POLÍTICA NACIONAL

Deputados e especialistas defendem “asfixia financeira” no combate ao crime organizado

Especialistas em segurança pública e parlamentares afirmaram nesta terça-feira (2), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o combate a organizações como o PCC e o Comando Vermelho, passa pela criação de novos mecanismos legais para atacar o patrimônio do crime organizado, incluindo as empresas criadas para “lavar” dinheiro.

O assunto foi discutido pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, onde tramita o Projeto de Lei 2646/25, do deputado Julio Lopes (PP-RJ) e outros. O texto prevê uma série de medidas para enfrentar as organizações criminosas e suas ramificações econômicas.

Especialista em segurança pública, o cientista político João Henrique Martins afirmou que a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que mirou a infiltração do PCC no setor de combustíveis, evidenciou que a criminalidade no Brasil tem uma característica empresarial, e que as leis atuais não conseguem lidar com isso. A operação foi deflagrada na semana passada.

“Parte do mercado legal está sendo dominado por um tipo de empresa que são as empresas do crime”, disse. Martins afirmou também que o baixo custo do crime no Brasil, com penas reduzidas e regimes de progressão de pena, estimula as organizações criminosas.

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Nova forma
O representante do Instituto Livre Mercado (ILM), Rafael Erthal, defendeu uma nova forma de combate ao crime organizado, diferente da que vem sendo feita. Segundo ele, não adianta mais ir atrás das lideranças das organizações. “O importante é constranger, é asfixiar a criminalidade organizada principalmente por meios financeiros”, disse Erthal.

Ele elogiou alguns pontos do PL 2646/25, principalmente o que permite o sequestro de bens de envolvidos com o crime organizado assim que recebida a denúncia pela Justiça, “e não mais, de forma burocrática, ao longo do processo, quando os bens já se esvaíram”.

Foco no lucro
A audiência pública foi pedida pelo presidente da Comissão de Segurança, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), também relator do PL no colegiado. O parlamentar já apresentou o parecer favorável à proposta, sem mudanças.

Segundo Bilynskyj, as facções atuam como verdadeiras empresas, com foco em lucro e expansão. Ele também concordou que prender líderes ou os integrantes já não basta. “Se houvesse uma megaoperação e prendessem 50 mil criminosos no Rio, o crime não acabaria. Porque a estrutura financeira seguiria intacta, e rapidamente haveria reposição”, afirmou.

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Também presente ao debate, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que os líderes partidários já vêm colhendo assinaturas de parlamentares para pedir a urgência para votar a proposta. O pedido agiliza a tramitação na Câmara, permitindo que o texto seja levado diretamente ao Plenário.

Outros deputados também defenderam a aprovação do projeto, como Sargento Fahur (PSD-PR), Sargento Gonçalves (PL-RN) e Coronel Meira (PL-PE).

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Lei amplia proteção a doméstica resgatada de trabalho análogo à escravidão 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, com um veto, a lei que amplia a proteção a trabalhadoras domésticas resgatadas de condições análogas à escravidão. A norma garante prioridade no acesso ao Bolsa Família, amplia de três para seis parcelas o seguro-desemprego, cria medidas protetivas e prevê programas de reinserção no mercado de trabalho para as vítimas.

Publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (2) como a Lei 15.455/26, a norma tem origem no PL 5760/23, de autoria do deputado Reimont (PT-RJ), aprovado pela Câmara em dezembro de 2024, e pelo Senado no início de junho. O texto também endurece as penas para crimes praticados contra trabalhadores domésticos e altera regras de fiscalização do trabalho na categoria.

A lei permite que juízes adotem medidas protetivas semelhantes às previstas na Lei Maria da Penha, como:

  • afastamento do agressor do domicílio ou do local de trabalho;
  • proibição de contato com a vítima e seus familiares;
  • encaminhamento da trabalhadora à rede de assistência social e psicossocial;
  • e acolhimento emergencial da vítima e sua inclusão no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
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A norma ainda aumenta a pena para lesão corporal praticada contra trabalhador doméstico e permite que a fiscalização do trabalho seja realizada mediante autorização do próprio empregado quando ele residir no local da prestação do serviço.

Segundo dados citados pelo relator do texto no Senado, o senador Paulo Paim, o Brasil registrou 2.772 resgates de pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em 2025, alta de 26,8% em relação aos 2.186 casos registrados em 2024, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Veto
O presidente vetou o dispositivo que atribuía ao Poder Judiciário a determinação da inclusão da vítima entre os beneficiários do seguro-desemprego. Na mensagem de veto, o governo argumenta que a exigência criaria uma etapa adicional para acesso ao benefício e poderia atrasar o pagamento. O Congresso Nacional ainda poderá analisar o veto.

Como denunciar
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados por meio do Sistema Ipê, canal oficial do governo federal disponível na internet. As denúncias podem ser feitas de forma anônima.

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Da Redação – AC
Com informações da Agência Senado

Fonte: Câmara dos Deputados

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