POLÍTICA NACIONAL
CCJ vota na quarta projetos relacionados a pedofilia e violência contra a mulher
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado se reúne nesta quarta-feira (27), a partir das 9h, para votar uma pauta com sete projetos de lei. Um deles proíbe a fiança em casos de pedofilia, outro tipifica o crime de violência eletrônica contra a mulher e também há uma proposta sobre crimes violentos.
Os outros projetos tratam de incentivo ao aleitamento materno, criação de cargos na Justiça do Trabalho de Minas Gerais, alterações no Código de Trânsito e uso de créditos tributários em contratos de obras e serviços de engenharia.
O presidente da CCJ é o senador Otto Alencar (PSD-BA).
Veja a seguir uma breve descrição dessas propostas.
Pedofilia
O PL 5.490/2023, apresentado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), prevê alteração no Código de Processo Penal para impedir a concessão de fiança a acusados de crimes ligados à pedofilia.
O relator da matéria, senador Marcio Bittar (União-AC), defendeu a aprovação do texto com uma emenda de redação. Esse projeto será analisado na CCJ em caráter terminativo — ou seja, se o texto for aprovado na CCJ, não precisará passar pelo Plenário do Senado (a não ser que seja apresentado recurso para isso) e poderá ser encaminhado diretamente à Câmara dos Deputados.
Violência eletrônica
A senadora Leila Barros (PDT-DF) é autora do PL 116/2020, que acrescenta a chamada violência eletrônica à lista de agressões citadas na Lei Maria da Penha.
O projeto considera formas de violência as práticas virtuais que causam constrangimento, ameaça ou exposição da mulher. Essa matéria também irá a votação na CCJ em caráter terminativo.
O relator dessa proposta é o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que apresentou voto favorável à iniciativa.
Crimes violentos
O PL 4.809/2024, elaborado pela Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado, estabelece regras mais rígidas para a persecução penal. O objetivo, segundo os defensores dessa medida, é ampliar a resposta do Estado a crimes cometidos com violência.
O texto promove alterações no Código Penal, no Código de Processo Penal, no Estatuto do Desarmamento, na Lei de Crimes Hediondos, na Lei de Drogas e na Lei de Licitações.
A matéria conta com relatório favorável do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que inclui sete emendas ao texto.
Amamentação e aleitamento
Também de autoria da senadora Leila Barros, o PL 1.630/2019 tem o objetivo de facilitar a amamentação e o aleitamento materno, tanto no ambiente escolar quanto no trabalho.
O texto propõe mudanças em diversas normas, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Marco Legal da Primeira Infância e o Regime Jurídico Único dos servidores públicos civis da União.
A matéria conta com relatório favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo, com uma emenda.
TRT-MG
O PL 2.875/2025, já aprovado pela Câmara dos Deputados, prevê a criação de cargos de juiz do trabalho substituto no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais.
A proposta, que é uma iniciativa do Tribunal Superior do Trabalho (TST), conta com relatório favorável do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo ele, a medida busca atender à crescente demanda processual da Justiça trabalhista nesse estado.
Motorista alcoolizado
O PL 1.612/2019 torna mais rígida a pena para motoristas reincidentes na infração de dirigir um carro alcoolizado. De acordo com o projeto, os reincidentes só poderão reaver a Carteira Nacional de Habilitação após avaliação médico-psicológica. O autor da proposta é o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN).
O texto também prevê que, a depender do caso, o condutor poderá ser encaminhado a um programa educativo ou a um tratamento especializado.
Veneziano Vital do Rêgo, relator da matéria, recomendou a sua aprovação com uma emenda. A proposta será analisada na CCJ em caráter terminativo.
Créditos tributários
O PL 1.252/2023, do senador Cleitinho (Republicanos-MG), modifica a Lei de Licitações e a Lei das Parcerias Público-Privadas.
O objetivo, segundo o relator da matéria, senador Marcos Rogério (PL-RO), “é permitir que os entes federados instituam programa de concessão de crédito tributário ou de quitação de multas administrativas em troca da execução ou financiamento de obra ou serviço de engenharia”.
Em seu relatório, Marcos Rogério defende a aprovação da matéria com três emendas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética
Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.
No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.
“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.
Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.
“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.
Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.
Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.
O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.
Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.
“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.
O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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