AGRONEGÓCIO
Presidente da CNA se reúne com ministro da Pesca, Pecuária e Lácteos da Índia
Brasília (20/05/2022) – O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, se reuniu com o ministro da Pesca, Pecuária e Lácteos da Índia, Parshottam Khodabhai Rupala, na quinta (19), na sede da entidade, em Brasília, para tratar de temas de interesse comum relacionados ao agro, como comércio e segurança alimentar.
O ministro está no país, acompanhado de uma delegação formada por representantes do governo e empresários indianos, para uma série de compromissos e reuniões com lideranças do agro e autoridades brasileiras.
No encontro, João Martins agradeceu a vinda da comitiva do país asiático e destacou o trabalho da CNA como entidade representativa dos produtores rurais no Brasil.

O vice-presidente de Relações Internacionais da CNA, Gedeão Pereira, apresentou a estrutura institucional do Sistema CNA/Senar e a importância da agropecuária brasileira para a economia do país e para a oferta global de alimentos.
“O Brasil é o maior produtor e exportador de soja, café, suco de laranja e açúcar. Somos também os maiores exportadores de carne bovina e de frango. Os nossos principais mercados compradores são China, União Europeia e Estados Unidos”, disse.
O embaixador Suresh Reddy agradeceu o convite da Confederação e afirmou que a Índia e o Brasil, como duas potências agropecuárias, precisam cooperar cada vez mais para superar os desafios das mudanças climáticas e da segurança alimentar do mundo.
Segundo o embaixador, as exportações do agro brasileiro para a Índia aumentaram no último ano, mas há potencial para expandir as vendas externas. “O Brasil precisa olhar para o mercado indiano. Existem muitos produtos que podem ser exportados”.

O diretor do Instituto Central de Produção e Treinamento de Sêmen Congelado da Índia, Arun Prasad, explicou que uma das propostas da vinda da delegação ao Brasil é conhecer a tecnologia utilizada na pecuária leiteira, como as soluções genômicas e a inseminação artificial.
A Índia possui uma população de 190 milhões de cabeças de gado, sendo 76% de zebuínos voltados para a produção leiteira. Em 2019/2020, foram produzidas 198,4 milhões de toneladas de leite no país.
Participaram do encontro o diretor executivo da UPL, Vikram Shroff, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal, e o diretor do Departamento de Energia e Promoção do Agronegócio do Ministério de Relações Exteriores, Alexandre Peña Ghisleni.
Estiveram presentes ainda os vice-presidentes da CNA, deputado José Mario Schreiner, e Mário Borba, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, além de representantes da embaixada da Índia no Brasil e do Ministério da Agricultura.
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AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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