POLÍTICA NACIONAL
Comissão de Ciência e Tecnologia aprova projeto que cria Programa de Fomento às Cidades Criativas
A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou, em novembro, proposta que institui o Programa de Fomento às Cidades Criativas.
O objetivo é promover o desenvolvimento socioeconômico e cultural dos estados e municípios brasileiros por meio da valorização e promoção da criatividade em diversas áreas, como cultura, arte, design, tecnologia, gastronomia e artesanato.
O texto aprovado é o substitutivo da relatora, deputada Nely Aquino (Pode-MG), ao Projeto de Lei 5869/23, da deputada Yandra Moura (União-SE). No substitutivo, a relatora fez ajustes na proposta original.
“Trocamos a expressão ‘governo federal’ por União, que consideramos mais adequada. Incluímos também o Distrito Federal entre os entes federativos, por simetria”, explicou a relatora. “Excluímos ainda a menção direta à competência exclusiva do Ministério da Cultura, sob risco de incidência de vício da iniciativa, e inserimos a promoção do patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico entre as diretrizes do programa”, acrescentou.
Diretrizes
Pela proposta aprovada, o programa terá como diretrizes, entre outras:
– estimular a diversidade cultural e a inovação nos municípios brasileiros;
– promover a inclusão social e a geração de empregos;
– valorizar e preservar o patrimônio cultural e histórico dos estados e municípios;
– estimular a formação e capacitação de profissionais nas áreas criativas;
– fomentar parcerias entre o setor público, o setor privado e a sociedade civil para o desenvolvimento de projetos criativos;
– incentivar a criação de espaços de coworking, incubadoras de startups e centros de inovação nos estados e municípios; e
– promover o turismo criativo, valorizando as expressões culturais e artísticas locais.
Execução
O programa deverá ser coordenado, implementado e fiscalizado pelo Poder Executivo federal em parceria com os órgãos responsáveis pelas áreas de cultura, ciência, tecnologia, inovação e comunicação. A cada três anos, os resultados do programa deverão ser avaliados.
A União deverá ainda estabelecer critérios e indicadores de avaliação para selecionar os projetos que receberão apoio financeiro e técnico do programa e poderá disponibilizar recursos financeiros para os estados, Distrito Federal e municípios participantes, por meio de convênios, contratos de repasse ou outras modalidades de transferência de recursos.
Os entes interessados em participar deverão apresentar um plano de ação contendo as atividades e projetos a serem desenvolvidos, especificando o montante dos recursos necessários para sua implementação.
“Ao fomentar a criatividade em diversas áreas, esse programa não só valoriza a rica diversidade cultural do País, mas também cria oportunidades econômicas e sociais, contribuindo significativamente para o progresso das cidades e comunidades brasileiras”, avaliou Nely Aquino.
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Cultura; de Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, a medida precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Reportagem – Lara Haje
Edição – Marcelo Oliveira
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Receita Federal anuncia mudanças no programa de compras no exterior para evitar entrada de produtos irregulares
Ainda neste ano, a Receita Federal deve adotar um sistema que vai excluir do seu programa de compras no exterior, o Remessa Conforme, as plataformas de comércio internacional que permitirem a venda de produtos subfaturados, falsificados ou que apresentem outros tipos de ilegalidades.
O coordenador de Administração Aduaneira da Receita, Fabrício Betto, anunciou as mudanças em audiência pública da comissão externa da Câmara dos Deputados sobre pirataria.
Segundo ele, a fiscalização das encomendas será aprimorada ainda neste ano com o uso de inteligência artificial para analisar o conteúdo dos pacotes. As imagens geradas por scanner serão comparadas com as descrições das compras. As empresas que registrarem menos de 98% de conformidade serão excluídas do Remessa Conforme.
Segundo Fabrício, as plataformas têm interesse em identificar os maus vendedores. Ele citou como exemplo o caso de camisetas falsificadas de clubes esportivos. “Hoje temos um rito para aplicar o perdimento nessa mercadoria, que é um tanto quanto trabalhoso. E, num universo de quase 200 milhões de pacotes, dá para se ter uma ideia da dificuldade. Há que se exigir do representante da marca a comprovação, a manifestação”, cobrou o coordenador.
“O que as plataformas estão fazendo? Porque isso é ponto negativo para elas! Então, logo que elas detectam isso a partir de uma provocação nossa, a própria plataforma já exclui o vendedor do seu ambiente”, disse.
Sem intermediários
O novo Remessa Conforme 2.0, como está sendo chamado na Receita, vai estabelecer uma comunicação direta de dados entre a Receita e as plataformas, evitando intermediários.
A ideia é que, antes que um novo anúncio seja publicado, a Receita possa avaliar se o produto pode ser enviado para o Brasil.
Fabrício Betto explicou que um dos objetivos é evitar a fiscalização apenas quando a encomenda chega ao país, porque a quantidade de remessas não para de crescer. Após a volta da isenção tributária para pequenas compras no exterior em maio, Fabrício afirma que o movimento já aumentou 30%.
Também será minimizado o problema de vazamento de dados dos destinatários, que acabam sendo alvo de golpes.

Falsificações na agricultura
O deputado Julio Lopes (PP-RJ) elogiou o trabalho da Receita e afirmou que é preciso tratar a pirataria de forma especializada em todos os órgãos públicos. E citou o problema de sementes fabricadas em desacordo com a regulação nacional.
“Os caminhões de sementes transgênicas feitas fora das regras e fora das normas são aprisionados e não há conhecimento da Polícia Rodoviária Federal, nem da Polícia Federal, nem de órgão nenhum para fazer a apreensão da mercadoria. Então, eles têm sido liberados”, criticou.
O parlamentar alerta que sementes feitas fora das normas podem gerar pragas nas colheitas brasileiras.
O deputado sugeriu ainda que a Receita cruze dados dos 47 milhões de CPFs que fazem compras no exterior com as suas rendas declaradas. Segundo ele, isso deve revelar irregularidades.
200 milhões de pacotes
De acordo com a Receita Federal, as encomendas do exterior passaram de cerca de 30 milhões de pacotes em 2019 para mais de 200 milhões em 2023. Para este ano, é esperada uma arrecadação recorde com as encomendas, equivalente a 10% de todo o volume importado pelo país, ou R$ 5 bilhões.
Para Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, a alta carga tributária é um dos fatores que aumenta a comercialização de produtos ilegais. Ele mostrou preocupação com os efeitos da volta da isenção para pequenas compras no exterior e com o novo Imposto Seletivo da reforma tributária.
Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
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