AGRONEGÓCIO
Faesc pede apoio para produtores rurais não enquadrados no Pronaf
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) considera positiva a autorização da concessão de rebate (desconto) de 35,2% sobre o valor das parcelas das operações de crédito rural contratadas no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A medida auxilia os produtores rurais prejudicados por seca ou estiagem e inclui Santa Catarina entre os Estados beneficiados.
Para a entidade, a iniciativa será fundamental neste momento que muitos produtores sofrem as consequências desse fenômeno ambiental que atingiu fortemente toda a região Sul e o Mato Grosso do Sul, no entanto, manifesta ao Governo Federal pedido de apoio aos produtores não enquadrados no Pronaf.
“O Governo Federal está oferecendo esse desconto aos agricultores familiares que fizeram o financiamento pelo Pronaf que possuem custeio ou investimento a ser pago este ano e que não aderiram ao Proagro ou ao Seguro Rural. Em Santa Catarina há muitos produtores que possuem outras modalidades de financiamento agrícola e, até agora, o Ministério da Agricultura não se pronunciou em relação aos que tiveram perdas significativas com a estiagem”, ressalta o vice-presidente da entidade, Enori Barbieri.
A Faesc cobra do Governo uma ação em relação aos agricultores que não são ‘pronafianos’. “Muitos agricultores não conseguiram a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e só têm acesso ao Pronaf os produtores que possuem esse documento. Quem fez outras modalidades de financiamento até agora não teve uma posição do Governo sobre os benefícios em função da perda da estiagem”, frisa Barbieri.
O vice-presidente da Faesc também alerta que é fundamental que os produtores tenham DAP ativa em dia e que o município tenha declarado situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Estadual ou Nacional. “Diversos municípios não tiveram o reconhecimento de situação de emergência por problemas administrativos de declaração e isso está trazendo transtornos aos produtores rurais. Muitos deles são produtores da Agricultura Familiar e por terem um faturamento acima de 500 mil reais não se enquadram no Pronaf. Mas, é importante destacar que faturamento não é renda e, muitas vezes, os produtores sofrem grandes prejuízos”, argumenta Barbieri.
ENTENDA A CONCESSÃO DE DESCONTO
O rebate vale para as parcelas das operações de crédito rural de custeio e de investimento vencidas e vincendas no período de 1º de janeiro a 31 de julho de 2022. As operações devem ter sido contratadas até 31 de dezembro de 2021 e estar em situação de adimplência ou regularizadas até 31 de julho de 2022. Outra exigência é que o produtor tenha o registro de Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) ou inscrição no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
Em 30 de março, o governo abriu um crédito extraordinário de R$ 1,2 bilhão para a concessão de descontos em operações contratadas do Pronaf. A medida foi solicitada pelo Ministério da Agricultura após visitar as regiões atingidas, ouvir o pleito do setor e negociar com a área econômica do governo.
Segundo o decreto, na hipótese de não liquidação após a concessão do rebate, o saldo remanescente da operação ou da parcela poderá ser prorrogado se houver perda de receita nos empreendimentos vinculados, em razão de seca ou estiagem igual ou superior a 35% da receita bruta esperada. A liquidação com o rebate não valerá para as operações enquadradas no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou com cobertura de seguro rural.
O decreto Nº 11.029, que dispõe sobre a concessão do rebate, foi publicado no dia 1º de abril, em edição extra do Diário Oficial da União. Além de Santa Catarina, são beneficiados os Estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
AGRONEGÓCIO
Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
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