AGRONEGÓCIO
ATeG: Conhecimento e mais tecnologia nos apiários do Norte de Minas
Mais de 450 apicultores, associações e sindicatos rurais de municípios do Norte de Minas participaram do Dia de Campo do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e AgroNordeste, por meio da regional do Sistema FAEMG em Montes Claros, no auditório do Parque de Exposições João Alencar Athayde. Foram seis palestras para aprimorar o trabalho, apresentar resultados e levar novos conhecimentos sobre a produção de mel, que cresce na região a cada ano.
“É muito importante reunir os apicultores da região para trocar informações e tecnologias. Apresentamos novamente o Projeto de Melhoramento Genético, que vai ajudar a crescer e dar mais qualidade à produção dos apiários. Em pouco tempo, o Norte de Minas tomará uma posição de destaque na produção de mel no país devido a essa formalização e profissionalização da atividade, com o apicultor tendo acesso ao que há de mais atual na apicultura”, destacou o gerente regional, Dirceu Martins.
Melhoramento genético foi o primeiro tema apresentado no Dia de Campo. O consultor master do ATeG Apicultura, Arnaldo Maurício Correa, mostrou resultados já mensurados do projeto, que percorreu várias cidades de Minas, fazendo a substituição de abelhas-rainhas com o objetivo de melhorar o rendimento dos apiários.
“O Dia de Campo fechou a primeira etapa do Projeto de Melhoramento Genético. Realizamos sete eventos na região. Neste, apresentamos mais informações para complementar o conhecimento sobre o tema e outras necessidades da cadeia. O bacana que muitos aqui, que não puderam participar dos outros eventos na região, chegaram com perguntas novas, o que também ajudou a sanar dúvidas de todos”, afirmou Arnaldo.
Apicultores do Programa ATeG presentes no evento receberam abelhas-rainhas virgens e realeiras que foram produzidas pelo projeto de melhoramento genético. O produtor Geovane Nobre dos Santos, de Ubaí, foi um dos beneficiados. Com as novas rainhas em mãos, ele já faz planos para o futuro, para seguir crescendo na profissão.
“A apicultura é hoje para mim uma atividade econômica muito boa. Este projeto ajudará muito a melhorar a produção. Já estou planejando para ano que vem ter mais caixas, produzindo a partir dessas novas abelhas-rainhas. Desde que o ATeG chegou, melhorou muita coisa, porque eu mexia na atividade sem muito conhecimento. Hoje tenho o técnico próximo, ensinando tudo. Tenho a expectativa de chegar a 200 quilos neste ano. Antes não passava de 80”, lembrou.
Troca de experiências
A Associação Pontense dos Apicultores e Melinopicultores (APAM) mostrou um pouco da sua experiência de atuação associativista para destacar a importância de um trabalho conjunto em prol do crescimento da cadeia produtiva. A APAM conta com mais de 120 associados e está presente em seis municípios, com boa parte da produção já inserida em programas estaduais e federais da merenda escolar e contando com selos de comercialização.
“Nosso objetivo é gerar renda com sustentabilidade, trabalhando para fixar este produtor rural no Norte de Minas. Por meio do Sistema FAEMG, do ATeG, conseguimos aumentar a produção e a qualidade do mel desses apicultores. Mostramos hoje que é possível ter uma estrutura organizada e viabilizar a comercialização dos produtos”, afirmou a presidente da APAM, Genilza Mendes Ribeiro.
Para a coordenadora do Programa ATeG Apicultura do Sistema FAEMG, Paula Lobato, a troca de experiências e conhecimentos nunca é demais, sendo primordial que os apicultores se mantenham sempre atualizados para crescer na atividade. “A grande importância é trazer os assuntos do cotidiano e os desafios para discutir as principais soluções. É uma forma de promover atualização técnica, comercialização dos produtos, trocar informações e divulgar o trabalho”.
Na plateia do Dia de Campo, estiveram presentes muitos apicultores que entrarão, a partir do segundo semestre, para o Programa ATeG. Este é o caso de 40 produtores da cidade de Porteirinha, que aproveitaram o momento para tirar dúvidas para evoluir seus apiários.
“A apicultura já representa uma grande importância para Porteirinha. Viemos em busca de conhecimento e desenvolvimento. Esperamos que estes apicultores se capacitem, aprendam boas práticas e consigam ampliar o mercado. Hoje produzimos cerca de 50 toneladas de mel por ano”, comentou a agente de Desenvolvimento e coordenadora da Sala Mineira do Empreendedor de Porteirinha, Tatiane Laís Lopes.
Depoimentos
“A região tem grande potencial para apicultura, até em função da produção resistir mais à seca e escassez hídrica. Então, essa união das entidades tem fortalecido muito a cadeia porque cada uma traz a sua expertise e agrega ações importantes. O que muda uma região é o conhecimento. Este tipo de evento é fundamental para a troca de experiências e para as instituições trazerem novas informações para capacitar os produtores para que, cada vez mais, produzam da melhor forma possível.” – Alex Demier, chefe da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Codevasf e palestrante do evento
“Este evento ajuda na geração de renda para os produtores. Não deixo de participar, porque sei que pode alavancar cada vez mais a produção rural do município e fazer com que o recurso se desenvolva dentro da região. Temos uma produção rural ativa, por meio de diversos parceiros, como o Sistema FAEMG. Nós já ganhamos alguns kits de apicultura, via emendas parlamentares, para iniciar este trabalho de capacitação por lá. Temos apicultores amadores e queremos profissionalizá-los.” – Ana Pereira Neta, prefeita de Botumirim, que acompanhou 15 apicultores da cidade no Dia de Campo
“O evento me fez lembrar do início da apicultura no Norte de Minas. Antes era um trabalho individual. Com o decorrer do tempo, houve crescimento e mais parceiros chegaram em prol do desenvolvimento da apicultura regional. A assistência técnica é que vai levar conhecimento e tecnologia para o apicultor melhorar sua produtividade, rendimento e bem-estar.” – Fernando Chaves Mendes, coordenador técnico da Regional Montes Claros da Emater
O projeto AgroNordeste é uma iniciativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em parceria com o Sistema CNA/SENAR. Em Minas Gerais, o AgroNordeste é desenvolvido pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES em parceria com os Sindicatos Rurais.
AGRONEGÓCIO
Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.
A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.
O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.
Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.
No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.
A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.
O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.
Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.
O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.
Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.
Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.
É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.
A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.
Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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