POLÍTICA MT
Comissão de Defesa do Consumidor realizará audiência pública com a Ager
Durante a 5ª reunião ordinária híbrida da Comissão de Defesa do Consumidor e Contribuinte, os deputados analisaram e votaram cinco projetos de lei. No encontro desta terça-feira (12), o presidente da comissão, deputado Faissal (Cidadania), marcou uma audiência pública para o dia 9 de setembro, às 9 horas, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com representantes da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso (Ager-MT) para discutir o relatório semestral da agência sobre o transporte intermunicipal de passageiros.
“A discussão é motivada por recentes tragédias, como o acidente envolvendo um ônibus e um caminhão na rodovia BR-163, que resultou na perda de onze vidas. Estou preocupado com a segurança e a qualidade do transporte, especialmente em relação à duplicação da rodovia, prevista no contrato de concessão há mais de dez anos, mas ainda não realizada. A audiência pública buscará avaliar as ações da Ager para aprimorar o transporte coletivo de passageiros e garantir a segurança dos usuários”, explicou ele.
Na reunião de hoje, uma das matérias analisadas foi o Projeto de Lei 909/2025, da deputada Janaina Riva (MDB), que dispõe sobre a proteção do consumidor em contratações digitais com período gratuito de uso.
“A proposta da deputada visa impedir a contratação automática de serviços digitais no estado. Isso significa que, para que a cobrança de um serviço se torne válida, o consumidor precisará confirmar sua aceitação novamente, utilizando mecanismos como reconhecimento facial ou assinatura eletrônica”, disse o deputado.
Para Faissal, o projeto representa um avanço significativo na proteção dos consumidores, impedindo que sejam vítimas desse tipo de golpe.
“O projeto aborda um golpe comum na internet, no qual aplicativos aparentemente gratuitos cobram mensalidades abusivas, muitas vezes difíceis de cancelar. A iniciativa da deputada Janaina, com o apoio de seu conhecimento e experiência, propõe uma solução para essa prática, acho muito interessante essa iniciativa”, afirmou ele.
Veja os projetos votados:
PL 226/2024. Apenso PL 1543/2024. Autor: deputado Elizeu Nascimento. Proíbe que as operadoras de planos de assistência médico hospitalar que exerçam suas atividades no estado de Mato Grosso recusem a contratação de plano de saúde pretendido pelo consumidor, com base única e exclusivamente em sua inscrição no cadastro negativo de órgão de restrição de crédito. Aprovado, e pela prejudicialidade do projeto em apenso.
PL 909/2025. Janaina Riva. Dispõe sobre a proteção do consumidor em contratações digitais com período gratuito de uso no âmbito do estado de Mato Grosso e dá outras providências. Favorável.
PL 944/2025. Janaina Riva. Dispõe sobre normas de transparência, proteção de dados pessoais e garantia de direitos nas operações de crédito consignado contratadas por servidores públicos estaduais ativos, inativos e pensionistas no estado de Mato Grosso. Favorável.
PL 1068/2025. Valdir Barranco. Veda, no estado de Mato Grosso, a publicidade, o patrocínio e a promoção de jogos de azar eletrônicos, bem como apostas que envolvam resultados de eleições, e dá outras providências. Favorável.
PL 340/2025. Gilberto Cattani. Estabelece diretrizes de atendimento a consumidores rurais de energia elétrica no estado de Mato Grosso. Rejeição. Anteriormente, retirado de pauta na 4ª reunião ordinária em 17/06/2025.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Flávio Bolsonaro promete manter programas sociais, mas não garante aumento real do salário mínimo
Site de campanha do candidato do PL afirma que benefícios serão preservados e prevê correção do piso pela inflação, sem detalhar a política de valorização nem possíveis mudanças no BPC.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) lançou um site para responder a notícias que considera falsas e apresentar posicionamentos de sua campanha. Entre os temas abordados estão o salário mínimo, os programas sociais, a jornada de trabalho e o escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Sobre o salário mínimo, o candidato afirma que não pretende extinguir o piso nacional nem desvinculá-lo da inflação. No entanto, o material divulgado não apresenta compromisso explícito com reajustes acima da inflação, mecanismo que garante aumento real do poder de compra dos trabalhadores.
A política de valorização retomada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023, prevê a correção pela inflação medida pelo INPC, somada à variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB), respeitados os limites fiscais em vigor. Durante o governo Jair Bolsonaro, o salário mínimo teve reajustes baseados na inflação, sem ganho real na maior parte do período.
O tema se tornou um dos pontos de disputa na campanha presidencial. Lula afirma que propostas de ajuste fiscal defendidas por integrantes da equipe de Flávio podem atingir políticas sociais. O candidato do PL, por sua vez, nega que pretenda concentrar medidas de contenção de gastos sobre a população mais pobre, embora seus assessores defendam uma redução das despesas públicas.
No site de campanha, Flávio afirma que o Bolsa Família e os demais programas assistenciais serão mantidos. A proposta apresentada prevê aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes, mas não detalha possíveis mudanças nos critérios de concessão ou nos valores dos benefícios.
A mesma falta de detalhamento aparece na abordagem sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendem aos critérios legais. Questionada sobre uma eventual redução do benefício, a campanha afirma que os programas sociais existentes serão preservados, mas não esclarece se haverá alterações na política de valorização.
Após a publicação de reportagem sobre o tema, Flávio se comprometeu publicamente a conceder reajustes nas aposentadorias acima da inflação. Ainda assim, o plano divulgado não apresenta detalhes suficientes para determinar como essa promessa seria implementada ou como se relacionaria com as despesas previdenciárias.
A campanha também aborda o programa Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes no ensino médio. O candidato nega que pretenda extinguir a iniciativa e classifica como equivocada a interpretação de que a proposta de redução de despesas significaria o fim do programa.
Outro tema incluído no site é a jornada de trabalho. Flávio menciona a proposta de flexibilização defendida pelo coordenador político de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), em oposição ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade para um de descanso.
Segundo a campanha, a proposta prevê remuneração por hora trabalhada e manutenção de direitos como FGTS, férias e 13º salário. O material, porém, não detalha como a flexibilização seria regulamentada nem quais garantias seriam adotadas para evitar perda de renda ou de proteção trabalhista.
Banco Master e BRB também entram no debate
O site de Flávio dedica espaço ao caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. O candidato afirma que não utilizará recursos de aposentados para cobrir prejuízos relacionados ao caso e sustenta que o presidente da República não tem ingerência direta sobre o banco regional.
O material não menciona conversas entre Flávio e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nem aborda o repasse de ao menos R$ 65 milhões ao filme sobre Jair Bolsonaro, pontos citados na reportagem original. A campanha afirma que trabalhará para preservar a solidez e a confiabilidade das instituições financeiras brasileiras.
A discussão também envolve o governo do Distrito Federal. A governadora Celina Leão (PP), aliada de Flávio, defendeu um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para enfrentar a crise do BRB. O presidente Lula, por sua vez, afirmou que o governo federal não pretende repassar recursos para cobrir prejuízos do banco.
As propostas divulgadas indicam as principais linhas de discurso econômico e social da candidatura, mas deixam questões em aberto sobre a execução das medidas. Entre os pontos que ainda exigem esclarecimento estão a política de reajuste real do salário mínimo, eventuais mudanças no BPC e os efeitos de uma política de contenção de gastos sobre os programas sociais e a Previdência.
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