POLÍTICA NACIONAL

Especialistas defendem monitoramento neurológico para evitar sequelas em bebês

Especialistas ouvidos pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta segunda-feira (6) pediram mais estímulo às tecnologias de monitoramento neurológico em recém-nascidos. Na audiência pública, os debatedores consideraram que a implantação da chamada saúde digital em UTIs neonatais do país dará mais agilidade a esse atendimento e ajudará a evitar danos permanentes ao sistema nervoso central dos bebês, especialmente dos prematuros e de alto risco. O requerimento para o debate foi feito pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

A médica neonatologista Carla Serrano Bilynskyj explicou que bebês prematuros, nascidos antes de 37 semanas de gestação, não tiveram o tempo necessário para total formação. Por isso podem apresentar riscos severos de danos neurológicos, hemorragia cerebral, instabilidade extrauterina e baixa imunidade, por exemplo.

Outro quadro explicado pela médica é a asfixia sofrida pelo bebê nos momentos que antecedem o parto e durante ou logo após o nascimento. Terceira causa de morte neonatal no mundo, esse problema pode ser evitado por meio do monitoramento neurológico nas UTIs, de acordo com a médica.

— A asfixia é a principal causa de crise convulsiva no período neonatal e, se for prolongada, pode causar danos irreversíveis […] Por isso, defendo como parte fundamental do manejo do recém-nascido com asfixia a aplicação do protocolo de monitoração cerebral contínuo, porque ele permite uma avaliação precisa da atividade elétrica cerebral. Isso ajuda na prevenção da crise e na medicação de forma correta.

Representante da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Letícia Pereira de Brito Sampaio observou que, embora a mortalidade neonatal atualmente seja menor do que a observada 20 anos atrás, ainda é alto o risco de bebês sofrerem crises epiléticas sem a devida assistência no Brasil. Para Letícia, o monitoramento contínuo por meio das plataformas inteligentes nas UTIs neonatais é fundamental na identificação precoce de problemas neurológicos, tornando menores os riscos de danos cerebrais nos recém-nascidos.

— O cérebro do recém-nascido é plástico e vulnerável. Cada minuto de atraso no diagnóstico significa uma diferença grande no potencial de desenvolvimento das crianças. Então, esse tema merece um investimento cada vez mais robusto — defendeu.

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Mãe de uma criança que recebeu tratamento especializado em UTI neonatal, Michele Manzoni relatou como o monitoramento digital ajuda a garantir tratamento e ajuda na evolução dos bebês que desenvolvem problemas neurológicos, como aconteceu com seu filho, Isaque, que hoje tem 8 anos de idade. Emocionada, ela disse se sentir agradecida por ter tido acesso a esse recurso, de modo gratuito, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

— O monitoramento, aliado a uma equipe empenhada, muda o futuro de uma criança especial.

Na opinião de Damares, a aquisição desses sistemas de monitoramento pelo governo é uma medida inteligente e significa investimentos de longo prazo, “já que eles reduzem gastos da União com o pagamento de benefícios sociais e assistência às famílias”, por exemplo.

—  Investir agora é pensar no futuro. Não é caro. É investimento — afirmou a senadora, adiantando que outros debates sobre o assunto devem ser pedidos no âmbito da comissão.

Atenção pré-natal

Diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Augusto Marinho observou que toda a linha de atenção e cuidado com os bebês tem de ser feita preferencialmente em gestações planejadas e seguindo todo o acompanhamento pré-natal, de modo a evitar necessidades de gastos após o nascimento da criança.

O controle de danos aos recém-nascidos, segundo ele, deve seguir o cumprimento de um mínimo de consultas e exames, com vistas a uma gestação que culmine com algo natural: o parto.

— A atenção pré-natal é preponderante. Obviamente estamos aqui para aprender e saber o que mais pode ser discutido na ótica da inserção de novas tecnologias nessa atenção. Que dê certo esse casamento entre o ideal do Legislativo e a competência do Executivo e no qual contamos muito com a parceria também das mães.

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A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Anna Paula Feminella, considerou desafiador o sistema público brasileiro reconhecer ações como, por exemplo, a Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 15.069, de 2024. Para ela, ainda é preciso mobilizar as autoridades, levando-as a pensar nessa temática numa perspectiva dos direitos humanos, “já que diversas regiões do Brasil ainda vivem em situações de vulnerabilidade”.

Anna Paula afirmou que o Ministério da Saúde tem avançado na perspectiva dos cuidados com a pessoa com deficiência e disse que a pasta tem atuado numa agenda de inclusão, com foco na atenção primária. Para a secretária, avanços como a ampliação da licença-paternidade também são fundamentais para aumentar e distribuir os cuidados das famílias com todos os bebês. Propostas sobre o tema estão em discussão e avançaram no Senado neste ano.

— A gente entende a importância da inclusão dos pais nesse cuidado e também a importância de agregarmos tecnologias para diagnósticos cada vez mais precisos e precoces. Isso serve tanto para reduzir riscos de deficiências e sequelas neurológicas quanto para o monitoramento das crianças que ficam com sequelas permanentes — disse a secretária.

Para o fundador do Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros, o médico Gabriel Fernando Todeschi Variane, a discussão promovida pelo Senado é fundamental na busca por melhorias no acompanhamento neonatal. Na opinião dele, a adesão do país a essas tecnologias, com a criação das chamadas unidades de cuidado neurocrítico ou UTIs neonatais neurológicas, também favorece a redução de custos, além de garantir vários outros impactos positivos.

A medida, segundo o médico, traz benefícios do ponto de vista científico, econômico e social, já que significa, por exemplo, a diminuição do tempo de internação dos bebês, menor uso de medicações por esses recém-nascidos e a redução das judicializações na saúde. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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