ECONOMIA
Comunicado Conjunto por ocasião da Visita ao México do Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin
Brasil e México compartilham a decisão de consolidar uma relação bilateral mais sólida e próxima, voltada ao bem-estar e à prosperidade compartilhada de seus povos, à luta contra a desigualdade, a pobreza e a fome, bem como a fortalecer a integração da América Latina e Caribe.
Nesse contexto, e conforme as conversas mantidas entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, em abril passado, o Vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil, Geraldo Alckmin, realizou visita de trabalho à Cidade do México nos dias 27 e 28 de agosto, acompanhado de comitiva composta por ministros de Estado, altas autoridades, representantes de instituições de pesquisa e de empresas brasileiras de setores estratégicos.
O Vice-Presidente Alckmin cumpriu extensa agenda de trabalho em reuniões com a Presidenta Claudia Sheinbaum Pardo e as e os titulares de Relações Exteriores, Economia, Saúde, Energia, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação e Bem-Estar. Também se reuniu com representantes de câmaras de indústria e comércio e representantes de empresas mexicanas, para aprofundar a cooperação em temas como: transição energética; segurança alimentar; regulação sanitária; facilitação da circulação de pessoas para turismo e negócios; impulso à indústria aeroespacial; educação, ciência e tecnologia; e modernização do marco jurídico bilateral sobre comércio e investimentos, entre outros.
O Vice-Presidente manteve reunião de trabalho com membros de todos os grupos parlamentares da Mesa Diretora do Senado do México, ocasião em que ressaltaram o valor da diplomacia parlamentar. Nesse sentido, após dez anos desde a última edição, acordou-se levar à consideração dos órgãos legislativos a sugestão de retomar a celebração de reuniões interparlamentares Brasil-México em 2026.
O também Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio participou de Encontro Empresarial Brasil-México, organizado por ambos os governos com apoio do Conselho Coordenador Empresarial (CCE), do Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior, Investimento e Tecnologia (COMCE) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O evento permitiu a interação de dirigentes e representantes de mais de 350 empresas brasileiras e mexicanas dos setores agroalimentar, farmacêutico, energético, aeroespacial e de tecnologias emergentes, assim como a apresentação de estratégias e a identificação de áreas de oportunidade em matéria de investimentos e comércio bilateral, a partir do Plano Nova Indústria Brasil e do Plano México.
Em 28 de agosto, a Presidenta Sheinbaum, acompanhada por membros de seu gabinete, recebeu o Vice-Presidente Alckmin e a comitiva brasileira no Palácio Nacional, para aprofundar a discussão sobre as principais iniciativas binacionais em áreas prioritárias. Ambos reiteraram a vontade de aprofundar e diversificar a colaboração binacional mediante o fortalecimento dos mecanismos vigentes e a consolidação de uma agenda progressista comum, ampla e ambiciosa, que incorpore novos temas. Com vistas à implementação dessa agenda, a Presidenta agradeceu o convite do Presidente Lula para realizar visita de Estado ao Brasil. As partes também acordaram a celebração, em 2025, da VI Comissão Binacional, no Brasil, presidida pelos chanceleres dos dois países.
As partes conversaram sobre as complementaridades existentes entre as duas economias e sobre o potencial da relação econômica. Reconheceram que a modernização do marco jurídico bilateral sobre comércio e investimentos – de forma pragmática e baseada no equilíbrio, no benefício mútuo e na prosperidade compartilhada – é fundamental para proporcionar maior segurança, estimular investimentos, comércio e integração de setores produtivos às cadeias regionais de valor para apoiar as micro, pequenas e médias empresas, assegurar maior participação de mulheres no comércio bilateral, desenvolver indústrias criativas e incentivar a inovação.
Nesse contexto, acordou-se iniciar um processo de revisão e atualização dos Acordos de Complementação Econômica (nº 53 e nº 55) entre Brasil e México e do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos a ser concluído em 2026. Para tanto, as partes acordaram um cronograma de trabalho por etapas. A ApexBrasil e a Subsecretaria de Comércio Exterior da Secretaria de Economia do México assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação em matéria de promoção de investimentos e fortalecimento de capacidades.
No setor agroalimentar, acordou-se promover a segurança alimentar das famílias brasileiras e mexicanas. O lado brasileiro mencionou a contribuição do Pacote contra a Inflação e a Carestia para esse objetivo. Coincidiu-se sobre a necessidade imperativa de erradicar a fome e, nesse contexto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil e a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação agrícola e pecuária sustentável, para apoiar pequenos e médios produtores, e fortalecer a soberania alimentar, a sanidade animal e vegetal e a inovação tecnológica.
Em matéria de saúde pública, decidiu-se estimular pesquisas conjuntas para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas, promover o intercâmbio tecnológico, a fabricação e a compra conjunta de medicamentos, a inovação em atendimento primário e territorial e a capacitação de pessoal. Brasil e México também reconheceram os significativos avanços na implementação de mecanismos de confiança regulatória entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários (COFEPRIS), tanto para a avaliação de registros sanitários, quanto de inspeções de dispositivos médicos e medicamentos. Nesse contexto, foram assinados um Memorando de Entendimento entre as duas agências sanitárias e outro entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) e a Secretaria de Saúde do México, que permitirá a cooperação em pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia referente à plataforma mRNA para a produção de vacinas.
Também foi formalizada uma Carta de Intenções entre os dois governos, por meio da Vice-Presidência do Brasil e da Secretaria de Energia do México, sobre produção e uso de biocombustíveis, que destaca seu papel crucial para a descarbonização imediata, a segurança energética e a geração de emprego e renda das famílias.
Tendo em conta o compromisso assumido pelos dois governos, em 2023, e com vistas a facilitar a mobilidade de turistas, estudantes e agentes de negócios de forma segura e ordenada, o México anunciou a iminente publicação oficial do sistema de vistos eletrônicos para nacionais do Brasil. Por sua vez, o Brasil indicou que o sistema de vistos eletrônicos para cidadãos mexicanos poderá entrar em funcionamento assim que o sistema mexicano esteja em operação, e anunciou a recente reabertura de seu Consulado-Geral na Cidade do México.
Brasil e México reafirmaram seu desejo de trabalhar juntos para que os organismos e mecanismos regionais e globais sejam mais justos, equitativos e eficazes, para oferecer soluções aos desafios mais urgentes. Comprometeram-se também a trabalhar no enfrentamento das causas estruturais dos problemas que afetam as e os latino-americanos e caribenhos. Para tanto, serão promovidas iniciativas concretas em foros regionais – como a Cúpula para o Bem-Estar Econômico da América Latina e do Caribe, proposta pela Presidenta Sheinbaum na CELAC –, além de ações que reforcem a presença da região no debate global.
Como gesto simbólico da profunda amizade entre Brasil e México, a Chefe de Governo da Cidade do México, Clara Brugada, fez entrega das chaves da cidade e concedeu ao Vice-Presidente Alckmin o título de visitante ilustre, homenagem pela qual ele expressou profunda gratidão. Em reunião prévia, ambos intercambiaram pontos de vista sobre o papel dos governos subnacionais – especialmente das grandes metrópoles – para acompanhar e apoiar os esforços dos Estados em atenção aos desafios globais.
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COMUNICADO CONJUNTO DE LA VISITA A MÉXICO DEL VICEPRESIDENTE DE LA REPÚBLICA FEDERATIVA DEL BRASIL, GERALDO ALCKMIN
México y Brasil comparten la decisión de consolidar una relación bilateral más sólida y cercana, orientada hacia el bienestar y la prosperidad compartida de sus pueblos, a la lucha contra la desigualdad, la pobreza y el hambre, así como a fortalecer la integración de América Latina y el Caribe.
En ese contexto, y conforme a las conversaciones sostenidas entre la Presidenta Claudia Sheinbaum Pardo y el Presidente Luiz Inácio Lula da Silva en abril pasado, el Vicepresidente y Ministro de Desarrollo, Industria, Comercio y Servicios de la República Federativa del Brasil, Geraldo Alckmin, realizó una visita de trabajo a la Ciudad de México el 27 y 28 de agosto, acompañado de una comitiva conformada por los ministros de Estado, altas autoridades, directivos de centros de investigación y de empresas brasileñas de sectores estratégicos.
El Vicepresidente Alckmin desplegó una amplia agenda de trabajo en reuniones con la Presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, y las y los titulares de Relaciones Exteriores, Economía, Salud, Energía, Agricultura y Desarrollo Rural, Ciencia, Humanidades, Tecnología e Innovación y Bienestar. También se reunió con representantes de cámaras industriales y comerciales, y representantes de empresas mexicanas, para profundizar en la cooperación en temas tales como: transición energética; seguridad alimentaria; regulación sanitaria; facilitación del tránsito de personas para turismo y negocios; impulso a la industria aeroespacial, educación, ciencia y tecnología, y modernización del marco jurídico bilateral sobre comercio e inversiones, entre otros.
El Vicepresidente sostuvo una reunión de trabajo con miembros de todos los grupos parlamentarios de la Mesa Directiva del Senado de la República, en la que subrayaron el valor de la diplomacia parlamentaria. En ese sentido, y tras diez años desde la última edición, se acordó llevar a la consideración de los órganos legislativos la sugerencia de reanudar la celebración de reuniones interparlamentarias México-Brasil en 2026.
El también Ministro de Desarrollo, Industria y Comercio brasileño participó en un Encuentro Empresarial México-Brasil, organizado por ambos gobiernos con apoyo del Consejo Coordinador Empresarial (CCE), el Consejo Empresarial Mexicano de Comercio Exterior, Inversión y Tecnología (COMCE) y la Agencia Brasileña de Promoción de Exportaciones e Inversión (APEX). El evento permitió interactuar a directivos y representantes de más de 350 empresas mexicanas y brasileñas en los sectores agroalimentario, farmacéutico, energético, aeroespacial y de tecnologías emergentes, así como presentar estrategias e identificar áreas de oportunidad en materia de inversiones y comercio bilateral, a partir del Plan México y del Plan Nueva Industria Brasil.
El 28 de agosto, la Presidenta Sheinbaum, acompañada por miembros de su gabinete, recibió al Vicepresidente Alckmin y a su comitiva en Palacio Nacional, para profundizar la discusión sobre las principales iniciativas binacionales en ámbitos prioritarios. Ambos reiteraron la voluntad de profundizar y diversificar la colaboración binacional mediante la vigorización de los mecanismos vigentes y la consolidación de una agenda progresista común, amplia y ambiciosa, que incorpore nuevos temas. Con miras a la implementación de esa agenda, la Presidenta agradeció la invitación del Presidente Lula para realizar una visita de Estado a Brasil. Las partes también acordaran la celebración, en 2025, de la VI Comisión Binacional en Brasil, presidida por los cancilleres de ambos países.
Las partes conversaron sobre las complementariedades que existen entre las dos economías y sobre el potencial de la relación económica. Reconocieron que la modernización del marco jurídico bilateral sobre comercio e inversiones —de manera pragmática y sobre la base del equilibrio, el beneficio mutuo y la prosperidad compartida— es fundamental para brindar mayor certidumbre, estimular inversiones, comercio, y la integración de sectores productivos a las cadenas regionales de valor para apoyar a las micro, pequeñas y medianas empresas, asegurar una mayor participación de mujeres en el comercio bilateral, desarrollar industrias creativas y alentar la innovación.
En ese contexto, se acordó iniciar un proceso de revisión y actualización de los Acuerdos de Complementación Económica (No. 53 y No 55) entre México y Brasil y del Acuerdo de Cooperación y Facilitación de las Inversiones a ser concluido en 2026. Para tal efecto, las partes acordaron un cronograma de trabajo por etapas. La Subsecretaría de Comercio Exterior de la Secretaría de Economía y APEX suscribieron un Memorándum de Entendimiento sobre cooperación en materia de promoción de inversiones y fortalecimiento de capacidades.
En el sector agroalimentario se convino promover la seguridad alimentaria de las familias mexicanas y brasileñas. La parte brasileña mencionó la contribución que para ello ha significado el Paquete contra la Inflación y la Carestía. Se coincidió en la necesidad imperativa de erradicar el hambre y, en ese contexto, la Secretaría de Agricultura y Desarrollo Rural de México y el Ministerio de Agricultura y Ganadería de Brasil firmaron un Memorando de Entendimiento sobre cooperación agrícola y ganadera sostenible, para apoyar a pequeños y medianos productores, fortalecer la soberanía alimentaria, la sanidad animal y vegetal y la innovación tecnológica.
En materia de salud pública, se convino en impulsar investigaciones conjuntas para desarrollo de medicamentos y vacunas, fomentar el intercambio tecnológico, la fabricación y compra conjunta de medicamentos, la innovación en atención primaria y territorial, y capacitación de personal. México y Brasil también reconocieron los significativos avances en la implementación de mecanismos de confianza regulatoria entre la Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA) y Comisión Federal para la Protección contra Riesgos Sanitarios (COFEPRIS), tanto para la evaluación de registros sanitarios como de inspecciones de dispositivos médicos y medicamentos. En ese contexto, se firmaron un Memorando de Entendimiento entre ambas agencias sanitarias, y también otro entre la Secretaría de Salud de México, la Fundación Oswaldo Cruz (Fiocruz) y el Instituto de Tecnología de Bioinmunológicas (Bio-Manguinhos), que permitirá la cooperación en investigación, desarrollo y transferencia de tecnología en torno a la plataforma mRNA para producción de vacunas.
También se formalizó una Declaratoria de Intención entre ambos gobiernos, por conducto de la Secretaría de Energía de México y la Vicepresidencia de Brasil, sobre producción y uso de biocombustibles, que destaca su rol crucial para la descarbonización inmediata, la seguridad energética y la generación de empleo e ingreso de los hogares.
Teniendo en cuenta el compromiso asumido por ambos gobiernos en 2023, y con miras a facilitar la movilidad de turistas, estudiantes y personas de negocios de manera segura y ordenada, México anunció la inminente publicación oficial del sistema de visado electrónico para nacionales de Brasil. A su vez, Brasil indicó que el sistema de visado electrónico para nacionales mexicanos podrá entrar en funcionamiento tan pronto como esté operativo el sistema mexicano, y anunció la reciente reapertura de su Consulado General en la Ciudad de México.
México y Brasil refrendaron su deseo de trabajar conjuntamente para que los organismos y mecanismos regionales y globales sean más justos, equitativos y eficaces, a fin de brindar soluciones a los retos más acuciantes. Acordaron también trabajar en la atención a las causas estructurales de las problemáticas que afectan a las y los latinoamericanos y caribeños. Para ello, se impulsarán iniciativas concretas en foros regionales —como la Cumbre para el Bienestar Económico de América Latina y el Caribe, propuesta por la Presidenta Sheinbaum en la CELAC—, así como acciones que refuercen la presencia de América Latina y el Caribe en el debate global.
Como gesto simbólico de la profunda amistad entre México y Brasil, la Jefa de Gobierno de la Ciudad de México, Clara Brugada, hizo entrega de las llaves de la ciudad y reconoció como visitante distinguido al Vicepresidente Alckmin, quien agradeció profundamente el honor. En reunión previa, ambos intercambiaron puntos de vista sobre el papel de los gobiernos subnacionales —y en especial de las grandes urbes— para acompañar y apuntalar los esfuerzos de los Estados en la atención de los desafíos globales.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
ECONOMIA
Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras
Nos dias 15 e 23 de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos publicou duas medidas decorrentes de investigações conduzidas com base na Seção 301 de sua legislação comercial, estabelecendo sobretaxas adicionais de 25% e de 12,5% sobre parcelas das importações originárias do Brasil.
A primeira decisão refere-se à investigação específica conduzida pelos Estados Unidos em relação ao Brasil. Como resultado, foi estabelecida sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
A segunda decisão refere-se à investigação sobre práticas relacionadas à prevenção e ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. A medida estabelece sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para importações originárias de países que, segundo a avaliação norte-americana, não adotam medidas consideradas suficientes para coibir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.
No primeiro caso (Seção 301-Brasil), a decisão norte-americana inclui lista revisada de produtos excepcionados da sobretaxa, ampliando o rol constante da recomendação original apresentada em 1º de julho. Com isso, houve aumento do conjunto de itens excluídos da aplicação da medida.
Conforme a decisão dos Estados Unidos, essa medida entrou em vigor em 22 de julho de 2026, mas não se aplica a mercadorias embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que ingressem em território norte-americano até 29 de julho de 2026.
No segundo caso (Seção 301-trabalho forçado), a medida estabelece tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros, observadas as exceções e condições previstas pelo governo norte-americano. A sobretaxa integra medida mais ampla aplicada aos 60 maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos no âmbito da investigação sobre trabalho forçado. Nesse contexto, a tarifa de 12,5% foi aplicada a 41 economias, enquanto a tarifa de 10% foi aplicada a 19 economias.
Para a maior parte dos países abrangidos, essas tarifas são adicionais às tarifas-base de importação já existentes. Contudo, para um grupo de cinco economias (União Europeia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Suíça) as novas tarifas não se somam às tarifas-base, logo, passam a ser a tarifa máxima para as importações relativas aos produtos listados desses países.
Essa sobretaxa (de 10% ou 12,5%) substitui a tarifa temporária de 10% aplicada desde 24 de fevereiro de 2026 com fundamento na Seção 122 da legislação comercial dos Estados Unidos, que expirou em 24 de julho de 2026. A tarifa da Seção 122 consistia em uma sobretaxa geral incidente sobre importações de diversos países e havia sido adotada com caráter temporário, pelo prazo máximo de 150 dias previsto na legislação norte-americana.
Ademais, pelas decisões americanas, as sobretaxas de 12,5% (ou 10%) e de 25% ao amparo da Seção 301 se acumulam quando incidentes sobre um mesmo produto. Por outro lado, essas tarifas não se aplicam a mercadorias sujeitas às medidas tarifárias setoriais adotadas com base na Seção 232 da legislação norte-americana, aplicáveis, em regra, a todos os países e incidentes sobre produtos específicos.
Com base no comércio bilateral de 2024, estima-se que aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estejam sujeitas às novas sobretaxas decorrentes das investigações conduzidas com fundamento na Seção 301, distribuídas da seguinte forma:
- 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5%, incluindo, por exemplo, obras de pedra, gesso e matérias semelhantes; minérios; óleos essenciais e produtos de perfumaria; e pescados;
- 1,9% das exportações é alcançada exclusivamente pela sobretaxa de 25%, abrangendo, entre outros produtos, o açúcar; e
- 16,5% das exportações são alcançadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, sujeitam-se à sobretaxa acumulada de 37,5%, caso de produtos como máquinas e equipamentos; vários tipos de madeira; gorduras e óleos; calçados; móveis; confecções.
Dessa forma, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão alcançadas pelas sobretaxas setoriais (Seção 232) nem por tarifas amplas ou específicas aplicadas no âmbito da Seção 301, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas. Nessa categoria estão, por exemplo, café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.
Com o anúncio americano de 30/07/2025, quando as alíquotas norte-americanas para o Brasil atingiram o nível mais alto as exportações brasileiras alcançadas por tarifas específicas de 40% ou 50% impostas pelos Estados Unidos correspondiam a 35,9% do valor exportado ao mercado norte-americano.
Considerando as informações disponíveis, o panorama tarifário aplicável às exportações brasileiras para os EUA é o seguinte:
|
Exportação brasileira aos EUA, jan-dez 2024 |
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|
|
US$ bilhões |
Part. |
|
|
Total |
40,4 |
100% |
|
|
Produtos sem sobretaxas (excetuados das duas Seção 301 e não alcançados pela Seção 232) |
21,3 |
52,7% |
|
|
Produtos sujeitos somente à Seção 301 Brasil (tarifa adicional de 25%) |
0,8 |
1,9% |
|
|
Produtos sujeitos somente à Seção 301 para 60 maiores parceiros comerciais (tarifa adicional de 12,5%) |
1,9 |
4,7% |
|
|
Produtos sujeitos às duas Seções 301 (tarifa adicional de 37,5%) |
6,6 |
16,5% |
|
|
Produtos sujeitos a tarifas específicas, aplicadas, em regra, a todos os países (Seção 232) |
9,8 |
24,2% |
|
|
Listas 232 atualizadas em abril de 2026 |
|||
Contexto do Comércio Bilateral
A intensificação das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de perda recente de dinamismo do comércio bilateral. Após atingirem o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e mantiveram trajetória de queda ao longo de 2026, na esteira de sobretaxas adotadas pelos EUA.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi influenciado principalmente pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 30,4%, e de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, cujas exportações recuaram 21,7%.
Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Em termos anuais, a participação norte-americana passou de 12,0% das exportações brasileiras em 2024 para 10,8% em 2025.
As importações brasileiras de produtos originários dos Estados Unidos também apresentaram retração no primeiro semestre, contribuindo para uma redução de 12,8% na corrente de comércio bilateral.
Os dados indicam uma desaceleração das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos após os níveis historicamente elevados observados nos últimos anos. Esse movimento tem ocorrido em um ambiente de crescente incerteza quanto à política comercial norte-americana, caracterizado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e indevidas e por frequentes revisões das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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