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Produtor de soja deve preencher cadastro contra ferrugem asiática

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No estado de São Paulo, o cadastro de Unidade Produtora (UP) é obrigatório no Sistema Informatizado de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave). O alerta para o preenchimento do cadastro é da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. 

Segundo o comunicado da secretaria, a medida visa cumprir o procedimento previsto no Programa Nacional da Ferrugem Asiática da Soja – Phakopsora pachyrhizi (PNCFS) – além de exercer um papel importante para o monitoramento do cumprimento do período de vazio sanitário. 

Para aumentar o número de adesão ao cadastro, a Defesa Agropecuária informou que irá intensificar as ações de fiscalização nesta safra 2022/2023. Para isso, técnicos de apoio e agrônomos serão enviados até revendas de agrotóxicos para coletar informações acerca das propriedades que adquiriram tais produtos. 

“Com essa informação, as regionais irão cruzar os dados com as propriedades cadastradas no Gedave e notificar as que não estão cadastradas”, comentou em nota a agrônoma, Camila Baptista.

Além dessas ações, cartazes informativos e folders serão colocados em sindicatos rurais e outros estabelecimentos, para informar os produtores da necessidade do cadastro.

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Fonte: AgroPlus

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AGRONEGÓCIO

Exportação cresce, mas excesso de carne derruba renda

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O Brasil nunca vendeu tanta carne suína, mas o avanço dos embarques não chegou ao bolso do produtor. A produção cresceu mais do que a capacidade de consumo dos mercados interno e externo, derrubou as cotações e levou o suíno vivo ao menor preço real em 24 anos na principal referência paulista.

Entre janeiro e julho, o país exportou 925,6 mil toneladas de carne suína, aumento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também cresceu, mas apenas 5,8%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A diferença mostra que o valor recebido por tonelada já vinha diminuindo.

Os dados parciais de agosto aprofundaram esse movimento. Nos primeiros 15 dias úteis do mês, o volume médio embarcado por dia aumentou 2,4% na comparação anual. O preço médio da carne exportada, entretanto, caiu 9,2%, provocando uma redução de 7% na receita diária.

Isso significa que o mercado internacional está retirando mais carne do Brasil, mas pagando menos pelo produto. As exportações ajudam a escoar parte da produção, porém perderam capacidade de sustentar os preços pagos pelos frigoríficos aos criadores.

Dentro do país, o aumento da oferta foi ainda mais intenso. O abate chegou a 15,58 milhões de suínos no segundo trimestre, alta de 3,2% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo continuou elevado em julho e agosto, enquanto o consumo doméstico não avançou na mesma proporção.

Com mais animais disponíveis, os frigoríficos conseguiram preencher as escalas sem disputar lotes. A indústria reduziu as propostas de compra, e o efeito chegou rapidamente ao produtor independente, que negocia diretamente o suíno terminado e está mais exposto às oscilações do mercado.

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Na região paulista conhecida como SP-5, o animal posto na indústria foi negociado por uma média de R$ 4,97 por quilo em agosto. Depois de descontada a inflação, esse foi o menor preço da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada em março de 2002.

Até então, a menor média real havia sido registrada em julho de 2006, quando o quilo equivalia, em valores atualizados, a R$ 5,06. Em julho deste ano, o suíno paulista valia R$ 5,18 por quilo.

A diferença de R$ 0,21 por quilo entre julho e agosto parece pequena, mas representa uma perda de R$ 25,20 na comercialização de um animal de 120 quilos. Em uma carga com 100 suínos desse peso, a redução da receita chega a R$ 2.520 em apenas um mês, antes do desconto de transporte, impostos e demais despesas.

Outro levantamento, realizado pela consultoria Safras & Mercado, mostra que o preço médio do suíno vivo no Centro-Sul caiu de R$ 5 para R$ 4,77 por quilo em agosto. Para um animal de 120 quilos, a retração representa R$ 27,60 a menos na receita bruta do produtor.

A queda do animal vivo foi mais intensa que a desvalorização da carne. A carcaça recuou 2,91% no mês, para R$ 7,50 por quilo, enquanto o pernil perdeu 1,19% no atacado e terminou agosto cotado a R$ 9,49. Essa diferença indica que uma parcela maior do ajuste recaiu sobre o criador.

No Rio Grande do Sul, representantes da suinocultura afirmam que produtores já estão vendendo abaixo do custo de produção. O problema não teria sido provocado por uma disparada das despesas com ração, uma vez que milho e farelo de soja permaneceram relativamente estáveis, mas pela forte queda no valor pago pelo suíno a partir do segundo trimestre.

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A situação também mostra que crescimento da produção não significa necessariamente aumento da renda. Quando o número de animais avança mais depressa que o consumo, o resultado pode ser uma disputa entre produtores para colocar o suíno no frigorífico, com transferência de renda do campo para as etapas seguintes da cadeia.

O ajuste não acontece rapidamente. Os animais que já estão nas granjas continuarão chegando ao peso de abate, mesmo que os produtores reduzam agora o alojamento ou interrompam planos de expansão. Essa característica biológica prolonga os períodos de excesso de oferta.

O último trimestre costuma trazer alguma recuperação do consumo, favorecida pelas festas de fim de ano. Uma reação também poderá ocorrer se as exportações mantiverem o crescimento e recuperarem valor. Ainda assim, representantes do setor avaliam que uma eventual alta pode não ser suficiente para devolver imediatamente a rentabilidade às propriedades.

O desafio da suinocultura, portanto, deixou de ser apenas produzir e exportar mais. Para que o crescimento seja sustentável, a expansão dos plantéis precisa acompanhar a capacidade real de consumo e a disposição dos compradores de pagar pela carne. Sem esse equilíbrio, o recorde de produção aparece nas estatísticas, enquanto o prejuízo permanece na granja.

Fonte: Pensar Agro

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