AGRONEGÓCIO
Câmara Técnica do Agronegócio promove seminário sobre desenvolvimento da cultura de grãos no Acre
Representantes de instituições ligadas ao agronegócio do Acre estiveram reunidos na última quarta-feira (6), no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), para participar do Seminário “Estratégias para Consolidação da Produção Intensiva de Grãos no Acre”, realizado pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, através da Câmara Técnica do Agronegócio.

O encontro, que também teve parceria da Federação e da Embrapa – Acre, foi pensado para debater os caminhos que a cadeia produtiva vem trilhando no Estado, bem como elucidar questões dos participantes referentes às ações e investimentos necessários para o cultivo de milho e soja.
A popularidade dos grãos vem aumentando consideravelmente no Acre na última década: de acordo com dados do IBGE, nos últimos 10 anos, a área cultivada de milho no Acre caiu 15% – em compensação, a quantidade produzida subiu 28% e o rendimento de produção (kg/ha) cresceu 36%. Em 2021, a produção de milho ficou em cerca de 7.300 toneladas.

Já o cultivo de soja é mais recente: foi introduzido e incentivado em 2017 no Acre, e já nesse período, a produção do grão deu um salto de 7.000% e a produtividade foi de 60 sacas por hectare, um pouco acima da média nacional que é de 57 sacas. Em áreas já desmatadas com a utilização do sistema Integração Lavoura-Pecuária, o valor bruto do plantio de milho e soja foi de R$ 15.420,00 por hectare/ano.
INFRAESTRUTURA É ESSENCIAL
Assuero Veronez, presidente da Câmara do Agronegócio e titular da FAEAC, abriu o evento destacando a importância da infraestrutura em qualquer tipo de investimento, principalmente ligado à produção agropecuária: “Como podemos caminhar com mais segurança na consolidação dessas culturas? Infraestrutura é essencial para isso, e este é um desafio que muitos ainda estão estudando para criar soluções viáveis para todos, do pequeno ao grande produtor. Essa esperança é o que nos empurra, e também vai empurrar o Estado para um futuro promissor na produção de milho e soja.”

Assuero integrou a mesa de honra junto com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom; o chefe geral da Embrapa – Acre, Bruno Pena Carvalho; representante da Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (SEPA), Cláudio Malveira; secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), Assurbanípal Barbary de Mesquita; e o chefe geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro da Silva Neto, convidado especialmente para palestrar aos participantes.
POTENCIAL IMENSO
Com o título “Estratégias para o Arranjo Produtivo de Produção Intensiva de Grãos no Acre”, o chefe geral da Embrapa Cerrados destacou a impressão positiva que o Acre lhe causou, principalmente no que diz respeito ao potencial de desenvolvimento na cadeia produtiva de grãos.

“O estado de vocês talvez seja a última fronteira que a produção de grãos atinge. Tenho mais de 35 anos de experiência com a cultura da soja, e posso afirmar que nunca vi um tamanho potencial como o que estou vendo aqui no Acre. É importante sempre destacar que toda produção sempre depende de duas coisas: clima e solo, além da fertilidade por si só, e em apenas cinco anos de história da soja, o Acre já possui a maior produtividade da Região Norte”, explicou Sebastião.

Durante sua palestra, ele também enfatizou a importância de construir um preparo para que o sistema desta cadeia produtiva não “atropele” os produtores que desejam investir nesta produção. “Dentro de toda cadeia produtiva, existe um sistema, e ele pode atropelar muitos produtores nesse processo. Portanto, devemos sempre estudar e analisar o máximo possível para investirmos corretamente na infraestrutura que os grãos exigem”, disse.
DESAFIOS PELA FRENTE
Judson Valentim, pesquisador da Embrapa – Acre, também foi convidado para palestrar no seminário. Com a apresentação “Perspectivas das Cadeias Produtivas de Soja e Milho no Acre”, Valentim trouxe um panorama da evolução destes dois plantios no solo acreanos, além de destacar as principais dificuldades que impedem a adoção em larga escala de inovações agropecuárias no Estado.

“Para criar soluções, é preciso entender os problemas em sua complexidade. Ao termos acesso aos diferentes tipos de produção, podemos consolidar mais vias de acesso ao caminho que desejamos trilhar no setor. Com o apoio destes conhecimentos diversos, podemos contornar o que causa certo tipo de impedimento na evolução agropecuária, como, por exemplo, as políticas inadequadas (de educação, licenciamento ambiental, etc); insuficiência de mão-de-obra qualificada; burocracia na concessão do crédito rural; infraestrutura deficiente/insuficiente; entre outros”, explicou Valentim.

Ao fim das apresentações, foi iniciado um debate para troca de ideias e respostas às dúvidas dos participantes, constituindo um público ligado ao setor do agronegócio através de produção rural, venda de equipamentos, funcionários de instituições parcerias, entre outros.
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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