AGRONEGÓCIO
Programa PRAVALER reúne produtores para apoiar a regularização ambiental
Brasília (06/05/2022) – O Programa PRAVALER, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Embrapa e Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ), promove, entre os dias 9 e 13 de maio, encontros com produtores atendidos pelo projeto piloto no município de Boca do Acre (AM).
A iniciativa prevê ações de apoio à regularização ambiental na região, como a retificação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em imóveis rurais e a emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP).
O PRAVALER promove a regularização ambiental produtiva das propriedades rurais, buscando convergência entre produção e proteção do meio ambiente. A ação em Boca do Acre vai atender tanto produtores rurais cadastrados no projeto quanto outros interessados em retificar o CAR e emitir a DAP.
O evento terá a presença dos representantes das instituições parceiras do projeto piloto no município com uma comitiva composta pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) e vice-presidente da CNA, Muni Lourenço, e o prefeito de Boca do Acre, José Carlos, e o presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Tomas Sanches.
Também participam da comitiva o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, o Secretário de Estado da Produção Rural (Sepror), Petrúcio Magalhães, o presidente do Sindicato Rural de Boca do Acre, Dilermando Melo, e a equipe técnica coordenada pela representante da GIZ, Ana Cláudia Bandeira de Melo.
“A iniciativa do PRAVALER visa oferecer um suporte técnico ao produtor rural para resolver de forma mais simplificada e segura o seu eventual passivo ambiental e para obter a tão esperada regularização ambiental”, afirmou Muni Lourenço.
Ele ressaltou que o mutirão será uma oportunidade para que os produtores rurais do município de Boca do Acre sejam atendidos pelos órgãos competentes para emissão e retificação de CAR e orientações sobre resolução de situações de suspensão de cadastro e embargo ambiental.
“O CAR é o primeiro passo da regularização ambiental. Por meio desse cadastro será possível identificar quais são os passivos e ativos ambientais da propriedade rural”, explicou Cláudia Mendes, assessora técnica da Coordenação Nacional do Projeto.
“E tendo passivo, o produtor pode aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), que vai estabelecer os critérios para que aquela área seja recuperada, sendo que o projeto vai disponibilizar soluções com menor custo e, ainda, almejando a possibilidade de retorno econômico. Os ativos identificados abrirão caminho para que o produtor tenha benefícios com pagamento por serviços ambientais”, ressaltou.
Além dessas ações, a programação terá apresentação da Embrapa sobre experiências em recuperação florestal, da GIZ sobre metodologias em pecuária intensiva, e visita a duas propriedades rurais de pecuária que participam do projeto.
A abertura oficial do evento será na segunda (9). Na terça (10) e na quarta (11), haverá um treinamento para técnicos do Idam e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sobre pecuária intensiva. As demais ações de retificação e emissão da DAP seguem até a sexta (13).
Assessoria de Comunicação CNA
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AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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