AGRONEGÓCIO

Rota Agro conecta duas potências da produção brasileira, destaca Fávaro durante leilão em São Paulo

Um dos trajetos mais importantes do país, utilizado pela agropecuária, a Rota Agro teve seu leilão realizado nesta quinta-feira (14), em São Paulo. Com 502,8 km de extensão, formada pelas BR-060/364/GO e BR-364/GO/MT, a rota liga Rio Verde (GO) a Rondonópolis (MT) e é estratégica para o escoamento da produção agrícola e industrial da região Centro-Oeste, caracterizada pelo intenso tráfego de veículos de carga e passeio.

“A Rota Agro conecta duas potências da agropecuária brasileira: Rondonópolis e Rio Verde. Investir em infraestrutura garante competitividade ao campo e a expansão da produção precisa estar alinhada a melhorias logísticas”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

A gestão do trecho passa ao Consórcio Rota Agro Brasil, vencedor do leilão com um deságio de 19,70% sobre o valor de referência. O grupo vai investir R$ 7,26 bilhões em melhorias e na reestruturação das vias ao longo dos 30 anos de concessão. O pacote de obras prevê 45 quilômetros de duplicação, 150 quilômetros de faixas adicionais, contornos viários, vias marginais, pontos de parada e descanso para caminhoneiros e quatro novas passarelas para pedestres.

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IMPACTO ECONÔMICO E SOCIAL

A expectativa do Ministério dos Transportes é que além de ampliar a capacidade de tráfego, a concessão vai proporcionar mais segurança aos motoristas, com iluminação, sinalização, monitoramento de acidentes e atendimento médico. Atualmente, 80% das rodovias de Mato Grosso estão em bom estado, ante 67% em 2022. Em Goiás, o índice chega a 86%, frente a 70% no fim de 2022. “Com este trecho concedido, toda a BR-364 passa a ser administrada pela iniciativa privada, consolidando um dos mais importantes corredores agrícolas do país”, destacou o ministro dos Transportes, Renan Filho.

A agropecuária brasileira cresceu 12,2% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Grande parte dessa produção utiliza a Rota Agro para chegar a grandes centros e portos. A combinação entre transporte de qualidade e produção agrícola crescente é apontada como um dos fatores que contribuíram para a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU.

A expectativa é de geração de mais de 64 mil empregos diretos e indiretos. “Serão mais de R$ 7,5 bilhões em investimentos, cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos e milhões de pessoas beneficiadas no coração do agro brasileiro. O planejamento bem estruturado para essas rodovias vai impulsionar a distribuição de produtos essenciais para a economia e melhorar a mobilidade da população”, afirmou Gabriel Freire, representante do consórcio vencedor.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

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A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

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O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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