ECONOMIA

Acordo Mercosul-UE deve ser assinado no segundo semestre, defende Lula em Paris

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua determinação em assinar o acordo entre Mercosul e União Europeia no segundo semestre de 2025 durante a liderança do Brasil no bloco regional do qual faz parte. A demonstração de confiança foi feita por ocasião de reunião bilateral com o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, nesta semana, em Paris.

De acordo com Lula, “é a melhor resposta que nossas regiões podem dar diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e protecionismo tarifário”.

Esse posicionamento foi reforçado pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, que integrou a comitiva presidencial em Paris. Ele participou do Fórum Econômico Brasil-França, realizado sexta-feira (6) na capital francesa.
Para Márcio Elias Rosa, a importância do acordo Mercosul-União Europeia para alavancar as relações entre os dois blocos ficou fortalecida com a fala de Lula . “O acordo é fruto do multilateralismo e foi construído com base em um consenso”, disse o secretário-executivo.

Ele destacou também a importância do fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países para ampliar o fluxo comercial. “A construção das soluções passa necessariamente pelo diálogo, por saber ouvir, por conhecer as demandas e encontrar soluções compatíveis com o resultado que nós queremos chegar, que é a promoção do desenvolvimento econômico, da sustentabilidade ambiental e econômica, gerando emprego e renda e aplacando desigualdade” afirmou ao discursar para uma plateia de empresários e políticos dos dois países.

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A ampliação da presença empresarial brasileira na França foi defendida por Márcio Elias Rosa. “É preciso que nós façamos também investimentos aqui. É hora de promover a integração das cadeias produtivas”, afirmou. Atualmente, há mais de 1.200 empresas de capital francês no território brasileiro. A França é um dos maiores investidores estrangeiros direto no Brasil, com um estoque de US$ 66 bilhões.

Nessa sexta-feira (6/6), um grupo de cerca de 15 grandes empresários franceses com negócios no Brasil em setores variados anunciou a perspectiva de investir R$ 100 bilhões no Brasil até 2030.

Relações comerciais
Em 2024, as exportações brasileiras para a França somaram quase US$ 3 bilhões, enquanto as importações ultrapassaram os US$ 6 bilhões, totalizando uma corrente de comércio superior a US$ 9,15 bilhões, crescimento de 8,5%.

Um fluxo comercial que está muito aquém da potencialidade desses mercados, segundo Márcio Elias Rosa. Ele avalia que há espaço para expandir e reequilibrar esses fluxos, com maior presença do setor industrial nacional na França.

O Ministro Delegado Encarregado do Comércio Exterior da França, Laurent Saint-Martin também avalia que há espaço para ampliar o intercâmbio comercial. “Precisamos também aumentar substancialmente os investimentos franceses no Brasil e os investimentos brasileiros na França. Não partimos do zero”, disse. Saint-Martin chega ao Brasil no fim deste mês, com uma delegação empresarial.

Integração
Ainda durante seu discurso, o secretário-executivo destacou o compromisso do governo brasileiro com a Nova Indústria Brasil (NIB), que tem entre seus pilares promover a descarbonização do parque industrial.

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“Poucos países permitem a produção industrial com menor emissão de gases de efeito estufa. No Brasil, um painel solar, na produção, emite 80% menos gases de efeito estufa do que em outros locais. A produção de veículos emite cerca de 50% menos gases de efeito estufa”, disse, durante seu discurso no fórum, que foi encerrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele avalia que, com maior integração produtiva, entre os dois países, os resultados serão muito positivos. “Com o fortalecimento das cadeias de suprimento, com brasileiros investindo aqui, franceses lá, contribuirá para aplacar também a emergência climática, além de atender à segurança alimentar.

Integrante da comitiva presidencial, o secretário Márcio Elias Rosa acompanhou a agenda de compromissos do presidente Lula na França, no segundo dia da viagem de Estado a esse pais europeu, em que foram assinados sete atos em áreas como saúde, transporte marítimo, energia e bioeconomia.

Foi firmado também um Memorando de Entendimento (MoU) entre a ApexBrasil e a Business France, que fortalece a cooperação para promoção de exportações e internacionalização de empresas; compartilhamento de análises em inteligência de mercado; participação em atividades de promoção comercial e, ainda, o desenvolvimento de ações conjuntas para promover e fortalecer fluxos de investimentos.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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ECONOMIA

BIM na Prática leva transformação digital a pequenas e médias empresas da construção civil em 8 estados

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram nesta quinta-feira (2/7) o programa Construção 4.0 – BIM na Prática, que oferecerá consultoria especializada e gratuita para a implantação da metodologia BIM (Building Information Modeling) em pequenas e médias empresas da construção civil. Com os primeiros atendimentos previstos para julho deste ano e investimento de R$ 1,9 milhão, o projeto-piloto atenderá até 60 empresas em oito estados das cinco regiões do país até 2027.

O lançamento marca mais uma ação voltada à transformação digital da construção civil brasileira. O piloto será realizado nos estados de Rondônia, Bahia, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, levando atendimento personalizado às empresas para aumentar a produtividade, reduzir retrabalho e melhorar a gestão de obras por meio da implementação do BIM. A iniciativa também servirá de base para uma futura expansão nacional do programa.

“O BIM na Prática foi criado para aproximar a inovação da realidade das pequenas e médias empresas da construção. Mais do que oferecer capacitação, o programa leva consultoria especializada para dentro das empresas, ajudando na implementação efetiva da metodologia e na modernização dos processos produtivos”, destaca o presidente da ABDI, Olavo Noleto.

Segundo Noleto, o programa nasce com uma característica fundamental: a regionalização.

“Uma pequena ou média empresa da construção no Nordeste, no Centro-Oeste ou no Sul terá a mesma oportunidade de receber apoio especializado que uma empresa de São Paulo. Esse equilíbrio regional foi um dos princípios que orientaram a construção do programa”, acrescenta.

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Para o diretor de Desenvolvimento da Indústria de Bens de Consumo Não Duráveis e Semiduráveis do MDIC, Rafael Codeço, o programa marca uma nova etapa da Estratégia BIM BR.

“Depois de avanços importantes na estruturação da política pública, na capacitação e na difusão do BIM, agora vamos levar essa política diretamente para dentro das empresas, apoiando sua adoção efetiva pelo setor produtivo”, disse ele.

Dados de 2024 da Sondagem da Construção da Fundação Getúlio Vargas mostram que a transformação digital já começa a ganhar corpo no setor: a parcela de empresas brasileiras de construção que utiliza Building Information Modeling (BIM) passou de 9,2% em 2018 para 20,6% em março de 2024, chegando a 37,2% entre as empresas de edificações residenciais. Apesar do avanço, a pesquisa indica que 61,5% das empresas ainda não usam BIM, evidenciando a relevância de programas como o Construção 4.0 – BIM na Prática, que combina consultoria e capacitação para transformar a intenção de modernização em uso efetivo da metodologia nos projetos e obras.

Piloto com atendimento personalizado

O programa será executado pelo SENAI e contará com consultores especializados em BIM distribuídos nas regiões atendidas. As empresas participantes receberão acompanhamento individualizado em dois ciclos de consultoria.

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No primeiro ciclo, com carga de 120 horas por empresa, serão realizados diagnóstico de maturidade BIM, elaboração de um Plano de Implantação BIM personalizado e acompanhamento técnico para definição de processos e padrões. Já o segundo ciclo, direcionado às empresas com maior nível de prontidão, prevê 180 horas de implementação assistida em projetos reais, além de workshops e avaliação dos resultados alcançados.

Transformação digital da construção

A metodologia BIM integra em um único modelo digital informações de projetos, cronogramas, orçamentos e manutenção das obras, contribuindo para o aumento da produtividade, redução de erros e retrabalho, além de melhorar a colaboração entre equipes.

O BIM na Prática integra as ações da Nova Estratégia BIM BR e contribui para os objetivos da Nova Indústria Brasil, reforçando o compromisso com a modernização e a digitalização do setor da construção civil.

Quem pode participar

Nesta fase piloto, podem participar pequenas e médias empresas da construção civil e, também, escritórios de arquitetura e engenharia que atendam aos critérios de porte, atividade econômica e localização nos estados contemplados pelo programa. A participação é gratuita e as inscrições são realizadas pela plataforma oficial da iniciativa. Acesse em PLATAFORMA BIM.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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