POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova programa para fabricação de fertilizantes no Brasil

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou em 26 de novembro projeto de lei que institui o Programa Emergencial para Fabricação de Amônia e Ureia (Pefau). O texto prevê a concessão de subsídio ao preço do gás natural, principal insumo usado pelos fabricantes de fertilizantes.

O montante anual destinado ao subsídio, no orçamento federal, será limitado a R$ 1,7 bilhão. O recurso vai ser usado para pagar a diferença entre o preço do gás natural contratado pelos fabricantes e o valor de referência fixado na proposta (quatro dólares por milhão de BTU).

O texto aprovado foi o substitutivo da relatora, deputada Coronel Fernanda (PL-MT), ao Projeto de Lei 4338/23, de autoria do deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA). O objetivo da proposta, segundo o autor, é reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes estrangeiros – o país é o maior importador mundial do produto.

A redação aprovada prevê ainda:

  • o Pefau terá vigência de 10 anos, a partir da entrada em vigor da lei;
  • o governo não será obrigado a fornecer novo subsídio caso o valor se esgote antes do fim do ano;
  • regulamento estabelecerá as condições para habilitação dos beneficiários no programa;
  • será possível o pagamento retroativo referente a compras de gás natural antes da vigência da lei; e
  • a Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA) poderá comercializar gás natural diretamente para os beneficiários do Pefau, por meio de leilão.
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A PPSA é a estatal que administra os contratos de partilha da União na exploração da camada pré-sal.

Resposta
Durante a votação do projeto, a relatora disse que o Pefau é essencial para fortalecer o agronegócio brasileiro. “O projeto é uma resposta estratégica para reduzir a dependência externa e aumentar a competitividade da nossa produção agrícola”, disse Coronel Fernanda.

A deputada excluiu do projeto original um dispositivo que autorizava a concessão de subvenção ao preço do gás natural por meio de linhas de crédito rural. Ela afirmou que a medida foge dos objetivos do Pefau.

Próximos passos
O projeto, que está sendo analisado na Câmara em caráter conclusivo, ainda será votado nas comissões de Desenvolvimento Econômico; de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Marcia Becker

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Projeto isenta setor agropecuário de corte linear em incentivos tributários

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 34/26, do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), exclui os incentivos tributários do setor agropecuário da redução linear de benefícios fiscais federais prevista na Lei Complementar 224/25. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

A lei instituiu um regime de revisão estrutural de incentivos e benefícios tributários federais, com corte linear e poucas exceções. O projeto busca incluir entre essas exceções os tratamentos tributários relativos a insumos agropecuários e aos créditos presumidos vinculados à cadeia do agro (desde sementes e adubos ao frango, porco, laranja, café, algodão e outros produtos).

Impacto estimado
Segundo Lupion, a redução linear poderia gerar um impacto de aproximadamente R$ 4,3 bilhões apenas em insumos agropecuários – como defensivos, sementes, adubos e fertilizantes – e de R$ 1,5 bilhão na distribuição desses produtos.

Estudos setoriais citados pelo autor apontam ainda efeitos sobre cadeias como: soja e biodiesel (cerca de R$ 500 milhões), aves, ovos e suínos (entre R$ 350 e R$ 400 milhões), lácteos (cerca de R$ 280 milhões) e carne bovina (cerca de R$ 520 milhões).

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Para Lupion, esses números mostram que os incentivos em questão não funcionam como privilégio setorial, mas como mecanismos de neutralidade econômica para evitar a cumulatividade tributária em cadeias produtivas longas e intensivas em insumos.

A aplicação do corte linear sobre insumos agropecuários e créditos presumidos recompõe carga tributária justamente onde o sistema deveria garantir neutralidade de custos, na opinião de Lupion. “A redução linear, aplicada sem distinção entre ‘gasto tributário’ e ‘incentivo de neutralidade produtiva’, termina por internalizar tributo como custo, reforçando cumulatividade econômica e deteriorando a competitividade do agro brasileiro”, argumentou.

O deputado alerta ainda para o risco de repasse inflacionário, especialmente em alimentos e combustíveis, com impacto direto sobre o poder de compra da população.

Próximos passos
Ainda não foram definidas as comissões que analisarão o texto. O Plenário da Câmara aprovou, em maio, regime de urgência para o projeto; com isso, ele pode ser votado diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara.

Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei complementar

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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