AGRONEGÓCIO

Senar-MT marca presença na Parecis Superagro


Nos últimos quatro dias, Campo Novo do Parecis foi o ponto de encontro para os produtores rurais, representantes de órgãos públicos e privados, entidades ou empresas ligadas ao setor agropecuário. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) marcou presença com um estande e sua equipe técnica para sanar as dúvidas e orientar o produtor rural.

A instituição também contribuiu com palestras. Dentre elas, a do professor de agronegócio global do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Marcos Jank.  Ele falou sobre Geopolítica e Tendências do Agronegócio Global, analisou o atual cenário mundial. Jank também falou sobre a Guerra da Ucrânia, a relação entre Brasil, China e Índia e as principais commodities que Mato Grosso exporta.

Já a palestra do superintendente do Senar-MT, Francisco Olavo Pugliesi de Castro, conhecido como Chico da Pauliceia foi sobre a instituição. Ele mostrou como funciona o sistema e destacou o objetivo de treinar mais de 120 mil pessoas em 2022. “A pandemia impactou muito a realização de nossas ações e, agora temos que recuperar o tempo perdido”.

Em 2022, a Parecis SuperAgro teve sua programação focada em inovação, sucessão familiar e na gestão rural. Mesmo sem os números oficiais, estima-se que mais de cinco mil pessoas tenham passado pelo parque de exposições Odenir Ortolan diariamente.

Estande – Bastante movimentado, o espaço recebeu produtores rurais, empreendedores, líderes de todos os setores da economia e as crianças do Programa Filhos do Campo. Os presidentes dos Sindicatos Rurais que estiveram na feira também fizeram do estande do Senar-MT um ponto de encontro.

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A parceria com as empresas Kiko Tecnologia Agrícola, DG Stark e Saci Soluções em Amostragem de Solo garantiu a exposição de máquinas e implementos agrícolas. Estes equipamentos chamaram a atenção do público.

Na terça-feira (29.03), a comitiva de diplomatas da 7ª edição do AgroBrazil composta por representantes da Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Malásia, Países Baixos, Singapura e União Europeia também compareceu ao estande. Eles conheceram representantes de cooperativas de comunidades indígenas que se dedicam à produção de grãos no estado e trocaram informações e experiências com produtores brasileiros.

Solenidade – A abertura oficial da Parecis SuperAgro foi recheada de novidades. Além da apresentação dos indígenas, o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis apresentou a “Carta de Parecis”. O documento tem reivindicações e sugestões de ações em diversos setores para o Poder Público nas esferas – municipal, estadual e federal.

Outro ponto alto da solenidade foi a entrega do primeiro troféu Armando Brolio. É a primeira edição e o objetivo é homenagear pessoas de Campo Novo do Parecis que foram eleitas por voto ao longo de 2021 como destaque em suas áreas de atuação.

Também foi divulgado um estudo de regularização ambiental de atividade agrícola em um território indígena. “Há vários anos, a etnia Paresi tem nos procurado para investir na produção de grãos em seu território. Temos interesse em apoiar técnica e institucionalmente, mas é preciso o aval da Funai e de todos os órgãos envolvidos”, observou o presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Bruno Giacomet.

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Proposta – Os indígenas apresentaram um estudo para obter a regularização ambiental e posterior licenciamento da área na qual pretendem trabalhar. O estudo foi feito em cinco territórios indígenas. A produção agrícola mecanizada em terras indígenas existe há pelo menos 15 anos na região do Chapadão do Parecis, em Mato Grosso.

O plantio de soja e milho vem sendo feito em municípios como Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra, Brasnorte e Sapezal. A área plantada é de 19 mil hectares, o que corresponde a 1,7% do total da área indígena na região

Horta comunitária – O superintendente do Senar-MT, Chico da Pauliceia anunciou a instalação da horta comunitária em Campo Novo do Parecis. Este é um projeto realizado pelo Sindicato Rural e Senar-MT que conta com o apoio da prefeitura, câmara de vereadores e da sociedade em geral.

O projeto de lei nº 14/2022 que concede o direito de uso pelos próximos 20 anos da área onde será implantada a horta comunitária foi aprovado por unanimidade.   Foram cedidas duas áreas sendo uma de 1800 m2 e 1940 m2, localizadas no residencial Flor do Cerrado, no bairro Jardim das Palmeiras.

Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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