AGRONEGÓCIO

Embrapa cria “protetor” para proteger folhas e frutos do sol

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com uma empresa do setor agrícola, desenvolveu um inovador protetor solar para plantas, voltado para reduzir a queima de folhas e frutos, aumentar a resistência das culturas e melhorar a produtividade.

O produto, denominado Sombryt BR, passou por testes em diversas culturas, como abacaxi, banana, citros, mamão, manga e maracujá, demonstrando alta eficiência na proteção contra danos físicos e no fortalecimento das plantas diante de condições adversas.

No Semiárido baiano, os testes focaram na cultura do maracujá, com ênfase na resistência ao estresse hídrico. Os resultados apontaram melhorias significativas na fotossíntese, transpiração e eficiência no uso da água, refletindo diretamente no aumento da produtividade. Os estudos indicaram um crescimento de 28% na fotossíntese, 9% na transpiração e 17% na eficiência hídrica.

A tecnologia desenvolvida apresenta aplicabilidade simplificada, podendo ser diluída em água e aplicada por meio de pulverizadores convencionais ou drones. Essa característica facilita a adoção do produto por pequenos, médios e grandes produtores, permitindo uma cobertura eficiente e homogênea.

A produção industrial do Sombryt BR já está estruturada para atender à demanda inicial, com capacidade de 100 mil litros por ano. O custo estimado do produto varia entre R$ 80 e R$ 100 por litro, com recomendação de uso entre 300 ml e 1,5 litro por hectare a cada aplicação.

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Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento das temperaturas, soluções tecnológicas para mitigar os impactos do calor sobre a produção agrícola tornam-se cada vez mais necessárias. O Sombryt BR se destaca como uma alternativa inovadora para preservar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras, reduzindo perdas por queimaduras solares e otimizando o aproveitamento da água pelas plantas.

A classificação do produto como fertilizante mineral simples à base de carbonato de cálcio amplia sua aplicabilidade em diferentes sistemas de cultivo, tanto orgânicos quanto convencionais. Os testes indicam redução de até 20% nos danos físicos aos frutos e um aumento médio de 12% na produtividade das laranjeiras da variedade pera, sob diferentes condições de irrigação.

Desde 2021, os testes do Sombryt BR foram conduzidos em diversas regiões do Brasil, apresentando impactos positivos na produtividade das lavouras. No município de Rio Real (BA), por exemplo, a tecnologia foi testada em citros por três colheitas consecutivas, com incremento de até 17% na produção de pomares sem irrigação. No Rio Grande do Norte, os experimentos com mamão apontaram uma melhoria de 18% na firmeza da polpa e um aumento de 20% na massa dos frutos.

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No caso do abacaxi, estudos realizados em Itaberaba (BA) indicaram uma redução de 20% nos danos provocados pelo sol, trazendo benefícios especialmente para os produtores orgânicos, que anteriormente utilizavam métodos alternativos, como a cobertura dos frutos com papel jornal. Já na cultura da manga, testes realizados em fazendas na Bahia e Pernambuco registraram uma redução de 20% na incidência de queimaduras solares, melhorando a qualidade comercial dos frutos.

A expectativa é que o Sombryt BR seja lançado comercialmente em breve, proporcionando uma solução eficaz para aumentar a resiliência das culturas e contribuir para uma produção agrícola mais sustentável e rentável.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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