dos maiores desafios atuais é, sem dúvidas, a atualização da PNASPI. Nosso objetivo é garantir que essa importante política possa acompanhar as transformações dos territórios, sempre atendendo às necessidades das comunidades, além de promover um cuidado integral e eficaz alinhado à realidade de cada povo indígena”, afirmou.
Representando o movimento indígena, o líder da Articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB), Kleber Kalipuna, relembrou o processo histórico de construção e reforçou o protagonismo dos povos na gestão do sistema.
“Celebrar os 15 anos da SESAI é rememorar uma história longa de construção coletiva e desafios. Tenho orgulho de ter participado desde o início, ainda em 2010, ajudando a erguer essa política que nasceu da luta. Problemas existem, mas nós vamos continuar enfrentando juntos, com protagonismo indígena e gestão feita pelos próprios povos”, avaliou.
Já a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou que os 15 anos da SESAI representam não apenas uma celebração, mas também o compromisso de projetar os próximos passos da saúde indígena no país
“Celebrar mais de uma década de atuação e construção é honrar a memória de quem veio antes de nós e pactuar os caminhos para o futuro. O sistema precisa refletir a realidade dos territórios e garantir atendimento com acesso, qualidade e respeito. Ainda há um caminho longo, mas já estamos avançando com participação social, escuta ativa e construção conjunta. Nós queremos água limpa, vacina no braço, escola, demarcação e todos os povos com direitos respeitados”, disse.
Ainda em alusão ao aniversário da SESAI, nesta quarta-feira (22) está prevista a realização de uma oficina especial. A oficina desta quarta-feira terá como foco apresentar o processo de revisão da PNASPI e promover pactuações essenciais para avançar na implementação da política, fortalecendo o Subsistema dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O momento será estratégico para o diálogo e a integração entre as áreas técnicas e demais secretarias do Ministério da Saúde, qualificando ainda mais as ações e serviços oferecidos aos povos indígenas.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde apresenta a secretários estaduais plano de preparação para o El Niño 2026-2027
O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira (26), durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027. A reunião reuniu gestores estaduais para discutir medidas de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos possíveis impactos do próximo ciclo do fenômeno climático.
O fenômeno está classificado como “forte” e pode atingir o patamar “muito forte” já em setembro, com janela crítica prevista entre outubro de 2026 e março de 2027. Os efeitos variam de acordo com a região: seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste; aprofundamento da seca e calor no Nordeste; ondas de calor e temporais no Sudeste; e chuvas intensas, com risco de inundação, no Sul.
Durante a apresentação, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, explicou que a preparação para os possíveis impactos do fenômeno está organizada em cinco eixos: governança federativa, com Sala de Situação de Emergências Climáticas; governança interna, por meio da Sala de Situação Saúde e Clima; recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica; atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas; e organização de serviços e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma.
“A preparação do SUS para o El Niño é um tema bastante desafiador. A gente tem trabalhado junto ao Conass e ao Conasems na preparação do SUS para os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou Massuda.
Entre as ferramentas utilizadas para o monitoramento estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR e o GeoRisk, além dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões do país. A estratégia também prevê a integração dos sistemas e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan para auxiliar na detecção precoce de surtos.
No médio prazo, o Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima do Ministério da Saúde, o AdaptaSUS, estabelece 27 metas e 93 ações até 2035. A estratégia reúne medidas voltadas à preparação do setor saúde diante dos impactos das mudanças climáticas.
Entre as ações relacionadas à segurança hídrica em áreas sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com aporte de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.
“Agora, o El Niño exige que a gente acelere o passo na preparação dos planos de resposta aos diferentes impactos que o fenômeno pode produzir no Brasil. É um fenômeno recorrente, mas este vem com uma gravidade bastante intensa. Precisamos preparar o país, considerando as características dos diferentes biomas e os efeitos previstos para cada região”, disse o secretário-executivo.
Na Amazônia, a preparação considera ainda a organização da rede de atenção e a estrutura disponível para atendimento às populações em áreas de difícil acesso, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais.
O Ministério da Saúde também deverá publicar, nos próximos dias, portaria para instituir um painel de especialistas em clima e saúde, que terá a função de subsidiar tecnicamente as decisões relacionadas à preparação e à resposta aos impactos dos eventos climáticos.
“A gente também ouviu os estados para identificar os diferentes estágios de preparação e os ajustes necessários em questões específicas, como as arboviroses, que tendem a se agravar em função do impacto do El Niño”, completou Massuda.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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